Direito Autoral

Desrespeitar os direitos autorais é crime previsto na Lei 9610/98.

25 abril 2008

Origami e poesia pela Paz

O texto abaixo foi enviado por Clevane Pessoa (uma poetamiga) aos milantes da Paz. Tania Diniz e demais poetas do grupo Mulheres Emergentes, Leila Miccolis, Clevane Pessoa e outros(as) estão envolvidas neste projeto. Divulgue! Participe!

Árvore da Paz: sexta feira-25 de abril, BH-MG
A Paz deve ser parte imprescindível do processo educativo.Amanhã, os Poetas pela PAZ e pela Poesia, estarão no centro Cultural S.Bernardo, no Bairro de mesmo nome, em Belo Horizonte, capital do Estado de MG, para declamarem poemas e os pendurarem em uma árvore.Marilza Máximo, funcionária que mantém oficinas de artesanato e origamis, preparou sua turminha e a cada poema declamada, um poema será colocado ná árvore, com um origami. Esperamos que dois rapazes que foram alunos de Teatro de fernando Fabrini e andam em pernas de pau, possam estar lá,para alcançar os galhos mais altos.Aliás, se você desenvolveu essa habilidade, esteja lá, para compartilhar conosco desse momento.Na ocasião, contarei a história da pré-adolescente Sadako Sassaki, vítima da bomba atômica lançada sobre Hiroshima e que fazia origamis de grous, ave sagrada, escrevendo a palavra PAZ em suas asas.Marilda terá ensinado às crianças a dobrarem os "tsurus"- e os adultos que quiserem também poderão aprender.Outras atividades serão realizadas, farei dinãmicas e relaxamentos.Esperamos sua preciosa presença.se puder estar conosco das 15 às 16:30 horas.também leremos e penduraremos poemas impressos no tema da Paz, que foram graciosamente oferecidos pela Gráfica e Editora "O Lutador",para o evento PAZ e Poesia", que no dia 30/03/2008, reuniu poetas .Foram distribuídos 152 mil poemas e 1200 livros.O endereço do Centro Cultural S.Bernardo,que conta ainda com salão de exposições (onde está a dos posteres virtuais de Marco Llobus, Hus Manus), auditório, salas de aula , biblioteca, pátio:Rua Edna Quintel 320São BernardoZona 0 Tel:3277 7416 http://br.mc508.mail.yahoo.com/mc/compose?to=e-mail%3Accsb@pbh.gov.br A imagem, enviada por Telma Aparecida Souza, tem , no corpo, a-palavra Paz escrita em vários idiomas.Agradeço o envio.Desconheço os créditos.Se alguém souber, mande-me, por favor.

20 abril 2008

Seminário de Direitos Humanos

De: José Antonio Féres Medina
Enviada em: terça-feira, 15 de abril de 2008 14:17
Para: 'ggrauna@yahoo.com.br'

Assunto: Seminário

Prezados Senhores e Senhoras Coordenadores dos Projetos de Fortalecimento dos CEEDH


De ordem do Coordenador – Geral de Educação em DH informo que estamos planejando par aos dias 15 e 16 de maio próximo um seminário, objetivando sociabilizar e elaborar uma proposta que permita acompanhar e monitorar os projetos de fortalecimentos dos CEEDH – 2007, conveniados com esta SEDH.
Nesse sentido, consulto aos Senhores (as) se todos já estão aptos para utilizar os recursos, previstos no próprio projeto , para o custeio de deslocamento e estada, nesta cidade, dos Coordenadores dos projetos e de um representante dos CEEDH respectivo.
Nesse seminário planejamos que cada coordenador apresente as ações que já estão previstas, situação atual dos comitês estaduais, dificuldades encontradas e entrega de todo material didático elaborado até o presente momento, considerando o projeto anterior, entre outros.
Ainda nesta semana enviaremos correspondência a todos com a programação do seminário, de forma detalhada, e porventura com a inclusão de suas considerações e sugestões nessa programação.

Atenciosamente,

José Antonio Féres Medina
Coordenação-Geral de Educação em Direitos Humanos
Secretaria Especial dos Direitos Humanos

12 abril 2008

O ser e a poesia

Quixotesca:
o ser da poesia
sobrevivente da luta
contra os moinhos.

