quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Nada de novo e tudo de novo


REINVENÇÃO


Nascer do sol, de Monet


A vida só é possível
reinventada.

Anda o sol pelas campinas
e passeia a mão dourada
pelas águas, pelas folhas...
Ah! tudo bolhas
que vêm de fundas piscinas
de ilusionismo... — mais nada.

Mas a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.

Vem a lua, vem, retira
as algemas dos meus braços.
Projeto-me por espaços
cheios da tua Figura.
Tudo mentira! Mentira
da lua, na noite escura.

Não te encontro, não te alcanço...
Só — no tempo equilibrada,
desprendo-me do balanço
que além do tempo me leva.

Só — na treva,
fico: recebida e dada.

Porque a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.

(Cecília Meireles)

Um comentário:

Graça Grauna disse...

Aos parentes e amigos: postei esse poema de Cecília Meireles, perto do meio dia de 31 de dezembro, em Brasilia/DF. Escolhi a tela de Monet para ilustrar os sonhos que nos cercam, pois creio que tudo se renova porque a vida - como diz Cecília - só é possível quando reinventada. Abraços de luz para todos, Graça Graúna