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Direito Autoral
Desrespeitar os direitos autorais é crime previsto na Lei 9610/98.
30 abril 2013
20 abril 2013
Um e muitos juntos
Canoas do povo Matsés (AM e Peru)
Foto: Beatriz A. Matos. Fonte: Isa - Instituto Socioambiental.
Foto: Beatriz A. Matos. Fonte: Isa - Instituto Socioambiental.
Um e muitos juntos
(*)
I
Na
travessia:
amassar
o barro
dar
tempo ao tempo
curar
a panela
beber
do pote
a
água da chuva
e
repartir
o
que vem da fonte
o
que vem da terra
e
as oferendas do mar
II
No
caminho de volta
no
pé da Serra do Mar
vislumbro
uma árvore curvada pelo tempo
suas
raízes abraçam a terra
e
seguem o curso natural das águas
onde
mil pássaros alimentam
seu
eterno canto
III
Na
travessia, só escuto
e
vou tecendo o colar
em
meio à saudade
da
minha aldeia
(*)Graça
Graúna (povo Potyguara/RN)
24 de abril de 2012
A arte literária dos
indígenas
Por Rachel Bertol | Para o
Valor, do Rio
Daniel Munduruku, autor de 43 títulos: "Sou escritor por
vingança"
Escritor indígena? Literatura indígena? É comum ler
reportagens sobre índios no Dia do Índio e, embora os brasileiros já comecem
aos poucos a se acostumar com a atuação dos novos intelectuais indígenas -
militantes das próprias causas -, pouco ainda se ouve falar dos
"escritores indígenas". E muita gente também estranha: literatura
indígena? "Sou escritor por vingança. Como fui obrigado a ir para o
colégio, aprendi a escrever e me tornei escritor", diz Daniel Munduruku,
autor de 43 títulos (a maior parte para crianças), que terá este como um ano de
comemorações.
O Encontro de Escritores e Artistas Indígenas, do
qual foi um dos criadores com o apoio da Fundação Nacional do Livro Infantil e
Juvenil (FNLIJ), está celebrando uma década. A edição comemorativa será
realizada em junho, no Salão do Livro para Crianças e Jovens, no Rio. Dessa
edição vão participar 25 indígenas e será lançada uma antologia com textos
inéditos de 14 escritores para o público adulto (Munduruku vai escrever uma
crônica sobre o espanto das pessoas quando veem o índio usando paletó e cocar).
Além dele, participam, entre outros, Cristino Wapichana, Olívio Jekupé, Graça
Graúna, Manuel Moura Tucano, Rony Wasiry, Yaguarê Yamã - este último teve
títulos selecionados para o catálogo internacional da FNLIJ de 2013,
apresentado no mês passado na Feira do Livro para Crianças de Bolonha (a maior
parte dos autores indígenas atua no segmento de livros infantis). No encontro,
também se planeja uma exposição e serão realizadas oficinas artísticas com educadores,
além das atividades com crianças.
Mas nessa edição haverá outra importante
comemoração para Munduruku: os dez anos do lançamento de seu livro "Meu Vô
Apolinário" (Studio Nobel), que conta a dificuldade de uma criança
indígena de aceitar sua condição. O livro ganhou o Prêmio de Tolerância da ONU
e foi decisivo para estimular outros indígenas a escrever.
No entanto, se o movimento dos autores indígenas é
novo no Brasil - um movimento do século XXI -, Munduruku diz que não são
autores novos: as histórias de que tratam remetem a mitos de um tempo em que
gente e bicho viviam como homem e mulher, conversavam de igual para igual. Para
aceitar esse movimento como plenamente literário, torna-se necessário,
portanto, aceitar que essas histórias de outros tempos - transmitidas em cantos
e narrativas orais, muitas colhidas por antropólogos e viajantes ou ouvidas
pelos indígenas diretamente em suas aldeias - também sejam reconhecidas, e
conhecidas, como expressões literárias.
