sexta-feira, 22 de junho de 2012

Rio+20: Lideranças indígenas reclamam da falta de apoio de Dilma


  Cacique Marcos Xukuru
Imagem extraída do site: www.diariodenoticias.com.b


Fonte: JC e-mail 4523, de 21 de Junho de 2012.



Lideranças reclamam da falta de atenção da presidente Dilma Rousseff nas propostas indígenas - protagonistas da conservação da biodiversidade - na Conferência sobre Desenvolvimento Sustentável, Rio+20. O presidente do Conselho Indígena de Roraima (CIR), Mário Nicácio Wapichana, observa um retrocesso do Estado e do governo no apoio às políticas voltadas para as comunidades indígenas. A Secretaria Geral da Presidência da República contesta as informações.

"Questionamos o fato de todos os povos indígenas não terem sido recebidos [pelo governo], não apenas na Rio+20, mas em outros momentos. Isso é ruim. Como um país que está contribuindo na realização da Rio+20 não recebe os seus primeiros povos", declarou.

Segundo ele, antes mesmo do início de Dilma Rousseff na Presidência da República, os indígenas solicitavam a presença dos seus direitos, como políticas públicas, educação, saúde e demarcação de terras na pauta do governo. As demandas indígenas praticamente estacionaram no governo de Luiz Inácio Lula da Silva. "O Lula parcialmente atendeu às necessidades dos indígenas. Ele não cumpriu com o que prometeu em sua campanha", disse.

A luta agora é aproveitar a visibilidade da Rio+20 para chamar a atenção das delegações da Organização das Nações Unidas (ONU) para os problemas indígenas. "Que garantam os direitos dos povos indígenas, como a terra, a vida e a saúde que saiu do comando da Funai [Fundação Nacional dos Índios] e hoje está pior. São políticas que precisam ser trabalhadas com vigor e com o teor de responsabilidade do governo", defendeu.

Outro lado - Consultada, a Secretaria Geral da Presidência da República disse, por intermédio da assessoria de imprensa, não existirem problemas de diálogos entre o governo e os indígenas de forma geral. Sem querer falar sobre as propostas indígenas apresentadas para Rio+20, a assessoria disse desconhecer tais sugestões. A Secretaria também reconhece a impossibilidade de conversar com todas as lideranças que representam 220 povos diferentes e a "existência de problemas individuais".

A assessoria de imprensa destacou que o ministro da pasta, Gilberto Carvalho, conversou com algumas lideranças indígenas esta semana. Um exemplo foi o encontro com manifestantes que vivem em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio, onde "teve participação definitiva" na solução de problemas dos povos que moram lá. Eles protestavam contra a retirada da comunidade ameaçada de remoção pelo plano de obras das Olimpíadas de 2016.

A imprensa noticiou que a Secretaria Geral da Presidência da República combinou um encontro entre os manifestantes e os representantes da ONU e do governo federal no Riocentro. Nesta quinta-feira (21), alguns indígenas entregaram um conjunto de reivindicações às delegações da ONU no Riocentro.

Acordo internacional - O presidente do Conselho Indígena de Roraima defende também o respeito e a execução das medidas no âmbito da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) que responde pelos direitos indígenas e tribais no mundo. Ratificado pelo Congresso Nacional há mais de cinco anos, o Governo Federal ainda precisa regulamentar os procedimentos de consultas sobre normas legislativas que de alguma forma possam afetar os indígenas, por exemplo. "Que façam justiça social e ambiental funcionarem", destacou ele, reconhecendo avanços na vida dos indígenas nas últimas décadas. "Mas ainda tem muita coisa para ser feita".

Dentre as sete metas da Convenção 169, a principal é a que obriga a realização de consulta aos indígenas diretamente em cada comunidade. Em Roraima, por exemplo, são 405 comunidades indígenas. Ele critica as práticas que vem ocorrendo. "Reunir as lideranças em um grande evento para serem consultadas. Isso não é consulta", defendeu.

Em outra frente, Debora Tanhuane, 37 anos, líder do povo Umutina do Médio Norte do Mato Grosso (MT), chama a atenção para o desmatamento e diz ser importante encontrar uma solução para as mudanças climáticas que estão ocorrendo no mundo, para a poluição dos rios e o desrespeito com os povos indígenas no Brasil. "Que os indígenas tenham os mesmos direitos", disse ela, também presidente da Associação das Mulheres Umutina.

