domingo, 21 de setembro de 2014

Quase divina comédia

O Beijo (1887), de Auguste Rodin


Quase divina comédia


Caminho na solidão
desço ao inferno
perdida no perdido
na selva de pedra escura
mergulho na solidão
e tudo me pesa.

Meus ombros já não suportam
as dores do mundo.
Encontros…desencontros…
e apesar de tudo
entre os caminhos
escolho o mais estreito
os mais tortuosos
e sigo, vislumbrando 
do mais fundo do poço
o clarão do olhar mais justo que me alcança
as mãos brandas em forma de pássaro 
a me socorrer.

Vislumbro o clarão onde faz morada
o coração justo
e penso: será o poeta Virgilio?
Ele também mergulhou na selva escura,
se deparou com o espírito do amor
e encontrou o seu caminho 
rumo à colina
sem culpa, sem dor


Nordeste do Brasil, 21 de setembro de 2014

Graça Graúna

2 comentários:

Juscelino Mendes disse...

Poema digno de nota, pela sensibilidade poética intimista.

Graça Grauna disse...

Você é um leitor muito especial. Grata por sua doce presença.