Sérgio Cohn, editor da Azougue, acaba de dar um
importante passo nesse sentido, com o lançamento de "Poesia.br",
caixa com dez livros no qual faz uma coletânea de poetas brasileiros da
contemporaneidade até os tempos da colônia e mais além, com uma seleta que
intitulou "Cantos Ameríndios". São cantos de diferentes povos
indígenas - bororo, caxinauá, marubo, embiá-guarani, maxacali - publicados apenas
em português sem notas de rodapé ou explicações acadêmicas. Para realizar o
trabalho, contou com a colaboração de pesquisadores acadêmicos.
Na semana passada, no lançamento do
"Poesia.br" em São Paulo, a leitura dos cantos ameríndios por uma
atriz foi o momento que mais emocionou o público. "Acho que tem um
interesse e eu tenho a impressão de que as pessoas estranhavam muito mais
antigamente", conta o editor, que, mesmo assim, ainda sente certa
resistência. "Eu quero que esses cantos tenham validade por si, assim como
um poema de Gonçalves Dias, João Cabral ou Drummond", afirma. Por isso, a
opção de não colocar explicações, que considera desnecessárias quando o
objetivo é despertar o encantamento do leitor.
Outro lançamento que reforça essa tendência é
"La Poésie du Brésil" (Éditions Chandeigne), publicado no fim do ano
na França. Organizada pelo franco-brasileiro Max de Carvalho, a antologia é das
mais completas já lançadas no exterior com a poesia brasileira e começa com o
capítulo "Les Immémoriaux" (Os imemoriais), reunindo narrativas
míticas, cantos de amor e cantos xamânicos de diferentes povos indígenas.
"Quem ainda recusa à poesia indígena o status
de literatura deveria se perguntar o que entende por uma e outra. A poesia dos
ameríndios da América do Norte, oral, dançada, xamânica, influenciou
diretamente os maiores poetas americanos da segunda metade do século XX, de Bob
Creeley a Charles Olson, passando por Zukowski e sobretudo Jerome Rothenberg.
Introduzir os cantos imemoriais na poesia nacional é uma subversão necessária
em relação a uma visão esclerosada", defende Carvalho.
Cohn lembra na introdução de "Cantos
Ameríndios" que os escritos indígenas tocam em questões importantes para a
poesia contemporânea, como "o esboroamento da autoria e das fronteiras das
expressões artísticas" e "a presença da performance".
Os textos indígenas, porém, ainda provocam bastante
perplexidade, haja vista a reação ao livro "Meu Destino É Ser Onça"
(Record), em que o escritor Alberto Mussa reconstitui mitos tupinambás para
"incorporar a epopeia tupinambá à nossa cultura literária". O livro
não é considerado antropológico, por sua liberdade criativa, mas causa
desconfiança nos estudos literários. Em tese defendida neste ano sobre sua
obra, na Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ),
a obra provocou controvérsia.
"O
orientador disse que era um estudo da área de antropologia. Mas ele está certo,
desde que tenha considerado o critério de ficção. Como não é ficção do autor,
ele preferiu excluir o livro de uma dissertação sobre a obra ficcional. Eu só
não concordaria se ele tivesse dito que narrativa mítica não é
literatura", diz Mussa, para quem a narrativa tupinambá, no entanto, como
defende no livro, deveria "figurar em todos os cânones da literatura brasileira,
fosse qual fosse a definição desse conceito".
17 fevereiro 2013
Encontro nacional de mulheres camponesas
Fonte: Adital
(http://www.adital.com.br/?n=ch6h)
Com o objetivo de debater a situação da mulher
camponesa diante da opressão e da discriminação e contra todas as formas de
violência, o Movimento de Mulheres Camponesas do Brasil (MMC) irá realizar no
Parque da Cidade em Brasília dos dias 18 a 21 de fevereiro o 1° Encontro
Nacional do Movimento de Mulheres Camponesas do Brasil.