31 março 2008

ME: Fênix da poesia invencível


A história da literatura escrita por mulheres no Brasil parece uma verdadeira colcha de retalhos: alguns de feição belorizontina, outros de matiz nordestina, outra parte vinda do Sul, Sudeste e do Centro Oeste e de muitos lugares, também fora do Brasil.
Com este espírito surgiu em Belo Horizonte (MG), no ano de 1989, o movimento de mulheres escritoras; movimento este liderado por Tânia Diniz: poeta, contista, editora e responsável pela criação do Mural Poético Mulheres Emergentes – o sensual em cartaz – ou M.E, como é conhecido no meio literário, especialmente no campo das chamadas edições alternativas.
Rompendo cerco da ausência de patrocínio para publicar com poesia e tenacidade cada edição com tiragem de mil exemplares, o M.E configura um espaço aberto; um lugar de diálogo, um espaço pioneiro onde autoras e autores são publicados, especialmente pela qualidade literária, como diz a própria editora Tânia Diniz. Entre os autores convidados, destaca-se Carlos Nejar: poeta, ficcionista, critico, membro da Academia Brasileira de Letras e natural do Rio Grande do Sul. Com o Suplemento Especial do M.E, número 27, de 1996, os(as) leitores(as) de Mulheres Emergentes conhecem o talento de Nejar com alguns de seus poemas extraídos da obra Elza dos Pássaros ou a ordem dos Planetas.
Em sua trajetória, o M.E cumpriu seus objetivos divulgando a poesia em escolas de todos os níveis, em bibliotecas, congressos, feiras, exposições dentro e fora do país, e em dar espaço a poetas novos(as) ao lado de nomes consagrados a exemplo de Antonio Risério (BA) que aparece no suplemento 31, em 1997. No oitavo ano de sua edição, lutando contra a falta de patrocínio, contra preconceitos, falsidades e sabotagens o M.E superou os obstáculos e em 98, o suplemento 32 divulgou o fazer poético de mais quinze colaboradores(as), confirmando os ensinamentos de velho Quintana:

Todos esses que aí estão
atravancando o meu caminho,
eles passarão...
eu passarinho!

Em 1998, o suplemento M.E fala do calor de tantas águas de março e nesse ritmo, a editora Tânia Diniz mostra seu fôlego e resistência que se multiplica em mais mil exemplares do “sensual em cartaz” para refletir o dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, com as contribuições de Marina Colassanti (RJ), Myriam Fraga (BA), Susana Cataneo (Argentina), Carlos António Bengui (Angola), Fábio Weintraub (SP) e, entre outros(as), Luiz Alberto P. Kuchenbecker (PR) autor do seguinte poema:

Beijar você
é no fundo no fundo
bater com a língua nos dentes
botar a boca no mundo


Ainda em 1989, já comemorando seus dez anos, o ME dedica uma edição especial ao haikai ou haicai: um tipo de poema japonês do século XVII que tem em Matsuo Bashô a grande expressão poética do seu tempo. O suplemento 35 traz uma mostra de haikais de autores(as) brasileiros(as) e latinoamericanos, entre os quais: Octavio Paz (México), Victor Sanchez Montenegro (Colômbia) Santiago Risso (Peru), Teruko Oda (SP), Pablo Neruda (Chile), Flavio Herrera (Guatemala), Milor Fernandes (RJ), Yeda Prates Bernis e Wilmar Silva (MG) e haikais japoneses traduzidos por Olga Savary (RJ).
Em seu décimo ano (1999), o M.E fez um tributo ao poeta José Paulo Paes e em meio ao intenso clima poético em Belo Horizonte, com a Bienal Internacional da Poesia, o M.E se multiplicou na exposição dos seus murais pelas estações do metrô da cidade. O suplemento 37 e 38 brindam as mulheres emersas, emergentes ou por emergir; brindam o leitor, a leitora no décimo ano de existência e comemorações, pelo bem do planeta e dos homens, como sugere este fragmento do poema Romance, de Thiago de Melo, no suplemento 38:


[...]
Que te cante a paz no peito
Não é benção para mim,
que perto estou já do fim.
Te quero tanto, que tanto

Dentro de ti me perdi.
Só por sonhar que erga vôo
de pássaro prisioneiro
a luz que lateja em ti.


