Direito Autoral

Desrespeitar os direitos autorais é crime previsto na Lei 9610/98.

30 setembro 2008

Café com Poesia II


VENHA SABOREAR ESSE "CAFÉ" POÉTICO CONOSCO.


CONVITE

O SESC GARANHUNS, através da Atividade Cultura, tem a honra de convidar V.Sa., digníssima família e amigos, para prestigiarem ao Projeto “Café com Poesia”. O projeto contará com a presença ilustre da conceituada escritora e professora universitária Graça Graúna. Desta vez a intervenção musical ficará por conta do talentoso músico Léo Noronha que interpretará belíssimas canções de nossa MPB em sintonia com o painel temático -
O SER E O TEMPO DA POESIA EM GRAÇA GRAÚNA ”.


 Escrevivência

"Ao escrever,
dou conta da ancestralidade;
do caminho de volta,
do meu lugar no mundo"
(Graça Graúna)


SERVIÇO
PROJETO CAFÉ COM POESIA
DIA: Terça-feira 30 de setembro
HORA: 19h e 30 min
LOCAL: Salão de eventos Jaime Pincho

Entrada Franca!

21 setembro 2008

marGARIdas

Gari, foto da Internet.



Nem todas as flores
vivem gloriosamente em flor.
Uma delas sobrevive
catando os nossos restos
juntando os nossos pedaços
do playground à lixeira

marGARIda-amarela
marGARIda-do-campo
marGARIda-sem-terra
marGARIda-rasteira
marGARIda-sem-teto
marGARIda-menor

pela terra mais garrida
de maio a maio arrastando
o seu carrinho de GARI.

Catando os nossos restos
juntando os nossos pedaços
vai e vem uma marGARIda
brotar no seu jardim


Graça Graúna. Tessituras da Terra. Belo Horizonte: M.E Edições Alternativas, 2001, p.45 (prefácio de Wilmar Silva).

Nota: no site Overmundo, este poema recebeu 253 votos.

16 setembro 2008

Escritos

Tela: Os amantes, de Nicoletta. Imagem na Internet


...se me ponho a juntar
escritos de gozos
raízes de abraços
bem sei:
não é apenas saudade
ou mesmo lembranças
a dor que me cerca
é algo mais forte
que o tempo da distância
não alivia, nem basta

Graça Graúna. Tessituras da Tera. Belo Horizonte: M.E. Edições Alternativas, 2001, p. 35 [Editado por Tânia Diniz].
Nota: no site Overmundo, este poema recebeu 211 votos.

09 setembro 2008

Serra do Mar



A história foi se formando na paisagem:

nem poluição
nem violência nas ruas

nem jogos sofisticados
nem roupas de grife

barulho nenhum de automóveis
só a voracidade do vento passando por lá



Graça Graúna. Tessituras da terra. Belo Horizonte: M.E. Edições Alternativas, 2001, p. 40.



Nota:

“As migrações dos Guarani Mbyá, em direção ao mar, estão ligadas à procura da Terra sem Mal. Eles buscam a terra prometida (Yvi Mara Ey) neste mundo ou em um paraíso mítico além da Terra. Para os índios Guarani de Bracuí, há três possibilidades para a identificação deste local: depois do mar, no céu ou no Paraguai (centro da terra). O mar ocupa um lugar central na tradição Mbyá. Ao mesmo tempo que ele é um obstáculo para o Guarani transpor e atingir o paraíso – o ponto de chegada-, é , nas suas proximidades, que o destino desse povo pode se realizar. A predileção dos Guarani Mbyá pela Serra do Mar – ao invés da orla, como os antigos Tupi – adquire uma significação especial para esses índios devido ao mito de origem da terra. Ela é o dique do mar (Centro de Documentação Eloy Ferreira da Silva).
No site Overmundo, este poema recebeu 215 votos.

11 agosto 2008

Quase-haikai II



À beira mágoa
oculta face da lua.
Lorca: vértice do grito.


Graça Graúna. Hai kais. In: Canto Mestizo. Maricá/RJ: Blocos Edtora, 1999.

04 agosto 2008

Quase-haikai I

Espantalho, de Portinari


1.
Braços para o infinito
o espantalho subverte
a ferocidade do mundo

2.
Entre o sono e a vigília
o canto da cigarra
inunda o sertão

3.
Noctívaga dor-em-dor
pouso na árvore do mundo
clandestina

4.
Porque és pedra
o que dirá a poesia
sem a tua presença?

5.
Dias de sol
distendo as velhas asas
num hai kai latino


Graça Graúna. Hai kais. In: Canto Mestizo, 1ª parte. Maricá/RJ: Blocos, 1999, p. 17-21.

28 julho 2008

Elegia do amor maduro

O beijo, de Klimt



Quando o tempo do silêncio
assentar em nossos corações
a pedra do esquecimento
já não seremos aquela árvore vibrante
nem gozaremos com as vorazes cataratas
ao rumor da vida.

