Direito Autoral

Desrespeitar os direitos autorais é crime previsto na Lei 9610/98.

31 dezembro 2009

Estrela-guia

 
Imagem Google


Que todos os cantos sejam
de Amor e Paz
e a estrela guie
o nosso tempo de estar no mundo



Graça Graúna
Nordeste do Brasil, 31.dez.2009
Poema publicado no Overmundo.

19 dezembro 2009

...sobre um “canto peregrino e mestizo”

Ilustração: indios kadiweu
Capa: Agnes Pires

Nada de novo e tudo de novo. No baú de lembranças, reencontro as boas palavras escritas em 2001 por um amigo, acerca de "Canto Mestizo" - meu primeiro livro de poemas. Trata-se das impressões do professor e amigo Antonio Viana que, agora, compartilha o andar de cima com Manuel Bandeira e Irene preta, com Drummond e Cecília Meireles e outros que se foram; mas que deixaram o brilho de sua simplicidade, sensibilidade e sabedoria.
Confesso que senti uma grande vontade de comemorar os 10 anos de “Canto mestizo”, isto é, meu filho de papel e tinta publicado em 1999, pela Editora Blocos, com o prefácio de Leila Miccolis, poetamiga. Pensei em reunir os amigos, ouvir musica, falar de literatura.... enfim, reconhecer que estamos sobrevivendo e que há dez anos me vesti de coragem para mostrar timidamente meu canto atravessado de blues e sol. Pensei em fazer tanta coisa, mas não deu. Contudo, só o fato de estar aqui para compartilhar o desejo de rever os amigos e falar de poesia já é uma conquista, porque a poesia é parte de tudo aquilo que me move. A poesia é possível, não acaba nunca. Enquanto houver poesia, há vida; há esperança. Basta não desistir.
Assim, sem mais delongas, tomo a liberdade de convidar a todos(as) para celebrar a palavra à luz do pensamento vivo de Antonio Viana.


Graça Graúna, Nordeste do Brasil, 18 de dezembro de 2009


Impressões sobre um “canto peregrino e mestizo”

Tentarei expressar nestas palavras minha surpresa e meu encanto ao descobrir a poesia de Graça Graúna no seu Canto Mestizo, apresentado em duas partes: na primeira vemos a autora mostrando-se como um haijin (poeta de haicai), unindo simplicidade, sensibilidade e sabedoria, em poemetos concisos, em três versos, como o faziam os antigos haicaístas. Fiel à estética e aos princípios desta forma poética, a autora cristaliza a instantaneidade do momento, a transitoriedade do sentimento, assim como a fugacidade do tempo através de imagens do dia, palavras, cores e sons do cotidiano, da maneira mais simples possível, como deve realmente ser um belo e autentico haicai. Aqui captamos toda a emoção, a sensação e o sentimento da poetisa apresentados como uma espécie de convite a um diálogo e encontro maior com a sua poesia.
Na segunda parte do livro, Graça, não como uma cotovia, mas como a própria Graúna, nos leva em suas asas, a revisitar espaços poéticos: Recife, Pasárgada, Lisboa, entre outros, na companhia de escritores e artistas de todos os tempos. O “Inventário amoroso” que inicia esta parte, abre-nos as portas ao universo poético-intertextual; partindo de Cervantes passamos por Hesse, Rilke, Neruda, Eliot, Borges, Bandeira, Ascenso, Pessoa, Régio, Mário, Quintana e outros mais.
Uma discreta e sentida homenagem é feita a autores-cantores que com o seu canto e a força de suas mensagens marcaram com uma gota de desespero toda uma geração: Janis Joplin, Victor Jara, Violeta Parra.
A temática do Canto Mestizo desdobra-se em várias direções; o descobrimento dos “brasis” e o destino incerto do nosso povo: o índio, o negro e o próprio mestiço, no dizer da autora “crias de um homem submerso”. Podemos ainda descobrir os mares literários por onde navega Graça Graúna, através das evocações, alusões e citações dos seus mitos poéticos e por fim penetramos num mundo pessoal, povoado de mágoas, desencontros, “esperanças pardas”, incerteza, ânsias, mas também de “riquezas infinitas”; mundo este que nos faz lembrar a poética ferida de Florbela Espanca.
O azul que colore os poemas de Graça assemelha-se ao azul que corre dos dedos de Cecília e “colore as areias desertas”, ao “azul ausente” de Carlos Pena Filho, tentando aprisionar na cor as coisas que lhe são gratas. Graúna pousa sua tristeza no azul quase preto, cor da ausência das cores, ausência de tudo. E parafraseando a autora no poema “Gênesis”, aqui termino afirmando:
Faça-se eco este “canto mestizo”!