O M.E inaugura o ano 2000 dedicando seu número 40 ao talento poético da mineira de Cataguases, Maria do Carmo Ferreira - Carminha, com destaque a alguns de seus poemas publicados entre 1969-1999. Ainda no ano 2000, o ME publica o talento dos que participaram do Terceiro Concurso Internacional de Poesia. Em 2001, mais uma vez o ME teve um round perdido e apesar da falta de incentivo conseguiu, assim mesmo, levar ao público cinco números (do 44 ao 48) em um único suplemento, mas “caminhando com orgulho e alegria na tortuosa senda” do fazer poético. Em 2002, ao completar treze anos, o ME mostra-se, mais uma vez, embalado pela espera de que dias melhores virão, e tocado pela irreparável perda de um irmão das letras que virou estrela em 21 de junho daquele mesmo ano: Roberto Drummond, o autor de Hilda Furacão.
Com poemas, contos e ilustrações, a Antologia M.E 18 conta com apresentação de Leila Miccolis (Blocos on-line/RJ) e Constancia Lima Duarte (Ufmg/BH). Na opinião de Leila: “por tantas e todas essas diferenças, Mulheres Emergentes se distingue, se sobressai no panorama cultural do país nesses dezoito anos de atividades, oferecendo a doçura de seus belos frutos e o abrigo de sua frondosa copa à Árvore do Saber”.
O nome Mulheres Emergente é uma alusão ao livro de Natalie Rogers, uma conhecida psicoterapeuta americana; um livro que figurou entre os mais sucedidos na década de oitenta. Para Constância Duarte, a psicoterapeuta acreditava no poder da manifestação artística como parte do processo terapêutico e que sua obra promovia o auto-conhecimento por meio da liberação criativa e emocional. Nesta perspectiva, Constância comenta:

foi bem isso que Tânia Diniz realizou através das edições do ME. Ao estampar – em alto e bom som – tantas promessas literárias, tantas confissões da intimidade, o Mulheres Emergentes consolidou a auto-estima de jovens poetas, e liberou, pela verbalização, muito da sensualidade feminina.

Esta vertente da literatura brasileira chamada Mulheres Emergentes – Edições Alternativas - traduz-se num constante garimpo e trabalho aglutinador que reúne também vozes masculinas que se achegam para cantar o seu lado feminino, “para melhor louvá-las e conviver”. Por tudo isso, Tânia Diniz comemora os dezoito anos de seu mural poético com vários projetos, a exemplo do mais recente que é a Antologia ME 18. Brindemos então à maioridade literária do M.E, aos autores e autoras que fazem parte dessa história: Silvia Anspach, Bárbara Lia, Lúcia Serra, Vera Casa Nova, Teruko Oda, Iara Vieira, Johnny Batista Guimarães, Hugo Pontes, Adão Ventura, Eliane Accioly Fonseca, Graça Graúna e Sandro Starling, entre outros. Na Antologia ME 18, um fato inédito; a presença de três filhas e suas respectivas mães que se juntam no oficio da escrita. Nas palavras de Tânia, trata-se de:

Raquel Naveira e sua Letícia, Elza R. Amaral e sua Beatriz, e eu mesma, Tânia Diniz, e minha amada Ana Carol, a primogênita, que começa a se aventurar nos minicontos. Outra coisa, é o fato de mostrar a diversidade do ME e assim teremos poemas, pequenos contos e ilustrações.E uma amostra mínima , do mapa nacional e internacional, de onde circula nossa poesia ME! Então, maioridade conquistada, um brinde 'a longa estrada que se descortina!

Enquanto eu burilava este artigo, recebi uma comunicação de Tânia Diniz, confirmando que o ME – “o sensual em cartaz” – está no forno; daqui um pouco sai. Claro, o espetáculo deve continuar. Agora, depois da antologia, seguramente, o ME retorna, fênix da poesia invencível, diz Tânia em comunicação pessoal. Assim, caminha a edição alternativa ME e é nesse ritmo que a sua idealizadora mostra tanto entusiasmo, ao ver que essa colcha de retalhos, isto é, que esta vertente da literatura brasileira foi se formando em meio ao desejo de cada autora e de cada autor se fazer presente, de ousar, de mostrar e dizer seus receios por meio da escrita.

