Fortuna crítico-afetiva


Mui querida, Graça Graúna, tuas asas dão abrigo aos que têm sede e fome de leituras, livros e literatura. Então, havemos de beber em tuas cacimbas, açúdes, fontes, enxurradas... tuas águas são benfasejas e nos refrescam o corpo e nos alimentam a alma. O que vem de você - vem do Alto, do proximal, do semelante: é de Ñanderu que vem, então:
Ejori, kunhã arandu, cy nheen'ga!
Venha, irmã do saber, mãe da palavra!

Postado por Ademario Ribeiro no blog Graça Graúna em Segunda-feira, 21 Junho, 2010

“Nas asas da Graúna vão sonhos e solidão. Voam tristezas e alegrias, tessituras da nossa alma da nossa terra. Poesia cheia de graça!”  (Tânia Diniz, poeta, BH, 2001).
 “Já que a poesia de Graça, a Graúna, a Grauníssima explende na clara alma, vamos ler logo suas graças iluminadas. Assim, clareamos o coração, os corações, ganhando dela a água das sensibilidades. Afinal, vale peregrinar nesse vale, se vêm nos vôos encantados de uma ave as sementes brilhantes numa tessitura em azul”  (Pascoal Motta, poeta, BH, 2001).
“Em Graça Graúna a origem da textura é refletida através de ascendências e ancestralidades, sua comunicação poética é a trindade entre Tupi-guarani África e Terra de santa cruz, esta de nome Brasil – imagina qual o artefato do poema em Graça Graúna?” (Wilmar Santos, poeta e ator, BH, 2001.)
“Por trás de um estilo aparentemente simples, ironicamente, Graça Graúna revela toda sua originalidade criativa usando a concisão, para alargar o leque de possibilidades interpretativas do leitor, desafiando-o a um “duelo interativo”, dos mais instigantes. [...] E porque a leitura dele [de Canto Mestizo] me entusiasma, afirmo, sem nenhum receio de estar sendo hiperbólica, que este é um dos melhores livros de poesia que já li nos últimos tempos” (Leila Miccolis, escritora, Maricá/RJ, 1999). 
 Parabéns pelas suas publicações em "Saciedade dos poetas...” do [site] BLOCOS, que estou lendo aos poucos, tanto as suas como as de outros poetas, também maravilhosos! Em particular, eu adorei o "Tear de sonhos", pois em poucas palavras você colocou o leitor sob um pé de flamboiyant, onde a imaginação sugere braços floridos em direção ao sol da poesia. Abraços” (Madalena Barranco, poeta, SP, 2006).
Graça


Mais que amigo do teu amigo Edu@ardo
escrevo na vontade do encontro
sabendo que um poeta errante
carrega consigo seu canto
e deixa, em cada instante,
a beleza que há
no encanto
de saber
e amar
assim:
A grauna
encanta-se
e o momento
encerra o tempo
e a vida recomeça
na multidão dos ventos
sabendo que o traço é belo
e a poesia tão certamente sabe
que a forma das asas da ave bate
no compasso certo de um poema errante

(Halves, Recife/PE)
 “Por trás de um estilo aparentemente simples, ironicamente, Graça Graúna revela toda sua originalidade criativa usando a concisão, para alargar o leque de possibilidades interpretativas do leitor, desafiando-o a um “duelo interativo”, dos mais instigantes. [...] E porque a leitura dele [de Canto Mestizo] me entusiasma, afirmo, sem nenhum receio de estar sendo hiperbólica, que este é um dos melhores livros de poesia que já li nos últimos tempos” (Leila Miccolis, escritora, Maricá/RJ, 1999).


Graça

Na dádiva do vôo palavra,
ave e canto,
en-canta-me teu olhar
pousado em sonhos:
desses sonhos acordados
entre a vida (ávida)
de esperançase a presença divina
daqueles que ousam
dizer sim à vida (viva)
realizadana graça humana...
que há nas crianças,
nas Anas (queridas)
e no Opus gra-uno
dos Dom Quixotes iluminados !
(mesmos que não acreditem os homens
a vida será (sempre) um canto novo
en-cantado por bardos possuidos de alegria
dizendo aos amigos: obrigado pela graça...
da tua amizade !)