Mesmo que algumas comunidades vivam hoje em condições melhores em Mato Grosso do Sul, em relação a outras comunidades, com terras demarcadas, florestas em pé, com fauna e flora ainda intactas, existem vários problemas. Tais como intensidade de plantio agrícola com agrotóxicos e devastação das florestas pela soja e cana-de-açúcar. "Precisamos de uma política voltada para a auto-sustentabilidade, de políticas que garantam o auto-sustento, de geração de renda e o respeito às nossas terras que estão querendo reduzi-las", disse.

Leia mais sobre o assunto:

(Viviane Monteiro - Jornal da Ciência)

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Indígenas são impedidos de entrar no Riocentro


Imagem extraída do Google.

Uma muralha humana formada por 120 militares e policiais equipados com escudos, máscaras de gás, granadas e capacetes com viseiras impediu que um grupo de 500 indígenas invadisse ontem a área de segurança do Riocentro, onde ocorria a cúpula de chefes de Estado da Rio+20. Por muito pouco, não houve confronto. Intimidados com o aparato e chefiados pelo cacique Raoni, da etnia Kayapó, os indígenas desistiram da invasão. O secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, apaziguou os ânimos dos indígenas. Carvalho deixou o Riocentro para conversar com Raoni e outros líderes. Acabou os convencendo a deixar o local. Em troca, prometeu levar à cúpula uma comissão de 12 indígenas, que apresentaria um documento com reivindicações, entre elas constam: proteção dos direitos territoriais indígenas, fim da impunidade dos assassinos de lideranças indígenas e melhora das condições de saúde –

Rio +20: Declaração Kari-oca 2


 Imagem extraída do Google.

“CONFERÊNCIA MUNDIAL DOS Povos Indígenas SOBRE RIO+20 e a Mãe TERRA” 1322 Junho 2012

Nós, os Povos Indígenas da Mãe Terra reunidos na sede da Kari-Oca I, sagrado Kari-Oka Púku, no Rio de Janeiro para participar da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável Rio+20, agradecemos aos Povos Indígenas do Brasil por nos darem o bem vindo aos seus territórios. Reafirmamos nossa responsabilidade para falar sobre a proteção e o bem-estar da Mãe Terra, da natureza e das futuras gerações de nossos Povos Indígenas e toda a humanidade e a vida. Reconhecemos o significado desta segunda convocatória dos Povos Indígenas do mundo e reafirmamos a reunião histórica de 1992 da Kari-Oca I, onde os Povos Indígenas emitiram a Declaração da Kari-Oca e a Carta da Terra dos Povos Indígenas. A conferência da Kari-Oca e a mobilização dos Povos Indígenas durante a Reunião da Terra marcou um grande avanço do movimento internacional para os direitos dos Povos Indígenas e o papel importante que desempenhamos na conservação e no desenvolvimento sustentável. Reafirmamos também a Declaração de Manaus sobre a convocatória da Kari-Oca 2 como o encontro internacional dos Povos Indígenas na Río+20.

A institucionalização do colonialismo 
Consideramos que os objetivos da Conferência das Naciones Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (UNCSD) Río+20, a “Economia Verde” e seu argumento de que o mundo somente pode “salvar” a natureza com a mercantilizar de suas capacidades de dar vida e garantir a vida como uma continuação do colonialismo que os Povos Indígenas e nossa Mãe Terra tem resistido durante 520 anos. A “Economia Verde” se promete erradicar a pobreza, mas na realidade somente vai favorecer e responder as empresas multinacionais e o capitalismo. Se trata da continuação de uma economia global baseada nos combustíveis fósseis, na destruição do meio ambiente mediante a exploração da natureza através das indústrias extrativistas, tais como a mineração, a extração e produção petrolífera, a agricultura intensiva de monoculturas e outras inversões capitalistas. Todos esses esforços estão encaminhados as ganâncias e a acumulação de capital por uns poucos.

