
Páginas
Direito Autoral
Desrespeitar os direitos autorais é crime previsto na Lei 9610/98.
25 novembro 2007
19 novembro 2007
Maniçoba: louvando Jesus Menino
Dezembro está chegando e novembro guarda seus finados e dá passagem à luz que anuncia o espírito natalino.
Lá em Maniçoba, no Agreste pernanmbucano, as pessoas desde sempre mostram o zelo que têm pela cultura do lugar; a "Casa das 12 janelas" e o carro de boi na frente dessa casa e um velho pote de água no canto da cozinha são uma prova disso.
As casas são agarradinas nas outras; nos quintais encontramos aquela areia fininha...fininha e meio escura, que as galinhas gostam de ciscar e pôr seus ovos de capoeira.
Poucos lugares no Brasil possem a riqueza que encontramos em Maniçoba: o reizado, o pastoril, as cantorias, a cavalgada da amizade e os leilões de bode pra animar as quermesses da pequena Igreja dão conta de que os capoeirenses (de Capoeiras-PE), os maniçobenses são atuantes e festejam também com muita alegria o Dia de São José, e acreditem! O bom Padre de lá, ainda usa aquele tipo de batina que a gente só vê impregnada nas imagens do "Padim Ciço". Eita, Maniçoba! Eita Lugar arretado!
Guardo boa lembrança do convite de Agostinho Jessé, um dos agitadores culturais do lugar. O desafio foi fazer um estandarte para o Pastoril, em homenagem ao Jesus Menino. Dito e feito: numa tarde de sábado e varando o domingo em Recife, minha mãe Noemia, minha irmã Brasília Morena e eu tecemos o estandarte azul e encanardo para mostrar também o nosso amor às raizes nordestinas.
Assim, acanhadamente, deixo minha saudação à Karina Calado que é também uma agitadora cultural. Nesse ritmo, vai um pouquinho dos meus versos:
Karina poetamiga
quisera ter a grandeza
tecida nos versos seus.
Assim mesmo, ofereço
ao povo de Maniçoba
com afeto os versos meus.
Não esquecerei o dia
em que um amigo me deu
a grande oportunidade
de conhecer Maniçoba
e fazer um estandarte
pra louvar o Menino Deus
(Graça Graúna, Nordeste do Brasil, 19.nov.2007)
quisera ter a grandeza
tecida nos versos seus.
Assim mesmo, ofereço
ao povo de Maniçoba
com afeto os versos meus.
Não esquecerei o dia
em que um amigo me deu
a grande oportunidade
de conhecer Maniçoba
e fazer um estandarte
pra louvar o Menino Deus
(Graça Graúna, Nordeste do Brasil, 19.nov.2007)
Crédito: a foto é de Agostinho Jessé e segurando o estandarte; da esquerda para direita, Karina e sua irmã Carol. Para saber mais, visite o blog de Maniçoba.
13 novembro 2007
01 novembro 2007
Margens
Imagem: Zipnet
IA poesia tem gosto de sal
e me faz chorar
pelas ruas de Recife
de Espinhara e Ascenso
de Alberto Cunha Melo
de Mauro Mota e Bandeira
II
...está inscrita a inquietude.
E tão logo amanhece
me embriago da poesia que exala das pontes
do cheiro de terra que fura o asfalto
das ruas do Recife
onde passam maracutus
e cresce a saudade do poeta França.
Rapsódia
ao poeta Walter Ramos
o tempo
a lembrança
a dimensão da poesia
e uma súbita emoção
no olhar em volta da nação
o tempo
a lembrança
a dimensão da poesia
e uma súbita emoção
no olhar em volta da nação
Toques*
*ao poeta Halves
o
encanto
de saber e amar
está na liberdade de cada avuante
poder expressar o avesso do canto
o
encanto
de saber e amar
está na liberdade de cada avuante
poder expressar o avesso do canto
28 outubro 2007
Sarau
Nesse livro, um dos poemas é dedicado à Florbela Espanca:
Escritura ferida
Atiram mil pedras
na charneca em flor.
Ossos do ofício:
no mais fundo do poço
retirar o poema
encharcado de mágoas
23 outubro 2007
Da Serra dos Ventos para as nossas estantes
É muito gratificante para uma educadora reconhecer as marcas de sua teimosia, de suas exigências, dos ideais libertários, do respeito às diferenças; especialmente as marcas do direito de sonhar que passam a fazer parte da vida de alunos(as) e ou de ex-alunos(as), sobretudo quando enveredam pelo difícil, porém gratificante, caminho das Letras.
Porque é difícil o caminho, nunca é demais saudar os nomes que habitam as nossas estantes e que são parte de nossa alma: João Cabral, Drummond, Cecília Meireles, Quintana, Bandeira, Leminsk, França de Recife, Roland Barthes, Cervantes, Camões, Lorca, Umberto Eco, Alberto Manguel, Cloves Marques e uma infinidade de argilas pensantes que influenciam no jeito de ser e de viver.
