Direito Autoral

Desrespeitar os direitos autorais é crime previsto na Lei 9610/98.

31 agosto 2009

Outras histórias


 Noite estrelada de Van Gogh.


Bebeu a angústia do ser
e saiu na tarde quente e vazia
pelas ruas
sem lenço, sem documento
como fez Camões
ou foi Caetano
que também salvou a nado
um violão ao peito?

Bebeu a angústia do ser
na boca molhada
de suor e sexo
seguindo o infinito
neste sopro de adeus


Graça Graúna. Tear da palavra. Belo Horizonte: M.E. Edições Alternativas, 2007, p.7.

30 agosto 2009

Do paladar das palavras

O poeta Anibal na Academia de Letras do Amazonas


Hoje acordei com saudades
de saborear palavras
que vem lá do Amazonas
no versos de um amigo
que lá no céu faz a festa
anjo bom Aníbal Beça


Graça Graúna, Nordeste do Brasil, 30.ago.2009

Nota: em 25 de agosto o dia deu em chuvoso. Saudades do poetamigo Beça

20 agosto 2009

Confirmado: entre os 100 mais votados


Estimados(as) internautas:

estou muito contente com o resultado do juri popular que, no Brasil, coloca o meu Blog entre os 100 mais votados na categoria Cultura. Não tenho palavras para agradecer a atenção de todos(as) que arrecadaram uma parte do precioso tempo para votar no meu Blog e compartilhar dos meus escritos.
Que Ñanderu (o Grande Espírito, em guarani)
cubra a todos(as) com o seu manto de luz.
Saudações literárias,
Graça Graúna
Nordeste do Brasil, 20.ago.2009

16 agosto 2009

Prêmio Sepé Tiaraju de Poesia Ibero-Americana



Sepé Tiaraju (-1756) – Herói guarani, de São Miguel (RS), foi morto em combate. Tornou-se figura central na luta contra o Tratado de Madri, que exigia a retirada da população guarani do território que ocupava havia cerca de 150 anos. Defendeu com a vida o rincão de caça, pesca, plantio e morada do povo guarani. Recebeu por isso canonização popular. Costumava dizer “Esta terra tem dono”. Após sua morte foram dizimados 1500 guaranis por espanhóis e portugueses.


Objetivando incentivar e divulgar a literatura concebida nas Línguas Espanhola, Portuguesa e Guarani, a Oca das Letras promove o 1º Prêmio Sepé Tiaraju de Poesia Ibero-Amerícana/2009, instituído pelo seguinte regulamento:
Art. 1º. O 1º Prêmio Sepé Tiaraju de Poesia Ibero-Amerícana/2009 destina-se a todas as pessoas interessadas, desde que as poesias sejam escritas em Língua Portuguesa, Espanhola ou Guarani.
Art. 2º. As inscrições são gratuitas e se encerram no dia 31 de agosto de 2009. Após esta data, os trabalhos serão desconsiderados.
Art. 3º. Os concorrentes poderão participar com 3 (três) poesias, cada uma limitada a 25 (vinte e cinco) linhas de 60 (sessenta) caracteres. As obras inscritas deverão ser inéditas e não podem ter sido premiadas em outro concurso de poesia.
Art. 4º. As inscrições são efetuadas através do sítio eletrônico da Revista Cultural Oca das Letras (link no final desta página).
Art. 5º. Cada concorrente pode realizar apenas 1 (uma) inscrição contendo necessariamente 3 (três) poesias.
Art. 6º. Os resultados serão divulgados no sítio eletrônico da Revista Oca das Letras (http://www.ocadasletras.com.br), pela mídia e individualmente (via e-mail) a todos os participantes, no dia 15 de outubro de 2009.
Art. 7º. A comissão julgadora será composta por 5 (cinco) membros de reconhecido nível intelectual, sendo sua decisão soberana e irrecorrível. A comissão julgadora pode conceder menções honrosas.
Art. 8º. Premiação:
1º lugar:
- Troféu Sepé Tiaraju, confeccionado por Guaranis;
- Certificado de participação constando a referida classificação;
- Publicação de um livro de poesias, de aproximadamente 50 (cinqüenta) páginas. O autor receberá 20 (vinte) exemplares, a título de cedência de direitos autorais para esta edição específica;
- 2 (dois) exemplares do livro “Antologia do 1º Prêmio Sepé Tiaraju de Poesia/2009”, contendo 3 (três) poesias de cada autor premiado (até o 20º colocado), a título de cedência de direitos autorais para esta edição específica;
- Publicação de 5 (cinco) poesias na edição de novembro/2009 da Revista Oca das Letras.
2º ao 20º lugar
- Certificado de participação constando a referida classificação;
- 2 (dois) exemplares do livro “Antologia do 1º Prêmio Sepé Tiaraju de Poesia/2009”, contendo 3 (três) poesias de cada autor premiado, a título de cedência de direitos autorais para esta edição específica;
- Publicação de 1 (uma) poesia na edição de novembro/2009 da Revista Oca das Letras.
Parágrafo 1º: A Comissão Julgadora poderá conceder Menção Honrosa para um ou mais trabalhos, se assim julgar pertinente, dando direito a certificado e publicação.
Parágrafo 2º: Ao autor não caberá nenhum tipo de indenização ou pagamento de qualquer espécie, por parte da Revista Oca das Letras e da editora responsável, na publicação de seu trabalho.
Art. 9º. O encaminhamento dos trabalhos na forma prevista neste regulamento implica na concordância plena com as disposições nele consignadas.
Art. 10º. Casos omissos serão resolvidos pela Comissão Organizadora.
>> Clique aqui e inscreva suas poesias <<
O prêmio contempla poesia concebida nas Línguas Português, Español e Guarani. Como premiação, além de uma antologia poética contendo três poesias de cada um dos 20 primeiros colocados, também será publicado um livro depoesias do autor vencedor.inscrições gratuitas, até 31 de agosto de 2009, através da página:


mais informações:

11 agosto 2009

Ao Bukowski, com carinho.


Minha pequena homenagem em 16 de agosto, quando ele faria 89 anos.


***
Graça Graúna, Nordeste do Brasil, 11 de agosto de 2009.

04 agosto 2009

Cênica

Para: Chico Buarque, Elis Regina e Helena Parente Cunha.


PRIMEIRO ATO
Ele praguejava tanto...
_ Faça isto, faça aquilo!
Não me interessa
o que você pensa
o que você quer
o que você sonha!

SEGUNDO ATO
Arrastando a cruz
em seu silêncio’
“ela não consegue despregar
nenhum sorriso”.

TERCEIRO ATO
Quebrado o encanto
ouve-se uma voz:
_ Não chores tanto.
Ter consciência
dos próprios direitos
é mirar-se no espelho
de marias e liliths
soltar a voz
juntar os cacos
e, se possível, reconhecer
a identitária chama.

ÚLTIMA CENA
Vestida de coragem
ela soltou a voz
dançou a valsa da cidade
e seguiu pela vida
em sintonia com o tempo.

Graça Graúna. Cênica. In: Antologia talento delas. São Paulo: Rebra Selo Editorial, 2007, p. 64-66.


Nota: publicado no Overmundo.

30 julho 2009

Selo Blog de Ouro





Recebi este selo da poetamiga Márcia Sanchez Luz.
Querida Márcia, grata por mais um presente.
Para compartilhar, vamos às regras...
1. Exiba a imagem do selo “Blog de Ouro”;
2. Poste o link do blog de quem te indicou;
3. Indique 5 blogs de sua preferência;
4. Avise seus indicados;
5. Publique as regras;
6. Confira se os blogs indicados repassaram o selo.
Eis os meus indicados:

27 julho 2009

Tessituras

Ponte de Arles, de Vincent Van Gogh


Ser todo coração
enquanto houver poesia:
essa ponte entre mundos apartados


Graça Graúna. Tessituras da terra. Belo Horizonte: M.E. Edições Alternativas, 2001, p.31.

26 julho 2009

Quase hai-kai V

Imagem: Interior, de Henri Matisse

Traspassa o eterno
circuito da vida
na janela do poema


Graça Graúna. Tessituras da terra. Belo Horizonte: M.E. Edições Alternativas, 2001, p. 33.

15 julho 2009

Reverso do cárcere

Imagem: Google


para Osman Lins

Na alta madrugada
o coro entoava
estamos todos aqui
no ofício de ser
criador
criatura
traçando, tecendo
das circunstâncias
vertentes.
Assim, torno a ver
no reverso do cárcere
o lado negro e cru
do ofício de escrever


Graça Graúna. Tessituras da terra. Belo Horizonte: M.E. Edições Alternativas, 2001, p.36.
Nota: poema publicado no Overmundo.

08 julho 2009

Estações

Desenho: Labels

O terraço da casa da velha senhora
parecia uma estação de primavera.
Faz tanto tempo...!