Graça Graúna, Nordeste do Brasil

25 março 2008

Da nossa ancestralidade indígena e africana


Ilustração: Brasilia Morena
Esta foi a maneira que encontrei para agradecer ao poeta Geraldo Maia (BA) as suas boas palavras acerca da troca de saberes, fundamental na missão de garantir os direitos pela liberdade de expressão, sempre.
...oh, Nhande Rú, quanta responsabilidade ser mencionada em meio a grandes pensadores, nordestinos, brasileiros, latinos; em meio a grandes nomes de educadores do quilate de Paulo Freire e tantos outros!

...oh, Nhande Rú, não sei mesmo onde e como colocar as palavras que eu preciso, careço dizer e não consigo, tão grande é a minha alegria e tão grande é o medo também que sinto diante dessa responsabilidade estampada na reflexão “Que fronteiras?*”, do poetamigo Geraldo Maia!

...oh Nhande Rú eu sei que sou uma de suas criaturas e no momento tudo que me fica é essa esta vontade enorme de pronunciar os nomes todos que me guiam e que para mim são um mantra, nomes dos meus irmãos e irmãs de luta, nomes que você foi juntando ao meu pra aumentar o circulo da nossa resistência porque todos nós carecemos estar juntos para fazer pulsar os corações, as mentes na luta pela justiça social.

...oh, Nhande Rú é assustador e ao mesmo tempo gratificante ter a possibilidade de abertamente, assim, estampar a alegria que estou sentindo neste momento; um momento que não é só meu, um momento que não é estático porque o que vem de você e de Pacha Mama é algo mais forte do que a mente comum pode imaginar!

...oh Nhande Ru é tão bom ter o privilegio de cantar um mantra tecido em cada nome e sonhos dos meus irmãos e irmãs de diferentes etnias, meus irmãos e irmãs dos cadernos negros, da literatura indígena: Ubiratan Castro, Makota Valdina, Vanda Machado, Mãe Stella, Juvenal Payayá, Katão Pataxó, Fernando Conceição, Jerry Matalawé, Lande Onawale, José Carlos Limeira, Hamiltom Borges, Sérgio São Bernardo, Godi, Wakay, só alguns dos grandes nomes (como diz o Maia), e Abdias Nascimento, Cuti, Oswaldo de Camargo, Eliana Potiguara, Kaká Verá, Olívio Jecupé, Ferréz, Ele Semog, grande Geraldo Maia, Daniel Munduruku, Heitor Kaiová, Ademario Ribeiro,  Esmeralda Ribeiro, Geraldo Potiguar do Nascimento, Gilia Gerling, só alguns dos grandes pensadores da terra, do ar, das águas deste espaço inquietante chamado Brasil e que pode e deve ainda ser tratado dignamente como Pindorama.

...oh, Nhande Rú nde re re! Os nomes que eu não citei, por favor, entenda, estão todos do lado esquerdo do meu peito mas neste instante, tomada pelo contentamento peço por todos aqueles e aquelas que me ajudam a ser como sou; um ser avuante meio perdido nesse universo de alegria e dor. Ai, Nhande Rú nde re re! Gracias a la vida, não mereço tanto.


Graça Graúna, Nordeste do Brasil.


(*)Nota:
QUE FRONTEIRAS?