Quando ese tempo chegar
é certo que chorarei
sobre os restos mortais
do nosso verso-reverso.
É certo que chorarei
Sobre o nosso sudário.

Quando esse tempo chegar
a Paz e a Liberdade
de certo perguntarão:
– Vorazes cataratas ao rumor da vida,
sabedes nova do meu amado?
Sabedes nova do meu amigo?


Graça Graúna
Nordeste do Brasil, 25.jul.2008, Dia do Escritor

Nota: no site Overmundo, este poema recebeu 269 votos.

25 julho 2008

Quase idílio


  
Foto: Lucypassos


...vontade de ficar numa rede
recitar poesia
corresponder aos teus abraços e mais coisas....

quero ao pé da fogueira
ouvir o velho Gonzaga
e profundamente
amar você

- Ao som dos foguetes lá longe
as árvores rodeando, nos vigiando.

- O frio, a gente conversando, lendo na rede
(eu adoro rede e tenho uma que uso para ler)
uma rede para nós dois
nosso leito nupcial

Ao pé da fogueira, tanta coisa!
O licor e o milho
o beijo para dar
o abraço e mais coisas...

uma noite de São João
era uma vez
a festa que ele esperou
e ela também, o ano inteiro.
Num instante, tudo se desfez
e só restou a canção

---- * ----

“Quando eu tinha seis anos
Não pude ver o fim da festa de São João
Porque adormeci” (Bandeira).

Hoje, aos sessent'anos
leio Bandeira
Profundamente


Graça Graúna,
Nordeste do Brasil, 25.jul.2008
Nota: no site Overmundo, este poema foi contemplado com votos.

15 julho 2008

Cumplicidade


Agora e pela hora da minha agonia
louvo Trindade
e Jorge de Lima
cantando
catando
as duras penas


– De onde vem, Solano, esta agonia?
– Vem de longe, minha nega, de muito longe!
De Africamérica sonhada
lá, donde crece la palma
plantada en versos de alma
del hombre José Martí

– De onde vem, Solano, esta agonia?
– Vem de longe, nega!
Do comecinho das coisas,
de muito longe, nega,
muito longe.


Graça Graúna. Cumplicidade, In: Tessituras da Terra. Belo Horizonte: M.E. Edições Alternativas, 2001, p.17.
No site Overmundo, este poema recebeu 189 votos.


100 anos de um poeta negro. Solano Trindade nasceu no bairro de São José (Recife-PE), em 24 de julho de 1908. Filho do sapateiro Manuel Abílio e da quituteira Emerenciana, mais conhecida como Merença. Ele foi pintor, teatrólogo, folclorista, ator e, por excelência, poeta da resistência negra. Em 1936, fundou a Frente Negra Pernambucana e o Centro de Cultura Afro-brasileiro com o objetivo de divulgar intelectuais e artistas negros(as).

Para saber mais, visite a Biblioteca Comunitária Solano Trindade

07 julho 2008

Canto Mestizo



Donde hay una voluntad
hay un camino de espera.
Apesar de las fronteras
las carceles se quebrantan.
Mira! En mi tierra mestiza
un pájaro de América canta!

Canta la Libertad, hermano!
Canta la Libertad!

Canta la fuerza del pueblo
del niño solo en la calle
del campesino y el obrero
hermanos de la Verdad.
La Libertad incendia
tu voz cruzando el aire.

Canta la Libertad, hermano!
Canta la Libertad!


Graça Graúna, Nordeste do Brasil, março de nuvens escuras em 1979, In: Canto Mestizo. Editora Blocos, Maricá/RJ, 1999.
NOTA: há mais de 30 anos fiz este poema em homenagem a Mercedes Sosa e a todos(as) militantes da justiça, da liberdade e da paz na América Latina. Com este poema também homenageio a colombiana e ambientalista Ingred Bettancourt. Paz em Nhande Rú para todos(as).
Nota: no site Overmundo, este poema recebeu 176 votos>

02 julho 2008

Horas-cheias

Foto: dominio público

nossos passos ecoam
em meio ao frêmito de asas
a poesia vem e vai
se alastrando
como quer a natureza:
gruta
sol-ponteiro
cabelos ao vento
o arrepio de corpos
em meio a passarada

(Graça Graúna, Nordeste do Brasil, 2 de julho de 2008)
Nota: no site Overmundo, este poema recebeu 151 votos.

05 junho 2008

A força da imagem-palavra indígena



Da esq. pra dir: Maurício Krenak, Cássio Potiguara, Olívio Jekupé, Bethb Serra (FNLIJ), Daniel Munduruku, Armando Jabuti, Marcio Bororo, eu Graça Graúna e Álvaro Tukano. Foto: Jussara.


Quando vi tantos parentes reunidos no V Encontro de Escritores e Artistas Indígenas, veio a minha mente a idéia de que esse V Encontro sintetizou nossas vozes e angústias acumuladas há mais de 500 anos.