Desde Rio 1992, nós como Povos Indígenas vemos que o colonialismo está sendo transformado na base da globalização do comércio e da hegemonia econômíca capitalista mundial. Se vem intensificado a exploração e o roubo dos ecossistemas e biodiversidade do mundo, assim como a violação aos diretos inerentes dos povos indígenas. Nosso direito a livre determinação, a nossa própria governança e ao nosso desenvolvimento livremente determinado, nossos direitos inerentes as nossas terras, territórios e recursos estão cada vez mais atacados por uma colaboração de governos e empresas transnacionais. Ativistas e líderes indígenas que defendem seus territórios seguem sofrendo repressão, militarização, incluindo assassinatos, prisões, humilhações e classificação como “terroristas”. A violação de nossos direitos coletivos enfrenta a mesma impunidade. O deslocamento forçado ou assimilação ameaça nossas futuras gerações, culturas, idiomas, espiritualidade y relação com a Mãe Terra económica e políticamente.

Nós, povos indígenas de todas as regiões do mundo, temos defendido a Nossa Mãe Terra das agressões do desenvolvimento não sustentável e a super exploração de nossos recursos por mineração, madeireiras, grandes represas hidroelétricas, exploração e extração petrolífera. Nossos bosques sofrem pela produção de agrocombustíveis, biomasa, plantaçõess e outras imposições como as falsas soluções à mudança climática e ao desenvolvimento não sustentável e danoso. A Economía Verde é nada menos que o capitalismo da natureza; um esforço perverso das grandes empresas, as indústrias extrativistas e dos governos para converter em dinheiro toda a Criação mediante a privatização, mercantilização e venda do Sagrado e todas as formas de vida, assim como o céu, incluindo o ar que respiramos, a água que bebemos e todos os genes, plantas, sementes nativas, árvores, animais, peixes, diversidade biológica e cultural, ecossistemas e conhecimentos tradicionais que fazem possivel e disfrutável a vida sobre a terra.

Violações graves dos direitos dos povos indígenas da soberania alimentar continuam sem parar ao que da lugar a inseguridade alimentar. Nossa própria produção de alimentos, as plantas que nos rodeiam, os animais que caçamos, nossos campos e as plantações, a água que bebemos e a água dos nossos campos, os peixes que pescamos de nossos rios e riachos, está diminuindo a um ritmo alarmante. Projetos de desenvolvimento não sustentável, tais como mono-culturas plantações de soja químicamente intensiva, as indústrias extrativistas como a mineração e outros projetos destrutivos do meio ambiente e as inversões com fins de lucro, estão destruindo nossa biodiversidade, envenenando nossa água, nossos rios, riachos, e a terra e sua capacidade para manter a vida. Isto se agrava ainda mais debido ao cambio climático e as represas hidroeléctricas e outras formas de produção de energia que afetam a todo o ecossistema e sua capacidade para promover a vida. A soberania alimentaria é uma expressão fundamental de nossos direitos coletivo a livre determinação e desenvolvimento sustentável. A soberania alimentar e o direito a alimentação devem ser reconhecidos e respeitados: alimentação não deve ser mercadoria que se utiliza, comercializa ou especula com fins de lucro. Nutre nossas identidades, nossas culturas e idiomas, e nossa capacidade para sobreviver como povos indígenas.

A Mãe Terra é a fonte da vida que se requer proteger, não como um recurso para ser explorado e mercantilizado como “capital natural”. Temos nosso lugar e nossas responsabilidades dentro da ordem sagrada da Criação. Sentimos a alegria sustentadora quando as coisas ocorrem em harmonia com a Terra e com toda a vida que cria e sustenta. Sentimos a dor da falta de harmonia quando somos testemunho da desonra da ordem natural da Criação e da colonização econômica e continua, assim como a degradação da Madre Terra e toda a vida nela. Até que os direitos dos povos indígenas sejam observados, velados e respeitados, o desenvolvimento sustentável e a erradicação da pobreza não ocorrerão.

A solução
A relação inseparável entre os seres humanos e a Terra, inerente para os povos indígenas deve ser respeitada pelo bem das gerações futuras e toda a humanidade. Instamos a toda a humanidade a se unir conosco para transformar as estruturas sociais, as instituições e relações de poder que são a base de nossa pobreza, opressão e exploração. A globalização imperialista explora todo o que garante a vida e a terra. Necessitamos reorientar totalmente a produção e o consumo na base das necessidades humanas no lugar da acumulação desenfreada de ganância para com poucos.