Com licença, saúdo um nome que vem lá da Serra dos Ventos: um lugar encravado em Belo Jardim, Pernambuco, Nordeste do Brasil. Trata-se de Robervânio Luciano: um leitor atento, um guardador de sonhos que, em março de 2006, compartilhou de minhas reflexões sobre “hai kais” no Curso de Pós-Graduação em Língua Portuguesa e suas Literaturas, junto à Universidade de Pernambuco (UPE) Campus de Garanhuns e à Faculdade de Belo Jardim (FABEJA).
Numa conversa informal, nos intervalos das aulas, sugeri algumas leituras; a começar pelo mestre Bashô. Na ocasião, eu estava relendo (no original) 365 haicais de sol e chuva, do haijin Cloves Marques. Não conversamos sobre a vida do poeta, mas como o poeta fala da vida; de como o leitor também pode ser um grande observador (e por que não dizer, guardador do tempo?) a tal ponto, que 365 dias não bastem para falar de poesia, história, desigualdades sociais, morte, vida, direitos humanos, cidadania, identidade...Eis alguns exemplos da poética de Cloves Marques:
Bem a luz do dia,
a fome assalta o homem.
A justiça espia.
Uma cuia d’água
à sombra do umbuzeiro,
o sol tudo espreita
Olhares-lamentos.
Ah! A boca da caatinga
come os pensamentos
Sim, pescar siri
no mangue, com Deus por todos,
cada um por si.
Um canto pungente.
O caçador viu o ninho,
visão inclemente.
Ribaçã à venda.
Na feira do tira-gosto
mera encomenda.
O riacho vai
com recados para o rio,
ao mar, um haicai.
Então, foi desse modo que surgiu um quase-roteiro que ora se transforma em importante contribuição de Robervânio à pesquisa literária; um estudo da literatura nordestina metamorfoseada em “hai-kais”. Por isso, cabe enfatizar que é, para mim, um prazer renovado o ato de refletir o ser e a poesia (de sol e chuva) em Cloves Marques.
Graça Graúna
Nordeste do Brasil
Bem a luz do dia,
a fome assalta o homem.
A justiça espia.
Uma cuia d’água
à sombra do umbuzeiro,
o sol tudo espreita
Olhares-lamentos.
Ah! A boca da caatinga
come os pensamentos
Sim, pescar siri
no mangue, com Deus por todos,
cada um por si.
Um canto pungente.
O caçador viu o ninho,
visão inclemente.
Ribaçã à venda.
Na feira do tira-gosto
mera encomenda.
O riacho vai
com recados para o rio,
ao mar, um haicai.
Então, foi desse modo que surgiu um quase-roteiro que ora se transforma em importante contribuição de Robervânio à pesquisa literária; um estudo da literatura nordestina metamorfoseada em “hai-kais”. Por isso, cabe enfatizar que é, para mim, um prazer renovado o ato de refletir o ser e a poesia (de sol e chuva) em Cloves Marques.
Graça Graúna
Nordeste do Brasil
16 outubro 2007
14 outubro 2007
Canción peregrina*
Foto: Graça Graúna
IYo canto el dolor
desde el exilio
tejendo un collar
de muchas historias
y diferentes etnias
II
Em cada parto
y canción de partida,
a la Madre-Tierra pido refugio
al Hermano-Sol más energia
y a la Luna-Hermana
pido permiso (poético)
a fin de calentar tambores
y tecer un collar
de muchas historias
y diferentes etnias.
III
Las piedras de mi collar
son historia y memória
del flujo del espírito
de montañas y riachos
de lagos y cordilleras
de hermanos y hermanas
en los desiertos de la ciudad
o en el seno de las florestas.
IV
Son las piedras de mi collar
y los colores de mis guias:
amarillo
rojo
branco
y negro
de Norte a Sur
de Este a Oeste
de Ameríndia o Latinoamérica
povos excluidos.
V
Yo tengo un collar
de muchas historias
y diferentes etnias.
Se no lo reconocem, paciência.
Nosotros habemos de continuar
gritando
la angustia acumulada
hace más de 500 años.
VI
Y se nos largaren al viento?
Yo no temeré,
nosotros no temeremos.
Si! Antes del exílio
nuestro Hermano-Viento
conduce nuestras alas
al sagrado circulo
donde el amalgama del saber
de viejos y niños
hace eco en los suenos
de los excluidos.
VII
Yo tengo un collar
de muchas historias
y diferentes etnias.
*um poema do livro Tear da Palavra, de Graça Graúna.
Nota: no site Overmundo, este poema recebeu 152 votos
12 outubro 2007
09 outubro 2007
Horas-cheias

nossos passos ecoam
no frêmito de asas
a poesia vem e vai
se alastrando
como quer a natureza:
gruta
sol-ponteiro
arrepio de corpos
em meio a passarada
(Graça Graúna)
Nota: no site Overmundo, este poema recebeu 151 votos.
02 outubro 2007
Legado

A grande lua de fogo
revelou a sua face agréstia
e, vagarosamente, foi indo...
gravitando na incandescência
A grande lua de fogo
trouxe um véu de estrelas;
veio com o vento da noite
e não espantou a neblina.
Na agrestidade do ser
cavamos os sonhos
contra a desesperança
que circunda as nossas vidas
Nordeste do Brasil, set. 2006
Graça Graúna
Nota: no site Overmundo, este poema recebeu 200 votos.
Assinar:
Postagens (Atom)