Autoria: Geraldo Maia

Segundo o grande mestre Paulo Freire "ensinar não é transferir conhecimento, mas criar possibilidades para a suja produção ou a sua construção". Pena que isso ainda não chegou à maioria das escolas e universidades desconectadas da realidade de seu mundo concreto. Na grande maioria de encontros, seminários, colóquios, congressos que pude assistir a maioria dos intelectuais convidados, quase todos doutores e mestres renomados revelaram-se domesticados ao texto do qual buscam apenas a inteligência dos autores sem ambição alguma de tornarem-se sujeitos da compreensão do que lêem, temerosos de arriscarem algo pessoal, criativo e relacionado com o que vem ocorrendo desde a sua própria realidade.
E o pior: a referência maior onde se sentem seguros ainda é a do invasor/colonizador . Vivem no Brasil, mas trazem nos seus discursos apenas a visão e o pensamento do mundo greco-romano, europeu e norte-americano. Tal comportamento fez com que se criasse uma Lei (Lei 10.639/03) obrigando o ensino da história e da cultura africana em todo o país, e mais recentemente a Lei 11.645, de 10 de março de 2008 que inclui o ensino obrigatório da História e Cultura Indígena.
Se não, continuaríamos a ter como único referencial de pensamento filosófico, de visão de mundo, de modo de pensar, sentir, fazer e espiritualizar- se, o modelo eurocêntrico e norteamericanizado. Um claro sintoma disso é o projeto cultural Fronteiras Brasken do Pensamento, que segundo o vice-presidente de Relações Institucionais da Brasken, Marcelo Lira, "proporciona à sociedade baiana a oportunidade de compartilhar idéias e obras de grandes pensadores mundiais" e, segundo ele, ´"é importante para a auto-estima da inteligência baiana".
Mas que fronteiras? Como elevar a auto-estima excluindo a contribuição local? Para cada pensador e artista "mundial" de outras nações, deveria ter pelo menos dois ou três "mundiais" locais. Aí, sim, o intercâmbio, o debate, a troca de saberes, a quebra de fronteiras. Nós somos "mundiais" também. Os grandes pensadores que conheço e que no momento interessam à construção do nosso conhecimento, do nosso pensamento, dos nossos saberes, não moram na europa e nos estados unidos, mas aqui mesmo, na Bahia e no Brasil. E na américa latina. Posso citar alguns deles: Ubiratan Castro, Makota Valdina, Vanda Machado, Mãe Stella, Juvenal Payayá, Katão Pataxó, Fernando Conceição, Jerry Matalawé, Lande Onawale, José Carlos Limeira, Hamiltom Borges, Sérgio São Bernardo, Godi, Wakay, só alguns dos grandes da Bahia, e Abdias Nascimento, Cuti, Oswaldo de Camargo, Eliana Potiguara, Kaká Verá, Olívio Jecupé, Ferréz, Ele Semog, Graça Graúna, só alguns dos grandes pensadores do Brasil.
Nós que vivemos quinhentos anos acachapados pela cultura, pela arte, pela visão de mundo e pelo pensamento europeu e norte-americano, precisamos investir, e muito, no nosso processo de descolonização e afirmação e valorização da nossa ancestralidade indígena e africana. Aí sim se estará contribuindo para elevar a auto-estima da inteligência baiana, mais de oitenta por cento negra e índia.
Geraldo Maia
Poeta e doutor honoris causa pela Uni American Universidade Corporativa das Américas. 71 8219-5934

21 março 2008

Tempo de Páscoa




Revirando os antigos papeis, o meu filho Fabiano encontrou este belo cartão assinado também por Ana e Agnes (minhas filhas). É tempo de Páscoa!

17 março 2008

Antologia ME 18


Cá estou entre as autoras de mais uma antologia organizada por Tania Diniz. O prefácio é da poetamiga Leila Miccolis, co-editora do site Blocos - portal de literatura. O lançamento acontece em Belô - MG.

ana carol / auxiliadora de carvalho lago / andreia donadon leal - mariana, mg / beatriz amaral -sp / brenda mars - brasília, df / clevane pessoa de araújo / conceição parreiras abritta / dagmar braga / débora novaes de castro - sp / djanira pio-sp / daris araújo - m claros-mg / edinéia alves/ eliane accioly fonseca - sp / elizabeth gontijo / elza ramos amaral - sp / france gripp / graça graúna-recife-pe / graça rios / iara alves / ivete walty / karina araújo campos / leticia naveira - sp / liria porto / lívia tucci / lúcia daniel-paris-frança / lúcia serra / maria lourdes hortas-recife - pe / marina silva / micheline lage- timóteo-mg / mônica anspach - sp / nazareth fonseca / neuza ladeira / raquel naveira - sp / regina mello / silvana pagano / silvia anspach-sp / simone neves / stella machado-juiz de fora-mg / tânia diniz / tânia pagano / vera casa nova

11 março 2008

Quilombhoje: três décadas de literatura


CARTA-CONVITE

SEMINÁRIO
CADERNOS NEGROS TRÊS DÉCADAS
LITERATURA, ESCOLA & CULTURA


São Paulo, 27 de fevereiro de 2008


Prezada Escritora e Professora Graça Graúna (Maria das Graças Ferreira)

Em 2007 a série "Cadernos Negros" completou trinta anos de publicação ininterrupta, um marco na história do movimento negro brasileiro, haja vista o pioneirismo e resistência dessa série.

