quarta-feira, 29 de novembro de 2017

UFBA: moção de repúdio


Crédito: UFBA

SERVIÇO PÚBLlC O FEDERAL
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA
CONSELHO UNIVERSITÁRIO


MOÇÃO


O Conselho Universitário da Universidade Federal da Bahia, reunido cm 13.11.2017, aprovou, por unanimidade, a moção de repudio proposta pela Conselheira Maria Hilda Baquciro Paraíso, Diretora da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, manifestando a indignação dos Conselheiros diante das tentativas de cerceamento de todo um campo de produção do conhecimento cientifico no quaI a Universidade Federal da Bahia é, ha décadas, referência, a saber, os estudos sobre gênero, diversidade, mulheres e feminismo.

Em episódios recentes, verificamos ameaças de morte e outros tipas de violência contrauma de nossas docentes, pesquisadora do NEIM (Núcleo de Estudos Interdisciplinar e sobre a MuIher); a tentativa de impedimento de defesa de uma dissertação de Mestrado de aluno do lHAC (Instituto de Hunanidades, Artes e Ciências), tendo que solicitar a segurança da própria Universidade; e a perseguição e ridicularização nas redes sociais de projetos de pesquisa e extensão que versam sobre essas temáticas.

Tais iniciativas obscurantistas nao têm se restringido à nossa Universidade. Vimas também elas se estendendo contra eventos cientificas, praticas culturais, artísticas - e intelectuais, par meio não apenas de ataques virtuais, mas também de cancelamento de exposições e censura à peça de teatro. Assistimos perplexos à tentativa de cerceamento e agressão à filósofa Judith Butler, que -m 2015 acolhemos corn tanta satisfaçao na UFBA. Também nos deixa estupefatos 0 inquérito policial instaurado contra um projeto de pesquisa de um professor da Universidade Federal de Ouro Preto, assim coma alterntativa de aprovação de diversos projetas de lei que violam frontalmente a Constituição Federal e Tratados e Convenções em Direitos Humanos vigentes.

o clima de intolerância que se estabeleceu neste Pais vern repercutindo de fanna drástica na liberdade de expressão, no livre exercício profissional e na autonomia universitaria para tratar de temas relevantes concementes a determinados segmentas sociais. As reações virulentas e ameaçadoras, particularmente no âmbito acadêmico, vêm tomando proporções assustadoras e desrespeitosas.

Nos posicionamos, portanto, contrários às investidas reacionárias que buscam calar o livre debate de ideias e silenciar todo um campo de estudos legitimamente construída eque é fundamental para que possamos ter uma sociedade menos violenta e desigual. A perseguição à liberdade de expressão cultural e cientifica nos envergonha e nos ultraja e
é uma afronta aos princípios da democracia.

Palâcio da Reitoria, 13 de novembro de 2017.

Joâo Carlos S'alles Pires da Silva
Reitor
Presidente do Conselho Universitário




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