A sociedade deve tomar controle coletivo dos recursos produtivos para satisfazer as necessidades de desenvolvimento social sustentável e evitar a sobreprodução, o sobreconsumo e a sobreexploração das pessoas e da natureza que são inevitáveis abaixo o atual sistema capitalista monopólico. Devemos enfocar sobre comunidades sustentáveis com base nos conhecimentos indígenas e no desenvolvimento capitalista.

Exigimos que as Nações Unidas, os governos e as empresas abandonem as falsas soluções a mudança climática, tais como as grandes represas hidroelétricas, os organismos geneticamente modificados, incluindo as árvores transgênicas, as plantações, os agro combustíveis, o “carbono limpo”, a energia nuclear, o gás natural, a transposição das águas dos rios, a nanotecnologia, a biologia sintética, a bio energia, a biomassa, o biochar, a geoengenharia, os mercados de carbono, o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo e REDD+ que colocam em perigo o futuro e a vida tal como a conhecemos. No lugar de ajudar a reduzir o aquecimento global, eles envenenam e destroem o meio ambiente e deixam que a crise climática aumente exponencialmente, o que pode deixar o planeta praticamente inabitável. Não podemos permitir que as falsas soluções destruam o equilíbrio da Terra, assassinem as estações, desencadeiem o caos do mal tempo, privatizem a vida e ameacem a supervivência da humanidade. A Economia Verde é um crime de lese humanidade e contra a Terra.

Para lograr o desenvolvimento sustentável os Estados devem reconhecer os sistemas tradicionais de manejo de recursos dos povos indígenas que há existido por milênios, nos sustentando assim durante o colonialismo. È fundamental garantir a participação ativa dos povos indígenas nos processos de tomada de decisões que os afetam e seu direito ao consentimento livre, prévio e informado. Os Estados também devem proporcionar apoio aos povos indígenas que seja adequada a sua sustentabilidade e prioridades livremente determinadas, sem restrições e diretrizes limitantes.

Seguiremos lutando contra a construção de represas hidrelétricas e todas as formas de produção de energia que afetam nossas águas, nossos peixes, nossa biodiversidade e os ecossistemas que contribuem com a nossa soberania alimentar. Trabalharemos para preservar nossos territórios contra o veneno das plantações de monoculturas, das indústrias extrativas e outros projetos destrutivos do meio ambiente, e continuar nossas formas de vida, preservando nossas culturas e identidades. Trabalharemos para preservar nossas plantas e as sementes tradicionais, e manter o equilíbrio entre nossas necessidades e as necessidades de nossa Mãe Terra e sua capacidade de garantir a vida. Demonstraremos ao mundo que se pode e se deve fazer. Em todos estes assuntos documentaremos y organizaremos a solidariedade de todos os povos indígenas de todas as partes do mundo, e todas as demais fontes de solidariedade dos não indígenas de boa vontade a se unir a nossa luta pela soberania alimentar e a seguridade alimentaria. Rejeitamos a privatização e o controle corporativo dos recursos, tais como nossas sementes tradicionais e dos alimentos. Por último, exigimos aos estados que defenda nossos direitos ao controle dos sistemas de gestões tradicionais e ofereça um apoio concreto, tais como as tecnologias adequadas para que possamos defender nossa soberania alimentar.

Rejeitamos as promessas falsas do desenvolvimento sustentável e soluções ao cambio climático que somente serve a ordem econômica dominante. Rejeitamos a REDD, REDD+ e outras soluções baseadas no mercado que têm como enfoque nossos bosques, para continuar violando nossos direitos inerentes a livre determinação e ao direito as nossas terras, territórios, águas e recursos, e direito da Terra a criar e manter a vida. Não existe tal coisa como “mineração sustentável”. Não existe tal coisa como “petróleo ético”.

Rejeitamos a aplicação de direitos de propriedade intelectual sobre os recursos genéticos e o conhecimento tradicional dos povos indígenas que resulta na privatização e mercantilização do Sagrado essencial para nossas vidas e culturas. Rejeitamos as formas industriais da produção alimentícia que promove o uso de agrotóxicos, sementes e organismos transgênicos. Portanto, afirmamos nosso direito a ter, controlar, proteger e herdeiros as sementes nativas, plantas medicinais e os conhecimentos tradicionais provenientes de nossas terras e territórios para o beneficio de nossas futuras gerações.