A coletânea já reuniu mais de 100 autores, entre homens e mulheres de todas as partes do Brasil e, no volume lançado mais recentemente, Cadernos Negros número 30, contou, pela primeira vez, com a participação de um escritor de Angola.

E é para celebrar tais conquistas que o Quilombhoje Literatura tem o prazer de convidá-la para participar do seminário "Cadernos Negros Três Décadas – Literatura, Escola & Cultura", que se realizará no dia 15/03/2008, das 9h às 18h.

Este seminário será dirigido a professores, pesquisadores e interessados em geral; e será seguido do evento de lançamento da edição especial "Cadernos Negros Três Décadas". Estamos convidando você para participar do evento como autor do livro.

26 fevereiro 2008

Retratos


O seguinte poema (Retratos) foi publicado na Antologia Retratos (Recife, Edições Bagaço, 2004), organizada pela escritora Elizabeth Siqueira; com ilustrações de Pedro Frederico. Escrevi este poema há muito tempo e sempre o divulgo, quando chega o mês de março; um tempo, como dizem - dedicado à mulher.


Saúdo as minhas irmãs
de suor papel e tinta

fiandeiras
guardiãs
ao tecer o embalo
da rede rubra ou lilás
no mar da palavra
escrita voraz.

Saúdo as minhas irmãs
de suor papel e tinta
fiandeiras
tecelãs
retratos do que sonhamos
retratos do de que plantamos
no tempo em que a nossa voz era só
silêncio

07 fevereiro 2008

Visão cabocla: Quixote rural

Das ondas do mar à Nazaré da Mata (PE), vou tecendo o que me fica dos carnavais; das ruas de Recife às ladeiras de Olinda, o que me fica dos canaviais.

O instante, a cultura, o folguedo misturados ao ofício de escrever. Parece mesmo inevitável não falar do ofício de ser criador-criatura e neste patamar, quem conta e canta mesmo é o Mestre o improviso de suas loas (versos inteligentes) para alegrar os brincantes e as pessoas que vêm de muito longe; vem gente de Portugal e Espanha; de tudo que é lugar, até da Austrália para ver tudo de muito perto, como diz o Mestre.

Em Nazaré da Mata (a 65 km de Recife), conhecida como "Terra do maracatu", 90 agremiações coincidentemente se encontraram para homenagear os 90 anos do Maracatu Cambinda Brasileira (nesse grupo fundado em 1919, o homem aparece fantasiado de mulher, isto é, o cambinda). Na seqüência, vale conferir os 17 maracatus de Nazaré da Mata e as datas de fundação: Leão Formoso (1980), Leão Misterioso (1990), Águia Misteriosa (1991), Leão de Ouro (1995), Cambinda Nova (1995), Leão da Selva (1996), Mirim Sonho de Criança (1997), Piaba Dourada (1999), Leão Africano (1999), Leão Cultural (2000), Águia de Ouro (2001), Estrela Brilhante (2001), Leão Brasileirinho (2002), Leão Nazareno (2002), Coração Nazareno (composto só por mulheres, fundado em 2004), Leão Faceiro (2005) e Leão Dourado (2006).

Lá vem o cortejo do maracatu rural ou maracatu de baque solto como é conhecido na região: a dama da boneca de trança, as damas do bouquê (baianas); babau, burra, caçador, catirina, caboclo de pena, Mateus, porta-bandeira, mestre de toada, contra-mestre, rei, rainha, valete, e caboclo(a) de lança em meio a multidão.

Lá vai ele e sua sombra com um cravo nos dentes; lá vem ela e sua dança no meio da tarde chuvosa. A passos largos, lá vem o cortejo no baque solto. Os lanceiros e as lanceiras abrem alas para proteger esse bailado. Nesse ritmo acontece o encontro no meio da praça de reis e rainhas: Eh.... tu-ma-ra-ca...tu-ma-ra-ca... no ofício de ser caboclo na dança, cabocla de trança, caboclo(a) de lança colorida. Caboclo de lança-palavra que a licença poética me permite chamá-lo de Dom Quixote rural.


Graça Graúna, Região da Mata Norte do Estado de Pernambuco, 04.fev.08.

Nota: no site Overmundo, esta crônica recebeu 161 votos


(*) Foto de Claudio Milfont

29 janeiro 2008

A propósito da moça com o livro

Moça com o livro. Reprodução do Jornal Folha de São Paulo,
em homenagem aos 60 anos do MASP.