Cadeiras de balanço
barcos de papel, velocípedes
jarros de cacto e jasmins
encantos aos pares:
quantos sóis, quantas luas
e um punhado de estrelas.
Coisas da vida
que iluminam a alma
para manter o equilíbrio do planeta.

“...tempo de verão fazia poeira...”
os sonhos se multiplicaram
e o flamboiã ganhou tamanho
igual ao pé de feijão
(quase tocando o céu)
em meio a uma infinda
ciranda de fantasias.

Brotava uma luz
no rosto da velha senhora.
Agora,
as folhas de outono
cobrem o terraço de silêncio.


Graça Graúna. Estações. In: Terra Latina: antologia internacional. Curitiba/PR: Editora Zeni Leal /Abrali, 2005, p.124.

01 julho 2009

Mercedes Sosa: voz da América sonhada

"...todo sangue pode ser canção no vento"

ela Mostrou-se  na canção 
ofErecendo a todos 
o seu coRação. 
Na sua voz o Brasil, Peru, Chile, Argentina, Bolívia 
porquE o seu canto é 
Da América sonhada 
E para sempre 
Será 
a canção de todoS 
a cançãO 
com todos Mercedes Sosa, 
grande pássaro da América Latina


Descendente dos índios diaguitas e de franceses, Aydée Mercedes Sosa veio ao mundo no dia 9 de julho de 1935, em Tucumán, província do norte argentino. Diz o Jornal “A Nova Democracia”, que ela cresceu num lar humilde e aprendeu a amar as expressões artísticas populares da sua terra; desde cedo, ela começou a trabalhar como professora de dança e cantos nativos. Para Mercedes Sosa, voz da América sonhada, esta minha pequena homenagem pelo dia do seu aniversário. O seu cantar representa também a nossa identidade, a nossa ânsia de liberdade, justiça, direitos para o povo e esperança na América Latina. Graça Graúna, Nordeste do Brasil, 1 de julho de 2009.

30 junho 2009

Santificado nome gravado nos girassóis

Girassóis, de Vincent Van Gogh


Pai-nosso que estais no céu, e sois nossa Mãe na Terra, amorosa orgia trinitária, criador da aurora boreal e dos olhos enamorados que enternecem o coração, Senhor avesso ao moralismo desvirtuado e guia da trilha peregrina das formigas do meu jardim,

Santificado seja o vosso nome gravado nos girassóis de imensos olhos de ouro, no enlaço do abraço e no sorriso cúmplice, nas partículas elementares e na candura da avó ao servir sopa,

Venha a nós o vosso Reino para saciar-nos a fome de beleza e semear partilha onde há acúmulo, alegria onde irrompeu a dor, gosto de festa onde campeia desolação,

Seja feita a vossa vontade nas sendas desgovernadas de nossos passos, nos rios profundos de nossas intuições, no voo suave das garças e no beijo voraz dos amantes, na respiração ofegante dos aflitos e na fúria dos ventos subvertidos em furacões,

Assim na Terra como no céu, e também no âmago da matéria escura e na garganta abissal dos buracos negros, no grito inaudível da mulher aguilhoada e no próximo encarado como dessemelhante, nos arsenais da hipocrisia e nos cárceres que congelam vidas.

O pão nosso de cada dia nos dai hoje, e também o vinho inebriante da mística alucinada, a coragem de dizer não ao próprio ego, o domínio vagabundo do tempo, o cuidado dos deserdados e o destemor dos profetas,

Perdoai as nossas ofensas e dívidas, a altivez da razão e a acidez da língua, a cobiça desmesurada e a máscara a encobrir-nos a identidade, a indiferença ofensiva e a reverencial bajulação, a cegueira perante o horizonte despido de futuro e a inércia que nos impede fazê-lo melhor,

Assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido e aos nossos devedores, aos que nos esgarçam o orgulho e imprimem inveja em nossa tristeza de não possuir o bem alheio, e a quem, alheio à nossa suposta importância, fecha-se à inconveniente intromissão,

E não nos deixeis cair em tentação frente ao porte suntuoso dos tigres de nossas cavernas interiores, às serpentes atentas às nossas indecisões, aos abutres predadores da ética,

Mas livrai-nos do mal, do desalento, da desesperança, do ego inflado e da vanglória insensata, da dessolidariedade e da flacidez do caráter, da noite desenluada de sonhos e da obesidade de convicções inconsúteis,
Amemos.


Texto/Oração de Frei Betto - autor de "Diário de Fernando - nos cárceres da ditadura militar brasileira", Editora Rocco.