Li o emociante depoimento do parente Cássio Potiguara (O encanto da palavra na terra da Kari - Oca) acerca do V Encontro de Escritores e Artistas Indígenas, em terras cariocas. Acho que ele conseguiu sintetizar o sentimento de todos que participaram desse grande acontecimento. Muito importante, sim, e que não poderia ser diferente, pois contando com as boas energias de líderanças indígenas, o nosso V Encontro ultrapassou as expectativas. Tivemos para nos guiar, a força da imagem e da palavra dos grandes líderes do Movimento Indígena: Álvaro Tukano, Ailton Krenak, Daniel Munduruku e Eliane Potiguara e de todos os nossos ancestrais que se fizeram presente para fortalecer nosso espírito em prol do bom andamento do Encontro.
Não esquecerei dos sagrados momentos que todos(as) tivemos durante as quatro mesas-redonda: na manhã da quarta-feira nos deleitamos "Em um mundo habitado por Espíritos", com a participação de Álvaro Tukano, Daniel Munduruku e Ailton Krenak.
Na seqüência, a palavra germinando em poesia e contação de histórias "Em um mundo formado por Palavras e Deusas", teve a participação de Marina, Rosa, Eliane Potiguara, Graça Graúna e Aurilene Tabajara.
No período da tarde, o universo masculino mostrou também sua sabedoria e arte "Em um mundo repleto de Sons e Imagens", com Cristino Wapixaa, Marcio Bororo (música), Wasiry Guará (letra e grafismo), Elias Maraguá (grafismo), Xohã Carajá (grafismo) e Cleomar Umutina (grafismo). Na mesa "A Palavra virou Letra”, a grande participação de Cássio Potiguara, Getúlio Wapixana, Luciano Umutina (teatro) Olívio Jekupé e Daniel Munduruku.
Quando vi tantos parentes reunidos no V Encontro de Escritores e Artistas Indígenas, veio a minha mente a idéia de que esse V Encontro sintetizou nossas vozes e angústias acumuladas há mais de 500 anos; por isso mesmo, foi natural a nossa ansiedade de querer mostrar tudo ou quase tudo que inquietava o nosso espírito e por isso mesmo, antes da abertura do evento, o Daniel Munduruku, Álvaro Tukano, Ailton Krenak e Olívio Jekupé abriram o evento com uma cerimônia que culminou com a participação de dezenas e dezenas de pessoas que fizeram um grande circulo em volta da fonte e do jardim no pátio interno do MAM. Foi preciso vibrar os maracás para equilíbrio do encontro e do planeta.
À noite da quarta feira, o nosso grupo liderado por Álvaro Tukano, Ailton Krenak, Daniel Munduruku e Eliane Potiguara participou do I encontro da UERJ com Escritores Indígenas, encontro este coordenado pelo Prof. José R. Bessa Freire, integrante da lista de Literatura Indígena.
Esta é apenas uma pequena parte da história, pois o V Encontro de Escritores e Artistas Indígenas não ficou restrito ao 10º Seminário da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil; tivemos outros momentos sob a generosidade de Beth Serra – responsável pelo sucesso do 10º seminário da FNLIJ. Tivemos muitas atividades paralelas e a esse respeito voltaremos a conversar. Paz em Nhande Rú.

Graça Graúna
Nordeste do Brasil, 9 de junho de 2008

24 maio 2008

V Encontro de Escritores Indígenas


A convite do presidente do Inbrapi – Daniel Munduruku - estive no V Encontro de Escritores Indígenas, promovido pelo Instituto Indígena Brasileiro para Propriedade Intelectual – INBRAPI, e realização do Núcleo de Escritores e Artistas Indígenas do Inbrapi – NEArIn, com parceria da Rede GRMIN de Mulheres Indígenas. O evento contou com o seguinte apoio: Instituto C&A, Fundação Ford, Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil – FNLIJ
Entre os dias 25 de maio a 01 de junho de 2008, nos reunimos no Museu de Arte Moderna – MAM e Centro de Acolhida Assunção/Rio de Janeiro/RJ.

19 maio 2008

Pra dizer adeus


...o sol está bonito hoje
e a sua luz até parece ressuscitar
as folhas vermelhas de outono.
Hoje,
à sombra de uma segunda-triste
escrevo uns versos para contrariar o estático.
Aqui,
onde estou agora,
no mar da palavra
vem de longe um barco,
e o barquinho vai ...talvez um barco bêbado...
de longe vem outro barco
vou ao encontro e dou conta:
onde está o meu amor?
Foi só uma aparição
uma vaga impressão...
foi uma vez o amor
e era ainda uma vez.
Grito e o sol vai embora.
Agora, só chove
e na urgência me recolho
a tantos fazeres
porque o dia urge
e o poema também tem pressa
e pede licença pra dizer adeus

Graça Graúna,
Nordeste do Brasil, segunda-feira, 19 de maio 2008
Nota: no site Overmundo, este poema recebeu 177 votos.