Na semana dos 456 anos da cidade de São Paulo, a Folha de São Paulo publicou alguns encartes com reproduções (em papel couchê) de obras que fazem parte do acervo do Museu de Arte de São Paulo (MASP), tais como: o Pobre pescador, de Paul Gaugin; A canoa sobre o Epte, de Claude Monet; A bailarina vista dos bastidores, de Toulouse-Lautrec; O escolar, de Vicent Van Gogh; Rosa e Azul (as gêmeas), de Pierre-Auguste Renoir; Quatro bailarinas em cena, de Edgar Degas; Rochedos em L’Estaque, de Paul Cézanne e Moça com o livro, do brasileiro Almeida Junior.

Um presente e tanto! Uma das reproduções chamou a minha atenção, mais pelo conteúdo; ainda que, na forma, o seu autor não seja considerado moderno. Segundo os estudiosos do assunto, Almeida Junior (1850-1899) desenvolveu a arte de pintar mulheres e livros, destacando também os cabelos curtos das suas personagens; “o que até então no Brasil, eram práticas de estrangeiras ou prostitutas [...] E, mesmo assim, ao retratar a ‘Moça com o livro’ ao ar livre, o artista se aproxima da prática impressionista que ocorria em Paris, no fim do século 19”, como sugere o texto do encarte da Folha de São Paulo (2008).

Passei um bom tempo contemplando a arte de Almeida Junior e fico me perguntando sobre o tempo que se leva para se reconhecer fazendo parte de um universo em que o ato de ler se confunde com amar e viver; crescer e provavelmente morrer de esperar; mergulhar ou abrir novos caminhos como quer a sensualidade do olhar, da boca pintada e da blusa branca decotada que se confunde com as páginas brancas ou escandalosas do livro; assim, como sugere a estreita relação entre a mulher e a literatura na pintura desse paulistano de Itu. Ao estabelecer também o confronto e as relações entre o ser e a leitura, esse artista revela ao mundo sua percepção em torno da condição feminina, para não esquecermos que até 1838 as mulheres eram proibidas de ler e para tanto, elas precisavam de autorização.

A propósito da mulher-leitora na pintura impressionista de Almeida Junior, reitero minhas impressões acerca da condição feminina em um depoimento meu no livro Retratos (antologia poética organizada por Elizabeth Siqueira e Laura Areias), onde relato que somos um feixe de acontecimentos. Desse modo, saudando a moça com o livro,

saúdo as minhas irmãs
de suor papel e tinta
fiandeiras
tecelãs
retratos que sonhamos
retratos que plantamos
no tempo em que a nossa voz era só silêncio


Graça Graúna, Nordeste do Brasil, 30 de janeiro de 2008

27 janeiro 2008

Literatura escrita por mulheres em Pernambuco

O cenário das Letras em Pernambuco conta com a realização de mais um projeto literário (poesia, conto e crônica) organizado por Elizabeth Siqueira (escritora mineira) e por Laura Areias (escritora portuguesa). No primeiro volume (intitulado Retratos) participei com poemas; no terceiro volume (intitulado Vozes: a crônica feminina contemporânea em Pernambuco) apresento a crônica “Memórias do cerrado” que está disponível neste blog, desde outrubro de 2007.