Nosso Compromisso com o Futuro que Queremos 
Por falta da falta da implementação verdadeira do desenvolvimento sustentável o mundo está em múltiplas crises ecológicas, econômicas y climáticas. Incluindo a perda de biodiversidade, desertificação, o derretimento dos glaciares, escassez de alimentos, água e energia, uma recessão econômica mundial que se acentua, a instabilidade social e a crise de valores. Nesse sentido, reconhecemos que temos muito fazer para que os acordos internacionais respondam adequadamente aos direitos e necessidades dos povos indígenas. As contribuições atuais potenciais de nossos povos devem ser reconhecidas como um desenvolvimento sustentável verdadeiro para nossas comunidades que permita que cada um de nós alcance o Bem Viver.

Como povos, reafirmamos nosso direito a livre determinação a controlar e manejar nossas terras e territórios tradicionais, águas e outros recursos. Nossas terras e territórios são a parte estrutural de nossa existência – somos a Terra a Terra, é nós -. Temos uma relação espiritual e material com nossas terras e territórios e estão intrinsecamente ligados a nossa supervivência e a preservassem e desenvolvimento de nossos sistemas de conhecimentos e culturas, a conservação, uso sustentável da biodiversidade e o manejo de ecossistemas.

Exerceremos o direito a determinar e estabelecer nossas prioridades e estratégias de auto desenvolvimento para o uso de nossas terras, territórios e outros recursos. Exigimos que o consentimento livre, prévio e informado seja o princípio de aprovação ou desaprovação definitivo y vinculante de qualquer plano, projeto ou atividade que afete nossas terras, territórios e outros recursos. Sem o direito ao consentimento livre, prévio e informado o modelo colonialista, o domínio da Terra e seus recursos seguirá com a mesma impunidade.

Seguiremos nos unindo como povos indígenas e construindo una solidariedade e aliança forte entre nós mesmos, comunidades locais e verdadeiros promotores não-indígenas de nossos temas. Esta solidariedade avançará a campanha mundial para os direitos dos povos indígenas a sua terra, vida e recursos e o lugar de nossa livre determinação e liberação. Seguiremos desafiando e resistindo aos modelos colonialistas e capitalistas que promovem a dominação da natureza, o crescimento econômico desenfreado, a extração de recursos sem limite para ganâncias, o consumo e a produção insustentável e as acordos não regulamentados e os mercados financeiros. Os seres humanos são uma parte integral do mundo natural e todos os direitos humanos, incluindo os direitos dos povos indígenas, devem ser respeitados e observados por o desenvolvimento.

Convidamos a toda a sociedade civil a proteger e promover nossos direitos e cosmovisões e respeitar a lei da natureza, nossas espiritualidades e culturas e nossos valores de reciprocidade, Harmonia com a natureza, a solidariedade e a coletividade. Valores como cuidar o compartilhar, entre outros, são cruciais para criar um mundo más justo, equitativo e sustentável. Neste contexto, fazemos um chamado para inclusão da cultura como o quarto pilar do desenvolvimento sustentável.

O reconhecimento jurídico e a proteção dos direitos dos povos indígenas da terra, dos territórios,dos recursos e os conhecimentos tradicionais deveriam ser um requisito para o desenvolvimento e planificação de todos e cada um dos tipos de adaptação e mitigação da mudança climática, conservação ambiental (incluindo a criação de “áreas protegidas”), o uso sustentável da biodiversidade e medidas a combater desertificação. Em todos os casos, tem que haver consentimento livre, prévio e informado.

Continuamos dando seguimento aos compromissos assumidos na Reunião da Terra tal como se reflete nesta declaração política. Fazemos um chamado a ONU a começar sua implementação, e assegurar a participação plena, formal e efetiva dos povos indígenas em todos os processos e atividades da Conferência de Rio+20 e mais além, de acordo com a Declaração das Nações Unidas sobe os Direitos dos Povos Indígenas (DNUDPI) e o principio do consentimento livre, prévio e informado (CLPI). Seguimos habitando e mantendo os últimos ecossistemas sustentáveis com as mais altas concentrações de biodiversidade no mundo. Podemos contribuir de uma maneira significativa ao desenvolvimento sustentável porém acreditamos que o marco holístico de ecossistemas para o desenvolvimento se deve promover. isso inclui a integração do enfoque de direitos humanos, o enfoque de ecossistemas e enfoques culturalmente sensíveis e baseados em conhecimentos.