Para as 3000 camponesas esperadas para o evento
estão previstas intervenções culturais, mostra de produção das mulheres
camponesas e plenárias que debaterão a produção de alimentos saudáveis, o
combate à violência contra as mulheres e o feminismo, além de uma mobilização
contra a violência a ser realizada no encerramento do encontro, no dia 21 de
fevereiro.
Segundo Letícia Pereira, militante e relações
públicas do MMC, a mulher camponesa da atualidade ainda sofre com a supressão
dos direitos trabalhistas, que preveem o trabalho com carteira assinada,
remuneração de acordo com a atividade exercida, férias e licença maternidade.
"Pretendemos com o encontro enfatizar o assunto dos direitos
previdenciário e trabalhista e discutir políticas públicas que favoreçam a
produção de alimentos saudáveis e a comercialização dos produtos feitos pelas
camponesas, gerando renda e autonomia financeira para as mesmas”, afirma.
Já estão confirmadas as presenças de Organizações
de Mulheres Internacionais dos países de Cuba (Federação de Mulheres Cubanas),
Honduras (Conselho para o Desenvolvimento Integral das Mulheres Camponesas),
Colômbia (Federação Nacional Sindical Unitária Agropecuária), Venezuela (Frente
Nacional Campesina Ezequiel Zamoura), Chile (Associação Nacional de Mulheres
Rurais e Indígenas), Paraguai (Coordenadora Nacional de Organizações de
Mulheres Trabalhadoras Rurais e Indígenas), República Dominicana (Confederação
Nacional de Mulheres do Campo), Itália (Universidade de Verona) e África (União
Nacional de Camponeses de Moçambique e uma articuladora de organizações de
camponeses da África do Sul - TCOE).
O Movimento das Mulheres Camponesas é o resultado
da articulação de vários movimentos sociais femininos do campo. O movimento
defende as trabalhadoras do campo no que diz respeito à igualdade de direitos,
produção agroecológica de alimentos, valorização e valoração do trabalho,
garantia de geração de renda e autonomia para as famílias do campo, dentre
outros. Ele pode ser melhor conhecido, bem como a programação do Encontro
Nacional em http://www.mmcbrasil.com.br/
05 fevereiro 2013
I Encontro Nacional de Estudantes Indígenas
Prezados amigos e
aliadas,
Os alunos da UFSCar - Universidade
Federal de São Carlos - estão organizando o I ENEI - Encontro Nacional de
Estudantes Indígenas - para o início de setembro (entre os dias 2 e 6).
Será um grande encontro que
congregará estudantes universitários indígenas para discutir o Ensino Superior
para Povos Indígenas.
Em breve serão
abertas as inscrições para apresentação de trabalhos e como as pessoas poderão
participar deste histórico evento. Lembro que ele está sendo todo preparado por
uma comissão de estudantes indígenas com o apoio de instituições de fomento à
pesquisa. Outras colaborações serão bem vindas.
Acompanhem as
informações no site que está sendo construído - por indígenas universitários -
especialmente para cobrir o evento.
Mais informações: http://www.eneiufscar.com/
28 janeiro 2013
Justiça concede liminar favorável ao Museu do Índio
Museu do Índio. Imagem extraída do Google.
Uma liminar do Tribunal de Justiça, expedida no sábado, impede a demolição do
antigo prédio do Museu do Índio, situado ao lado do Estádio do Maracanã, no
Rio. A decisão chegou às vésperas do encerramento do prazo dado pela
procuradoria do estado para a desocupação do imóvel, prevista para hoje. A
liminar estabelece ainda uma multa de R$ 60 milhões para o caso de
descumprimento da medida. A construção, de 1862, está no centro de uma batalha
jurídica entre o estado e índios de pelo menos cinco etnias que lá vivem desde
2006. A liminar foi concedida após ação da Defensoria Pública, diante do
parecer favorável do Iphan ao tombamento do imóvel, mas cabe recurso - O Globo, 28/1,
Rio, p.23.
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