Antonio Viana, Recife, 2001.


Nota: texto publicado no Overmundo

14 dezembro 2009

Folia de reis

Imagem: Flickr

Os reis mag(r)os lentamente
caminham pelo sertão
anunciam que a vida
é de curta duração
enquanto o sol arrebentar
em pedacinhos o chão

Léguas e luas de sede
ovos de camaleão
mas nem tudo está perdido:
na direção da estrela
a flor do mandacaru
dá esperança ao sertão


Graça Graúna
Nordeste do Brasil,
poema publicado originalmente em cartão postal, em dezembro de 1981.
Nota: poema publicado no Overmundo

08 dezembro 2009

...mais uma chance à paz...


O silêncio nos acompanha
resmunga
diz que envelheceu
e que só alguns loucos tentam escutá-lo.

O silêncio reclama
diz que são raros
os que ousam tocá-lo
e continuam se perguntando:
- todos dormem ou fingem que estão mortos?

Imagine
o silêncio de fel sobre o gelo fino


Graça Graúna
...pensando em John Lennon...
Nordeste do Brasil, 8 de dezembro de 2009
Nota: poema publicadono Overmundo

02 dezembro 2009

Nas asas da Graúna

Ilustração: José Carlos Lollo


Uma história que conta o passado, o presente e o futuro das gentes.

Uma historia que nos mostra o principio, o meio e o fim.

Nos traz a essência do que somos e o cuidado que temos que ter ao afundar nossos pés no solo sagrado que nos acolhe.

É preciso pisar macio para não desonrar o sagrado que há em cada um, trazido de onde mora a nossa ancestral memória.

Ser fiel exige coragem, desprendimento e afeto.

Ser fiel nos permite estar atentos somente àquilo que é legítimo e verdadeiro para não cairmos nas armadilhas e nos desviarmos do caminho. É saber silenciar o coração, a mente e viver com alegria o presente que mora em nós.

É isso que Graúna nos faz: ela nos coloca em suas asas e nos lembra que somos fios na grande teia da vida.

(Apresentação: Daniel Munduruku)

Ficha técnica


Editora Manole – São Paulo
ISBN - 9788520430576
Encadernação - brochura
Formato - 23 x 23
Ano – 2009
R$ 20,70

Nota: texto publicado no Overmundo

29 novembro 2009

Recomende este livro: "Criaturas de Ñanderu"

Ilustração: José Carlos Lollo
O livro Criaturas de Ñanderu é um emocionante conto indígena escrito por Graça Graúna no qual uma garota com nome de pássaro, ao tornar-se adulta, ganha asas e sai de sua tribo para conhecer a cidade grande.
***
“Graça Graúna, educadora e descendente da etnia Potiguara, apresenta o livro “Criaturas de Ñanderu”, que conta a história de uma bela índia que teve seu nome trocado pelo de um pássaro. O livro é uma publicação da Editora Amarylis, selo editorial da editora Manole.” (http://www.meupalco.com.br/, em 6 de outubro de 2009)
***
Criaturas de Ñanderu
Editora Amarylis - um selo editorial da Manole / São Paulo

