Páginas

25 maio 2009

Dádiva

The Cafe Terrace, Van Gogh


A sensação de quem vive ou está só
pode ser comparada a uma pedra
que emerge da escuridão da terra
qual diamante que brilha feito sol.

A solidão é dádiva da vida
é meta suprema, dá força ao ser
embora não seja para todos
a solidão faz parte do crescer

ainda que da prisão a luz sufoque
e as chagas do tempo libertem o ser
a resistência desabrocha enfim

e ao perceber o reflexo da clausura
é acolhendo o interior da pedra
que se compõe a leveza do ser


Graça Graúna, Nordeste do Brasil, 22 de maio de 2009
NOTA: poema publicado no Overmundo.

15 comentários:

  1. Para ilustrar o poema "Dádiva", escolhi essa tela de Vang Gogh por múltiplas razões, entre elas: o café, enquanto lugar, possibilita a associação entre acontecimentos da vida pública e privada; é um lugar que revela o entrecruzamento de memórias. Tenho impressão que num lugar assim, Van Gohg pintou a sua solidão entremeada de profundas histórias que ele escutou pela vida.

    ResponderExcluir
  2. Todos nós somos pedras
    com cernes nobres
    basta que, quando em nossa solidão
    tenhamos a oportunidade de reconhecer essa dádiva...
    Van Gogh sabia da sua...

    perfeito, Graúna

    um beijo

    Joe

    ResponderExcluir
  3. A memória é de ouro,
    é o amarelo de Van Gogh,
    é o tesouro de Deus.

    Beijos.

    ResponderExcluir
  4. Meu querido Mestre Carlos Brandão: sou uma pessoa privilegiada em ter a oportunidade de receber seus comentarios ao meus escritos e como se não bastasse tenho o seu afeto e o de Sônia; vocês são um tesouro. Grata, mais uma vez, pela atenção.

    ResponderExcluir
  5. Meu querido Brazuca: sim, todos nós somos uma pedra que Ñanderu pôs no mundo. E sua presença JOE é uma dádiva. Bjos, Grauninha

    ResponderExcluir
  6. E nasce o pema dessa tensão, né Graça?. dessas pedras se brilham na solidão. o poema/pedra se fecha qdo se abre pra nós leitores. E nisso vc é mestra pra traduzir esses choques entre os dentros e os foras;))
    saudades da lindesa.

    ResponderExcluir
  7. CD - Diviníssima Cristura, Bea, irmã de luta: tuas impressões acerca dos meus escrito só vem aumentar ainda mais a minha responsabilidade. Menina, olha só o que você diz...ôxi....quisera eu poder traduzir os falares da pedras. Minha linda, fica com Ñanderu. Bjos, Grauninha

    ResponderExcluir
  8. Por mais que estejamos acompanhados, a solidão é a razão do dizer que temos de nós mesmos.
    Tristes daqueles que não acolhem o interior da pedra!
    Paz em Ñanderu.

    ResponderExcluir
  9. Meu querido Roberto Carvalho: me alegra e comove a sua presença poética. Grata por acolher o meu poema. Bjos

    ResponderExcluir
  10. A pedra inscrustada de que falei em Bruma. É esta a pedra que brilha, mesmo através das brumas da solidão e da poesia...
    Lindo, Graça.
    Beijos

    ResponderExcluir
  11. Nydia: seu comentario traduz a grandeza o seu coração. Grata pela visita.Bjos. Grauninha

    ResponderExcluir
  12. Querida amiga,
    A solidão é uma ferramenta para lapidar a vida.
    Lindo poema.
    Beijinhos.

    ResponderExcluir
  13. Sonia Brandão: nunca é demais reiterar que eu aprendo muito com você. Grata pela encantadora visita.

    ResponderExcluir
  14. nossos corpos
    - vasos das mesmas mãos
    veneram opostos
    - hóstias hostis

    Priscila, poetamiga: estou aqui pra dizer que gostei da sua visita em meu blog e dizer também que a tua poesia começa a fazer parte das coisas que amo. Paz em Ñanderu (O Grande Criador do Universo, em guarani). Grauninha

    ResponderExcluir