(Ribeiro Halves , Recife/PE, 04.09.2007)
Graça Graúna,

Então estamos quites, pois acho teu nome muitíssimo lindo!!!!

( E também somos GG!!!) Os seus "abraçares" chegaram inteirinhos aqui e me deixaram feliz. Também feliz por meus poemas te alcançarem da forma como me disse. Creio que é esta a nossa grande recompensa, quando nos expomos em versos... É chegar na alma do outros de forma tal que possamos conversarpor horas a fio, chorando e sorrindo, mesmo estando em pontos opostos no mapa.

A poesia ainda nos salva!!!! É como diz uma certa poeta-maravilha:

" Hace sombra en las calles y
en tu pecho? Cantai.
As dores do mundo são as dores do poeta."


Que tenhas uma boa semana! Abraço honesto, Gilia
(da maestrina e poeta Gilia Gerling, RS , 29.abr.08)
Um coração pra caber muita gente, uma paciência que aprendi a imitar, uma criatividade que me inspira, não só uma, mas várias palavras nos momentos certos, uma companheira, uma batalhadora cheia de gás e sempre surpreendente, uma mãe cangurua, uma avó super presente, uma mulher sem igual. Quero ser um pouco assim um dia. Te amo muito. (Depoimento da minha filha Agnes, Recife/PE, 23.dez.2006)
Acerca da minha máquina de escrever
... depois de ler (em 2004) depoimentos de Chico Buarque e seus irmãos sobre seu pai e sua velha máquina de escrever:Ali falavam sobre outro alguém de tão “responsabilidade intelectual”,ao som de uma Remington, Enquanto, em mim, a imagem e a lembrança tantas vezes relatadas...daquela velha Ollivetti, que outro dia procurei debaixo da cama, onde certamente estaria guardada, em uma caixa de papel, toda pintada com as marcas de tinta verde, pisadas pelas folhas de papoula daquele nosso jardim. Ia mostrá-la à minha filha...relíquia e gosto de infância.E, embora, nem a herança literária, ou tão pouco a força notívaga de minha mãe, esteja explícita em mim,o suor de cada sonho quixotesco empenhado em sua batalha,naquela máquina de escrever,sempre me trouxe o cheiro de acalanto e segurança... e me cobriu de certeza sobre o canto bravio,que ninguém ouve, nem de longe vê...mas, todas as noites eu dormia ao som daquela máquina de escrever...E, se assim não fosse viria a inquietude... (Depoimento da minha filha Ana Inês, DF, 4.dez.2007).

UMA GRAÇA DE GRAÚNA

Palavras no bico...
Coragem nas asas...
Voa, Graúna una!


(Depoimento de Cléssida Bessa, RN, em 25.abr.2007)
Agravo agrado em segredo.
Acuso meu segundo canto,
íntimo como o galo último
avisa à manhã sobre o dia.
Afago nos vãos da poesia
os vôos longos da Graúna.
Plano com as asas já lusas
sobre a água - açude-assu
atento um instinto mestiço,
do caminho até Ivy Marãey.


(Walter Ramos de Arruda, PE, 18.ago.2007, no Orkut.)
Professora, mais uma vez, muito obrigada pelo carinho e pelas palavras (Ah, palavra, tão bem tratada, apreciada, escrita pela Senhora)!!! Feliz e honrada sinto-me eu por tê-la como educadora e amiga. Obrigada por existir em minha vida. Sinto-me muito bem quando estou perto da Senhora. Obrigada pelo ensinamentos. Que Nhanderú te abençoe!!! Cheiro. PS: Acho arretadas demais suas poesias, continue mandando!!! (Karina Calado, PE, 18.set.2007, no Orkut)
Não se esqueça que a primeira manifestação artística foi o desenho, depois a pintura, música e, o meu xodó, a poesia. Beijosa delicadeza do pássaro cantando sereia uma graúna? (Aníbal Beça, Manaus, 17.set. no Orkut)
o seu blog está lindo, vou ler com calma, lembrando do tai-shi que vi logo cedo enquanto caminhava na ufpe :) bjs (Agnes, 18.set.2007, no Orkut)
Graúna das Graças
sua graça,
meu encanto.