Expressamos nossa solidariedade e apoio para as demandas e aspirações dos povos indígenas no Brasil encontradas no anexo a esta declaração. “Caminhamos para o futuro nos rastros de nossos antepassados”.

Aprovado por aclamação, Aldeia de Kari-Oca, no Sagrado Kari-Oca Púku, Rio de Janeiro, Brasil, 18 de junho de 2012


http://indigenous4motherearthrioplus20.org/kari-oca-2-declaration/

terça-feira, 19 de junho de 2012

Sem Poesia a vida é insustentável



Fonte: Clevane Pessoa e Brenda Marques


Lançamento da antologia Nós da Poesia + 20 Nosotros organizada pelo Imel reúne poetas de vinte países da América Latina, África, Europa e etnias indígenas.

 Com este tema, o IMEL - Instituto Imersão Latina, juntamente com a APPERJ - Associação Profissional de Poetas no Estado do Rio de Janeiro, Soy Loco Por Ti, do Paraná, Comitê Mineiro da Cúpula dos Povos e Ciranda, celebram a diversidade cultural na Cúpula dos Povos, no Rio de Janeiro. O lançamento do livro Nós da Poesia  + 20 Nosotros, organizado pelo Imel será no dia 18 , próxima segunda-feira, às 14 horas, no aterro do Flamengo, tenda 28 (Patrick Lumumba), no Rio de Janeiro. E na quarta, 20 de junho, dia de abertura da Conferência da ONU Rio + 20, poetas participantes do projeto Nós da Poesia fazem um sarau às 19 horas, no Quiosque Estrela de Luz, na praia do Leme.
 A atividade na Cúpula dos Povos terá várias apresentações culturais e performáticas com os grupos: Nós da Poesia, URBANOSEMCAUSA (Sérgio Gerônimo e Mozart Carvalho); Poeta saia da gaveta (Teresa Drummond e Neudemar Sant’Anna); Poesia, você está na Barra (Aluizio Rezende,Mariangela Mangia, Rinaldo Leite e Vânia Moraes); Poetas sem fronteiras (Eurídice Hespanhol e Jorge Ventura), Poesia a estiBordo (Diana Balis); Grupo Poesia Simplesmente (Laura Esteves, Angela Carrocino, Delayne Brasil e Silvio Ribeiro de Castro).
 A coordenação geral da atividade é de Brenda Marques Pena, presidente do Instituto Imersão Latina, criado há 6 anos em Belo Horizonte, Minas Gerais, com o objetivo de reunir as vozes de ativistas da América Latina pela democratização da comunicação, direito dos povos e promoção de eventos de artes integradas.
 Imersão Latina
O Instituto Imersão Latina é uma associação de escritores, jornalistas, produtores culturais, pesquisadores e artistas independentes, formada por ativistas que se preocupam em defender e mostrar toda a diversidade cultural, ambiental e de idéias da América Latina. Entre suas atividades permanentes estão a realização de eventos de artes-integradas (música, literatura, vídeo e artes cênicas) e da cultura digital.
O IMEL mantém um portal www.imersaolatina.com, um blog www.imersaolatina.blogspot.com e uma rede com a participação de pessoas de várias países.