Sinopse:
Criaturas de Ñanderu, livro de Graça Grauna conta com sensibilidade e poesia uma história dos ancestrais, ouvida à noite pelas crianças da aldeia. Trata-se da história da mais bela cunhã, que teve o nome trocado por seu pai para um nome de pássaro. Um nome que se confundia com o nome de uma ávore. À noite, um velho sábio apareceu e disse a bela cunhã que ela deveria seguir esse seu destino, para proteger a ciência doseu povo, a sua aldeia, mas que deveria evitar se encantar com as belas mentiras das grandes cidades. Quando estava com seu povo, se podia perceber que os ombros dela se recobriam de uma vasta plumagem negra mas, quando saia da aldeia essa plumagem se transformava em belos cabelos negros para não atrair a atenção das outras pessoas. Assim seguia a cunhã sempre maior em graça e sabedoria, mas às vezes ela se deixava encantar pelas belas mentiras das cidades; então seu canto aparecia engaiolado...Para fugir dessa prisão, ela pensava nos grandes rios e florestas. Dizem que mesmo nos dias mais claros se vê alguns pássaros negros voando no céu azul e que quando, no frio , se vê alguma gaiola vazia, é porque um pássaro voltou para a liberdade.
Ano: 2009
Brochura32 páginas
23x23cm,
ISBN 978-85-204-3057-6

16 novembro 2009

Cartografia do imaginário

Book tree, de Salvador Dali.



...do meio da noite
ao meio do dia
o espanto do universo
retalhado em fatias
alimenta o poema
e a vertiginosa fome de vencer
o intrincado mundo das palavras
da noite ao meio dia
(a)talhos e fatias
dos muitos caminhos do mundo
alimentam
a cartografia do imaginário
do corpoema

***

Graça Graúna, Nordeste doBrasil, 16.nov.2009.

Nota: poema publicado no Overmundo.

***

Graça Graúna. Canto mestizo. Maricá/RJ: Blocos Editora, 1999, p.69. [com prefácio de Leila Miccolis].

13 novembro 2009

Enquanto houver poesia

Escultura de Demétrio Albuquerque
em homenagem a Manoel Bandeira.


Difícil saber
onde o grande amor está
quando o escuro da distância
das fronteiras
da exclusão
e do medo impede o canto
e o direito de sonhar.

Contudo
enquanto houver poesia
vale tecer o encanto
que a manhã vai chegar.

***

Graça Graúna
Nordeste do Brasil, 13 de novembro de 2009

***

Nota:
1) Pensando em Manoel Bandeira, Thiago de Melo e João Cabral, entre outros poetas
2) Poema publicado no Overmundo.

10 novembro 2009

Pelos caminhos da não-violência

Não
bastam
seus olhos 
seus ouvidos 
sua boca, 
seu coração 
suas mãos
   seus pés... 
 caminhe com humanidade 
coloque todo o seu ser 
na marcha pela paz.  
Violência, não!   

Graça Graúna, Nordeste do Brasil, 10.nov.2009
***
***
Nota: poema publicado no Overmundo

03 novembro 2009

Poesia mambembe: recordações de infância

Ilustração: ruadeletras.files.wordpress


O meu gosto pelos versos nasceu quando eu tinha seis ou sete anos, quando minha mãe leu para mim um poema a respeito de uma menina que queria ser enfermeira de Jesus. Declamei o poema num circo mambembe.
Lembro das muitas ocasiões em que eu declamava para as visitas que chegavam na pequena Hospedaria de Tia Fisa. Parte da minha infância vivi com Tia Fisa. Ela hospedava feirantes, caixeiros viajantes, romeiros e outros religiosos que acompanhavam Frei Damião e viajavam pra Juazeiro pedir chuva ao “Padrim Ciço”...
Eu sabia o poema de cor e salteado. Hoje trago na memória apenas o ritmo de algumas palavras que falavam de uma menina chamada Ritinha.
Do autor ou da autora do poema, não me recordo o nome; mas compartilho alguns trechos do poema intitulado “Enfermeira de Jesus”. Alguns versos talvez sejam parte também do meu imaginário de criança, mas vale a tentativa de registrar, aqui, o ritmo da palavra e a grande façanha de uma menina que sonhou em aliviar as dores do amigo Jesus.

Enfermeira de Jesus

Encontrando a porta aberta
Ligeirinha e muita esperta
Sem ninguém para conter
Entrou a linda Ritinha
No quarto da mamãezinha
Para tudo então mexer

Vendo em cima [lá no alto]
O Jesus crucificado
Pôs a mão no coração.