Do volume de Crônicas participam 50 escritoras: Alaide Correia Lima, Ana arraes, Ana Maria César, Ariadne Quintella, Cicí Araújo, Claudia Azambuja, Djanira Silva, Dulcita Brenand, Edna Alcântara, Eleonora Castelar, Elizabeth Antão, Esmeralda Moura, Ester lemos, Eugênia Menezes, Fátima Quintas, Graça Graúna, Graça Melo, Ina melo, Isnar Moura, Laura Areias, Lourdes Nicácio, Lourdes Sarmento, Lúcia Cardoso, Luciene Freitas, Luzilá Gonçalves, Luzinete Laporte, Marcia Basto, Margarida Cantarelli, Maria de Lourdes Hortas, Maria Lúcia Chiappeta, Maria Pereira, Marilena de Castro, Marly Mota, Maryse Cozzi, Nazareht Gouveia, Nelly Carvalho, Neuma Costa, Rejane Gonçalves, Renata Pimentel, Rosa Guerra, Salete Rego Barros, Selma Vasconcelos, Silvana Oriá, Suzette Abreu e Lima, Telma Brilhante, Tereza Halliday, Vera Sato, Virgínia Crisóstomo, Zuyla Cartaxo e Elizabeth Siqueira.
Na apresentação da obra, o escritor Flavio Chaves (Diretor Presidente da Companhia Editora de Pernambuco) observa que "Pernambuco é, de fato, um celeiro de boas profissionais liberais, de operárias, artesãs, artistas plásticas, poetas, cronistas, escritoras, todas elas, porém, não se descuram jamais, do seu papel de guardiãs da família, a sentinela avançada da unidade brasileira" (p.8). Para Lourdes Sarmento, responsável pelo prefácio da referida obra, "as cronistas que participam desta Antologia tendem para relatos memoralistas. Quer seja de acontecimentos das suas cidades de origem, das ruas que marcaram as brincadeiras da infância, os sonhos e descobertas na fase da adolescência ou da idade adulta" (p.12).
Para adquirir essa antologia escrevam para as organizadoras no seguinte endereço: cepecom@cepe.com.br

15 janeiro 2008

Para não esquecer

Todo dia é dia mundial de luta contra a AIDS.
Vale a pena ver este spot
e repassar para os amigos.

10 janeiro 2008

"Nos vãos da poesia"

Fotografia: Graça Graúna


2008 – nada de novo e tudo de novo. Por isso, torno a dizer que eu sou apenas uma aprendiz e enquanto eu estiver nesse mundo, sempre quixotesca, quero fazer como fez Quintana: cavar o infinito, a poesia do mundo ou sair de mãos dadas como quer a poesia drummondiana. Também careço, preciso evocar a estrela de Bandeira e, pela vida inteira, burilar outras canções do beco; compor um acalanto para Jonh Lenon ou simplesmente para Seu João que sobrevive vendendo limão na feira ou quem sabe até fazer uma canção para os pequenos anjos carvoeiros das tardes e para outras crianças que desde cedo aprendem a conhecer sua raiz pernambucana.


Neste instante, em nome das coisas simples dou-me a liberdade de fazer uso da poética de Bandeira: “_ Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples”, ele dizia. Coisa simples, assim, ora doce e amarga que perpassa o olhar daquela mulher invisível tombada entre os detritos da Avenida Conde da Boa Vista, no centro de Recife, como se vê e se sente na força da palavra do poeta Walter Ramos Arruda. Deste mesmo poeta dou conta do açude-assu em seu afago ao meu “Canto Mestizo”; ocorre que em 2007, ele escreveu para mim os versos seguintes que eu guardei como se fora um símbolo de proteção para saudar o ano novo. Por meio do senso poético desse viandante desejo a todos(as) a inquietação necessária para expressar os contrapontos do cotidiano. Desse modo:

Agravo agrado em segredo.
Acuso meu segundo canto,
íntimo como o galo último
avisa à manhã sobre o dia.
Afago nos vãos da poesia
os vôos longos da Graúna.
Plano com as asas já lusas
sobre a água - açude-assu
atento um instinto mestiço,
do caminho até Ivy Marãey.

2008 – Recife continua “a possuir o segredo grande da noite”; pelo menos é o que intuí do testamento poético de Bandeira e da poesia em movimento que perpassa também as conversas que eu tenho com o poeta Cyl Galindo.

Lugar e memória. Passagem, paisagem plural. Ora Recifeliz no alumbramento de uma terça-feira gorda, ora Recifeinfeliz, que mostra também a sua fome numa quarta-feira de cinzas; resífiles de anjos caídos sob os viadutos segredando lágrimas do nascer ao morrer do dia; anjos ora doces e amargos(as); uma multidão de bicho-homem, bicho-mulher, bicho-criança que forma uma constelação de estrelas-cadentes-pedintes a quem dedico este quase-improvisado prólogo no meu livro de crônicas "Lugar e memória"; um título que, na concepção do poeta Antonio Mariano (PB), parece menos comum. Que assim seja, para esquentar os tambores e os maracás; que em 2008 a poesia continue se perguntando: “Tu tás aonde?” na viva voz de Miró, e que revele-se redondamente movida pela esperança de um mundo melhor; ano do Planeta Terra.

Nordeste do Brasil, 10 de janeiro de 2008
Graça Graúna