Nós da Poesia
O Projeto Nós da Poesia, do Instituto Imersão Latina (Imel), visa o incentivo à leitura, circulação literária e publicação de livros cooperativos. O volume 1 foi publicado em 2009, e hoje já na terceira edição, o projeto reúne mais de 100 poetas, incluindo sempre o Destaque Criança não é Brinquedo.
Todos os poetas selecionados para a antologia poética “Nós da Poesia + 20 Nosotros” ganharam uma página em português e uma em espanhol na publicação do projeto, que será lançado nos dias 18 de junho, na Cúpula dos Povos, e 20 de junho, na abertura da Rio + 20, Conferência Mundial da ONU. Participam da iniciativa poetas de mais de 20 países da América Latina, além de Espanha, Canadá e São Thomé e Príncipe (África). Também há destaques para as duas crianças indígenas, duas crianças e uma poetisa com síndrome de Down. Assim, a publicação mostra a Diversidade Cultural dos Povos por meio da poesia.  "Esta é uma forma de ressaltar que sem poesia a vida é insustentável e não há sustentabilidade possível no planeta, sem aprendermos a respeitar as diferenças e valorizar a diversidade cultural", aponta a presidente do Imel e organizadora da antologia, Brenda Marques Pena.
O projeto já circulou por várias cidades do Brasil e da América Latina, em Bienais de Minas, São Paulo e Rio de Janeiro, feiras e encontros literários tradicionais como o Psiu Poético, em Montes Claros, o Congresso Brasileiro de Poesia, em Bento Gonçalves, os Jogos Florais de Montevidéu (Uruguai), organizados pelo Movimento aBrace e o Buenos Aires Poesia, realizado na Argentina pelo Grupo Pretextos."Brenda Marques Pena.
Para saber mais sobre o projeto Nós da Poesia, do Instituto Imersão Latina e ficar por dentro de nossa programação, acesse: http://nosdapoesia.blogspot.com 
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Mais informações:
Aproveito e acrescento o nome dos poetas participantes:
Editoração e impressão:
Hímpeto Editorial
Organização: Brenda Marques Pena
Instituto Imersão Latina
Capa e ilustração de poemas: Iara Abreu
Contra-capa: Poemagem de Jaak Bosmans
Arte final: Beto Ferris
Tradução do português para o espanhol: Brenda Marques
Tradução do espanhol para o português: Clevane Pessoa
Revisão do português: Bilá Bernardes
Revisão do espanhol: Iván Verdugo.

AUTORES:
Alfred Asís, Ametista Nunes, Angela Togeiro, Annabel Villar,
Avelin Rosana, Bilá Bernardes, Brenda Mar(que)s Pena, Carlos
Roldán, Cláudio Márcio Barbosa, Clemente Padín, Clevane
Pessoa, Conceição Lima, Daniel de Cullá, Dinorá Couto
(BRASIL), Efraim Bartolomé, Ênio Poeta (BRASIL), Enrique
Godoy Duran, Enrique Hernández-D’Jesús, Gianluca Pereira
Souza, Gioconda Belli, Glória Dávila, Glória Gutiérres Ortiz,
Graça Graúna, Gustavo Ramirez, Helenice Rocha, Helen
Novais, Isabel Vargas, Isabelle Cavalheiro de Melo, Iván
Verdugo, João Manoel Lourenço, José Estanislau Filho, Juan
Disante Luiz Gonzaga Marcelino, Marcos Fabrício Silva, Maria
Eugênia, Maria Inez Fontes Ricco (MIFORI), Marta Reis, Meire
dos Santos, Nela Rio, Noeme Rocha da Silva, Norália de Mello
Castro, Olinda Beja, Pâmilla Vilas Boas, Paz Cerrillo, Rogério
Salgado, Severino Iabá, Solange Passos, Stela Lima Lombardi,
Tereza Lúcia Avelar e Virgilene Araújo.

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Para mim , foi uma honra e uma alegria  traduzir  para nosso idioma os poemas latino -americanos , ler o Português tradicional nos  afro-portugueses  e o Espanhol da Espanha.As raízes latinas, bem firmes!e constatar a diversidade dos autores:crianças do Projeto Pão e Poesia (Contagem-MG), uma poeta adolescente PNE (Síndrome de Down), uma deficiente visual , indígenas brasileiros e latinos, entre várias linguagens e vôos outros da palavra poética, sobre Poesia & Sustentabilidade.
Registro ainda o prazer de ler os textos de Rodrigo Starling  , Roberto Bianchi, Nina Reis (ambos diretores do Movimento Cultural aBrace) ,  e da coordenadora Brenda Mars(Presidente do IMEL) , Conde Thiago de Menezes (Presidente da FALASP)  (prefácios, prólogos, textos elucidativos e orelha e de escrever uma micro homenagem ao saudoso poeta-prosador Luiz Lyrio  (ler em meu blog)
Clevane Pessoa

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Índios recebem comida estragada durante Cúpula dos Povos


Rio +20. Raoni - Cacique kaiapo. Imagem extraído do Google.