Arrastou um escada
Pegou um esparadrapo
Um pedacinho de trapo
Um copo d’água e algodão

(...)

Quando a mãe entrou no quarto
Brigou com a linda Ritinha
Que foi descendo a escada

E logo assim respondeu:
Veja mamãe como eu sei
Pois eu sozinha curei
Todo dodói de Jesus


Nas minhas constantes viagens entre o Agreste e o Litoral pernambucano, aqui e acolá avisto um circo mambembe. Na semana passada, vi um circo bem pobrezinho na beira da estrada e logo veio à memória um dos momentos especiais da minha infância, quando declamei “Enfermeira de Jesus” no maior circo que apareceu no meu lugarejo; hoje tenho noção que não parecia tão grande assim, mas era o maior circo de todos os tempos na minha recordação de infância.
Lembro até do vestido que eu usava: era branco, bordado, laço na cintura. Lembro até dos carões que eu levava pra pentear os cabelos e minha mãe dizia: como pode uma menina com uma roupa tão bonita declamar um poema com os cabelos despenteados? Mas não adiantava reclamar. Só sei que ainda guardo o cheiro da brilhantina na minha franja; lembro da luz meio laranja sobre mim no picadeiro. Eu, sentadinha em um banco colorido, toda prosa e ciente que todos naquela noite de sábado ouviam minha voz miúda no auto falante da cidade.
Foi assim que dei conta do senso poético ao declamar sobre a liberdade de uma porta aberta e nessa direção a palavra mambembe sem ninguém para conter.

Graça GraúnaNordeste do Brasil, 3 de novembro de 2009
Nota: publicado no Overmundo.

31 outubro 2009

Em memória de Inês de Castro

 
Túmulo de Inês de Castro

Dia de finados. Há tantos mortos para lembrar...uns que se foram muito cedo, outros que atravessam séculos e sua história de vida continua alimentando o nosso imaginário, a nossa memória. Há muitos mortos para lembrar; sejam brasileiros ou portugueses, índios ou negros; mortos de diferentes etnias
Neste blog, eu costumo publicar textos de minha autoria e abro espaço, também, para os textos que eu gostaria de ter escrito. Por essa razão, acolho o poema de Luciano Alves. Ele dedicou os versos seguintes à imortal Inês de Castro; uma personagem da história portuguesa que recebeu de Camões o belíssimo e trágico Canto III, em "Os Lusíadas". O poema de Luciano é fruto das minhas provocações nas aulas de Literatura Portuguesa I, no Curso de Letras da UPE.

O canto terceiro em Os Lusiadas

Concluindo o canto terceiro
desta obra imortal
temos um grave desfecho
que a todos choca igual

A amada de Dom Pedro
pra ninguém era segredo:
era a bela Inês de Castro

A essa altura ainda é cedo
mas no desenrolar do enredo
o luto à trama invade
por hora goza de sossego
não tem noção, sequer medo
de um futuro tão covarde.

O pai do amado não aprova
do seu filho a união
por isso, o Rei Afonso
sem piedade ou compaixão
decreta que só a morte,
o ceifar da vida, triste sorte,
é para Inês de Castro a decisão.

É na estrofe UM TRÊS DOIS
que a maldade acontece
pouco tempo depois
da vítima fazer a prece

“- Por amar, que me perdois
o teu filho mais que pudesse
rogo a ti agora pois
que ao exílio me arremesse”

Triste sina a de Inês
que pela espada foi vencida
amar demais foi o que ela fez
pra merecer a vil ferida
que dói no peito português
ainda hoje revivida

E o poeta continua
seu relato grandioso
da história da terra sua
que lhe deixa mui garboso
para os clássicos apontando
aos textos sagrados associando
segue em seus versos rimando

Assim, compunha o clássico
da terra lusitana
da última flor do Lácio
seu estilo, seu traço
ainda hoje não engana
quem nesse mar navega
logo louva sua entrega
à obra tão vital,
pois nela muito se aprende
muito se sabe, muito se entende
da história de Portugal.

Nota: Luciano Alves é meu aluno no 4º período de Letras, UPE/Garanhuns.