(Daniel Munduruku,SP, 25.set.2007, no Orkut)
Minha poetamiga Grauníssima...

Depois de luas e mais luas desde a 1ª vez (e a 2ª, e a 3ª, e a 4ª...) que li o "Tear da Palavra", me peguei relendo ontem, e mais uma vez com tua escrita punhal: curta, afiada e pontiaguda, me inquietasses (+ uma vez!), fizeste-me chorar (+ uma vez!), mas também fizestes-me brotar palavras... (+ uma vez! - ih, ih, ih...) - do poema "ENTRELUGAR" in TEAR DA PALAVRA.
(Manumayah, PE,16.jan.2009, Orkut)
Do Canadá, o meu filho Fabiano escreveu um depoimento (bilingue) belíssimo, acerca das nossas origens

Nossa origem
Se eu me lembro bem, uma parte de mim nasceu na África; outra na Europa lusófona, e a terceira parte nasceu nos trópicos da América do Sul, em uma das nações autóctones que ocupava o nordeste de uma terra que hoje conhecemos como Brasil. Todos esses pedaços de mim se encontraram com outros pedaços de memória e de cultura, e assim eu fui nascendo.Ao longo das gerações eu continuei a nascer, e eu me lembro que eu nasci também no nordeste do Brasil. Uma parte na Paraíba, outra no Rio Grande do Norte. Pedaços de mim que viajaram e se encontraram, tempos depois, em Pernambuco (do tupi, "lá onde o mar bate nas pedras"). Foi desse encontro que a parte de mim da qual eu guardo mais lembranças nasceu, em 1972, em Recife (do árabe, "Al Racif", pedra, rochedo). Essa parte de mim se uniu a uma outra parte, de origens também diversas, de uma mistura - como a minha - de memórias de três continentes. De nosso encontro nasceram duas outras partes, pequenos fragmentos de memória, também lá onde o mar bate nas pedras, e sempre juntos continuamos, como nossos ancestrais, a migrar, a viajar, a conhecer lugares que se somaram à nossa memória perpétua. E assim, nós continuamos a nascer: nossas pequenas partes que vão crescer, encontrar e se unir, em alguma parte do mundo, a outros fragmentos de memória... e assim continuo a nascer, eternamente.
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Notre naissance
Si je me rappelle bien, une partie de moi est née en Afrique; une autre partie est venue de l'Europe lusophone, et la troisième est née dans les tropiques de l'Amérique du Sud, dans une des nations autochtones, qui habitait le nord-est de la terre qu'on connaît aujourd'hui comme le Brésil. Toutes ces parties de moi ont rencontré d'autres parties de souvenirs et de cultures, et de cette façon, je prolongeais ma naissance.Tout au long des générations, je continuais à naître, et je me rappelle que je suis né aussi au nord-est du Brésil. Une partie est née dans la province de Paraíba, et l'autre au Rio Grande do Norte. Ces parties de moi on voyagé se sont rencontrées dans un autre province: Pernambuco. C'est là où la partie de moi dont je garde la plupart de mes souvenirs, est née en 1972, à Recife (mot que vient de l'arabe "Al Racif", le rocher, la fortification). Cette partie a rencontré une autre, qui venait aussi d'origines diverses, d'un mélange de mémoires de trois continents. De ces rencontres, deux autres parties de moi sont nées, aussi à Recife, et toujours ensemble on continue, comme nos ancêtres, à migrer, à voyager, à connaître des lieux qui s'ajoutent à notre mémoire éternelle. Et ainsi, on continue notre naissance. Nos parties vont se rencontrer quelque part dans le monde avec d'autres, et moi, je continue à naître, éternellement.
Domingo, 17 Maio, 2009