terça-feira, 15 de abril de 2014

Documentário "Índio cidadão?" denuncia a violência contra os povos indígenas

14/4/2014



Crédito: João Américo, Secom/MPF

Sessão de pré-estreia do documentário "Índio Cidadão?" foi marcada por críticas a violações de direitos

 
Foto: João Américo, Secom/MPF

Para a subprocuradora-geral da República e coordenadora da 6ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal (populações indígenas e comunidades tradicionais), Deborah Duprat, o momento atual é "o período mais dramático da história indígena", marcado por "um grupo que promove o discurso do ódio". O diretor do documentário, Rodrigo Siqueira, questiona: "Quanto tempo mais esse país vai negar sua identidade indígena?". Ambos participaram, na tarde desta segunda-feira, 14 de abril, de debate que se seguiu à sessão de pré-estreia do documentário "Índio Cidadão?".

Produzido pela 7G Documenta, o filme resgata a história da campanha popular promovida por povos indígenas na Constituinte, entre 1987 e 1988, e documenta a atuação recente do movimento indígena em defesa de seus direitos constitucionais, ameaçados, por exemplo, pela Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215 e pelo Projeto de Lei Complementar (PLP) 227. Em 2013, grandes mobilizações foram promovidas em Brasília pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib).

A PEC 215 propõe que a demarcação de terras indígenas não seja mais exclusividade do Executivo e passe a aprovação de novas demarcações e a revisão daquelas já homologadas para o Legislativo. Já o PLP 227 define áreas que não poderiam ser demarcadas por se tratarem de "bens de relevante interesse público da União", como terras de fronteira, perímetros rurais e urbanos de municípios e áreas produtivas.

Além de Duprat e Siqueira, compuseram a mesa o procurador da República Marco Antonio Delfino de Almeida, que tem atuação destacada na temática no Mato Grosso do Sul, estado marcado por conflitos entre indígenas e não indígenas; a indígena Valdelice Veron, filha do cacique guarani kaiowá Marcos Veron, assassinado no município de Juti (MS) em janeiro de 2003; os também indígenas Ailton Krenak e Álvaro Tukano; e a deputada federal Erika Kokay.

Confira algumas de suas principais falas:
  • Marco Antonio Delfino relata situação indígena em MS: "Quadro de violação dos direitos humanos gravíssimo"
  • Erika Kokay: "Em uma sociedade pautada pelo consumo, os indígenas lutam (contra o poder econômico) pelo direito de ser"
  • Erika Kokay: "Nossa constituição está sendo ameaçada" (...) "quando parlamentares apresentam uma PEC como a 215"
  • Álvaro Tukano: "Este filme deve ser exibido mas escolas públicas e privadas, nas universidades"
  • Álvaro Tukano: "O Congresso brasileiro não pode continuar decidindo sem a presença de indígenas"
  • Ailton Krenak: "Desafio que o Estado não seja omisso nos casos de violência contra crianças e mulheres indígenas"
  • Ailton Krenak: "Parece que a fala do povo indígena não encontra audição nas instituições do Estado brasileiro"
  • Valdelice Veron: "Queria pedir pra vocês fazer o papel falar" (que valham as demarcações)
  • Valdelice Veron: "Não sei mais pra onde pedir socorro hoje"
  • Valdelice Veron: "É uma vida de crueldade que temos passado" (sobre dificuldades geradas pela demora no processo demarcatório)
     
  • Veja a cobertura completa no Twitter
O documentário "Índio Cidadão?" tem estréia prevista para 19 de abril, às 14h, na TV Câmara. Também estão previstas exibições gratuitas gratuitas na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados e na semana do Acampamento Terra Livre (também conhecido como Abril Indígena), em Brasília.

Secretaria de Comunicação Social
Procuradoria Geral da República
(61) 3105-6404/6408

2 comentários:

Francis Mary Rosa disse...

Olá, sou pesquisadora e editora assistente da revista Ponto de Interrogação. Neste semestre nosso programa de mestrado tenciona um número todo voltado para a língua, cultura e literatura indígena, queremos que este número seja composto somente por escritores nativos. Como grande representante desta temática gostaríamos de contar com um dos seus textos, ensaios, artigos. Seria possível disponibilizar um e-mail para contato? Att: Francis Mary Rosa http://www.poscritica.uneb.br/revistaponti/

Graça Grauna disse...

Estimada Francis: obrigada pela atenção aos meus escritos e pelo convite para colaborar com a Revista Ponto de Interrogação da Uneb. Paz e bem, Graça Graúna