22 outubro 2009

Cinema e Direitos Humanos


A 4ª Mostra de Cinema e Direitos Humanos é uma realização da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, com patrocínio da Petrobras e produção da Cinemateca Brasileira. Conta com apoio do SESC/SP, TV Brasil e do Ministério das Relações Exteriores. Em Recife, a 4ª Mostra acontece nos cinemas da Fundação Joaquim Nabuco e do Teatro do Parque. A entrada é franca. Eis a programação:

30/10 - sexta
20h – Sessão de Abertura
HISTÓRIAS DE DIREITOS HUMANOS – vários diretores (diversos países, 84 min, 2008, doc/fic)
31/10 - sábado
14h - CORUMBIARA - Vincent Carelli (Brasil, 117 min, 2009, doc)
18h - O CAVALEIRO NEGRO - Ulf Hultberg, Åsa Faringer (Suécia / México / Dinamarca, 95min, 2007, fic)
20h - UNIDADE 25 - Alejo Hojiman (Argentina / Espanha, 90 min, 2008, doc)
COCAIS, A CIDADE REINVENTADA - Inês Cardoso (Brasil, 15 min, 2008, doc)

01/11 - domingo
14h - TRAGO COMIGO – Parte 1 (capítulos 1 e 2) - Tata Amaral (Brasil, 96 min, 2009, doc/fic)16h - TRAGO COMIGO – Parte 2 (capítulos 3 e 4) - Tata Amaral (Brasil, 96 min, 2009, doc/fic)18h - BAGATELA – A NECESSIDADE TEM CARA DE CACHORRO - Jorge Caballero (Colômbia / Espanha, 74 min, 2008, doc)
MENINO ARANHA - Mariana Lacerda (Brasil, 13 min, 2008, doc)
MENINOS - Gonzalo Rodríguez Fábregas (Uruguai, 14 min, 2008, doc)
20h - ENTRE A LUZ E A SOMBRA - Luciana Burlamaqui (Brasil, 150 min, 2007, doc)

02/11 - segunda
14h - MOKOI TEKOÁ PETEI JEGUATÁDUAS ALDEIAS, UMA CAMINHADA - Arial Duarte Ortega, Germano Beñites, Jorge Morinico (Brasil, 63 min, 2008, doc)
DE VOLTA À TERRA BOA - Mari Corrêa, Vincent Carelli (Brasil, 21 min, 2008, doc)
PRÎARA JÕ, DEPOIS DO OVO, A GUERRA - Komoi Paraná (Brasil, 15 min, 2008, doc)
16h - NUNCA MAIS!!! COCHABAMBA, 11 DE JANEIRO DE 2007 - Roberto Alem (Bolívia, 52 min, 2007, doc)
DAYUMA NUNCA MAIS - Roberto Aguirre Andrade (Equador, 30 min, 2008, doc)
18h - SENTIDOS À FLOR DA PELE - Evaldo Mocarzel (Brasil, 80 min, 2008, doc)PUGILE - Danilo Solferini (Brasil, 21 min, 2007, fic)
20h – Audiodescrição NÃO CONTE A NINGUÉM - Francisco J. Lombardi (Peru / Espanha, 120 min, 1998, fic)

* Sessão com audiodescrição para público com deficiência visual

Teatro do Parque
14h O SIGNO DA CIDADE - Carlos Alberto Riccelli (Brasil, 96 min, 2007, fic)
OS SAPATOS DE ARISTEU - René Guerra (Brasil, 17 min, 2008, fic)
16h - TAMBORES DE ÁGUA: UM ENCONTRO ANCESTRAL - Clarissa Duque (Venezuela / Camarões, 75 min, 2008, doc)
ALÉM DE CAFÉ, PETRÓLEO E DIAMANTES - Marcelo Trotta (Brasil, 15 min, 2007, doc)TARABATARA - Julia Zakia (Brasil, 23 min, 2007, doc)

03/11 - terça
14h - YÃKWÁ, O BANQUETE DOS ESPÍRITOS - Virgínia Valadão (Brasil, 54 min, 1995, doc)
A ARCA DOS ZO’É - Dominique Tilkin Gallois, Vincent Carelli (Brasil, 22 min, 1993, doc)
O ESPÍRITO DA TV - Vincent Carelli (Brasil, 18 min, 1990, doc)
16h - TAMBÉM SOMOS IRMÃOS - José Carlos Burle (Brasil, 85 min, 1949, fic)
18h - À MARGEM DO LIXO - Evaldo Mocarzel (Brasil, 84 min, 2008, doc)
20h - GARAPA - José Padilha (Brasil, 110 min, 2008, doc)

Teatro do Parque
16h - CRUELDADE MORTAL< - Luiz Paulino dos Santos (Brasil, 92 min, 1976, fic) ESTRELA DE OITO PONTAS - Fernando Diniz e Marcos Magalhães (Brasil, 12 min, 1996, fic/ani)

04/11 - quarta
Cinema da Fundação Joaquim Nabuco

14h - PRO DIA NASCER FELIZ - João Jardim (Brasil, 88 min, 2006, doc)
18h - DEVOÇÃO - Sergio Sanz (Brasil, 85 min, 2008, doc)PHEDRA - Claudia Priscilla (Brasil, 13 min, 2008, doc)

05/11 - quinta
16h - O REALISMO SOCIALISTA - Raúl Ruiz (Chile, 52 min, 1973, fic/doc)
AGARRANDO PUEBLO (OS VAMPIROS DA MISÉRIA) - Carlos Mayolo, Luis Ospina (Colômbia, 28 min, 1978, fic)
18h - ESSE HOMEM VAI MORRER - UM FAROESTE CABOCLO - Emilio Gallo (Brasil, 75 min, 2008, doc)
CONTRA-CORRENTE - Agostina Guala (Argentina, 9 min, 2008, fic)
PARTIDA - Marcelo Martinessi (Paraguai, 14 min, 2008, fic)

Local
Cinema na Fundação J. Nabuco, 201 lugares - Rua Henrique Dias, 609 - Derby,
(81) 3073-6689/6688
Cinema do Parque, 740 lugares - Rua do Hospício, 88 - Boa Vista,
Nota: publicado no Overmundo.

18 outubro 2009

Três poemas para Sepé Tiaraju

Imagem: Brunortiz


Poema I
O GUARANI

Sepé Tiaraju foi um guerreiro
defendeu com a vida o rincão
da caça, da pesca e do plantio
do guarani contra a invasão

Da real história poucos sabem
o que se deu no século dezoito.
Sepé Tiaraju morto em combate
em nome da cultura do seu povo.

Junto a mil e quinhentos guaranis
afirmando que “esta terra já tem dono”.
na luta contra o mal ele morreu

Mas contam lá em São Miguel
quando a noite parece mais pituma
o guerreiro Sepé vira uma estrela


Poema II
ALMAS PEREGRINAS


Entre as histórias mais belas
do Rio Grande do Sul
é impossível esquecer
a canção de amor e morte
de Pulquéria e Tiaraju.

Na antiga São Miguel
com a lua por testemunha
em meio a flores silvestres
onde pousam tantos pássaros
se encontram os amantes.

É um amor tão bonito
que Ñanderu nos faz ver
o que há de mais sagrado
na história de Pulquéria
e o seu amor por Sepé.

Foi na Guerra das Missões
que o amado parente
enfrentou as duras penas
e as lágrimas de Pulquéria
deram luz a uma nascente

Diz a lenda que Pulquéria
no rio ainda se banha
enquanto o guerreiro amado
segue o Cruzeiro do Sul
quando a noite é mais pituma.


Poema III
MULTIPLICANDO A SEMENTE

Foi Sepé Tiaraju
que pela vida ensinou
multiplicou a semente

da resistência indígena
afirmando sem receios
que “Essa terra tem dono”

pois desde que o vento é vento
desde que o céu é céu
desde que o mar é mar

“Essa terra tem dono”
como quer o Grande Espírito
Ñanderu, o Criador.


Graça Graúna, Nordeste do Brasil, 24 de agosto de 2009
Nota: publicado no Overmundo.