Eles recusaram as marmitas com arroz, macarrão, feijão e carne estragados
Da Agência Brasil | 18/06/2012 às 08h27
Jadson Marques/R7


Outra empresa foi contratada às pressas
para servir refeições para os índios


Depois de passar o domingo (17) à base de pão com mortadela, os índios da etnia Pataxó, da Bahia, que participam da Cúpula dos Povos, esperam ter refeições mais saudáveis nesta segunda-feira (18) no Acampamento Terra Livre, instalado no sambódromo, no centro da cidade. Eles tiveram que recorrer ao sanduíche porque as quentinhas servidas no almoço pela organização do evento para representantes de cerca de 15 etnias estavam estragadas.

A denúncia foi feita durante um debate sobre soberania alimentar, no aterro do Flamengo, durante evento paralelo à Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20). Os índios receberam as marmitas com arroz, macarrão, feijão e carne estragados, que foram  recusadas imediatamente pelas lideranças. Não há relatos de doentes.

Da etnia Yanomami, o índio Kopenão, de Roraima, disse que ficou indignado ao receber a marmita com alimentos podres.

— Não é comida para cachorro, é comida contaminada que se dá para os indígenas. Somos seres humanos. Nem animal comia aquilo.

Segundo ele, a carne estava ruim e dava para sentir o cheiro ao abrir a quentinha.

— Vimos na hora.

Liderança da Aldeia Guaxuma, de Porto Seguro (BA), Mucaxo Pataxó também estava entre os que receberam o almoço estragado.

— Não comi porque dava para reconhecer. Como representante dos nossos parentes aqui, na hora vi a comida não dava para comer e devolvi. A gente tem costume de coisa boa, apesar de ser índio. Por que tratam a gente assim?

Se dizendo muito aborrecido, o representante da etnia Xerente, Srewe, de Tocantins, um dos que participou do protesto durante a tarde, contou que foi preciso interromper o debate para relatar a grave situação.

— Desde sábado já tinha reclamação que a comida não era de qualidade. Neste domingo, infelizmente, os povos indígenas não aguentaram. Não estamos acostumados a isso.

Responsável pelo Acampamento Terra Livre, inaugurado para 1.700 índios na última sexta-feira (15), a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil informou que suspendeu o contrato com a empresa fornecedora do almoço. Para o jantar de domingo e para as demais refeições até sexta-feira (22) outra empresa foi contratada às pressas.

Indígenas denunciam violação de direitos na Cúpula dos Povos


 
Rio +20. Imagem extraída do Google.

Pela primeira vez, o Acampamento Terra Livre troca o palco do anúncio de suas reivindicações. Sai de Brasília rumo ao Rio de Janeiro para denunciar às autoridades que participam da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento. Sustentável, a Rio+20, entre os dias 13 e 22 de junho, as violações aos seus direitos. Momento oportuno para chamar atenção à uma causa quase invisível no País, já que durante os próximos dias os olhares do mundo estarão voltados para a capital carioca.

“Era importante trazer o acampamento para a Cúpula dos Povos, na Rio+20. É um evento mundial, e um momento muito oportuno para os povos indígenas mostrarem a cara e dizerem o que está acontecendo no Brasil”, destaca Sonia Guajajara, vice-coordenadora das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e integrante da direção nacional da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib).

 
Rio +20. Imagem extraídda do Google

Entre as denúncias listadas estão os inúmeros empreendimentos em andamento e planejamento no País que afetam terras indígenas; o descumprimento da Convenção 169, da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que manda fazer consultas prévias e informadas aos indígenas em caso de obras que impactam suas terras; o Código Florestal, recém “emendado” pela Presidente Dilma Rousseff; a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215, em discussão no Congresso, que reorienta o processo de demarcação de Terras Indígenas.
“Tudo isso causa um impacto grande na vida dos povos indígenas. Então, nós viemos para cá para dar visibilidade às nossas lutas e para mostrar que este modelo de desenvolvimento que está sendo discutido não é bom e não corresponde com a nossa realidade. Nós vemos o desenvolvimento de outra forma: que reconheça os direitos, que reconheça a vida social, que não desaloje as pessoas. Nós queremos mostrar ao mundo o que é ser realmente sustentável. Porque ninguém melhor que os povos indígenas para dizer o que é sustentabilidade”, completa.
O Acampamento Terra Livre foi aberto nesta quinta-feira (15), no Aterro do Flamengo, junto com as demais atividades propostas na Cúpula dos Povos, evento paralelo à Rio+20, proposto pela sociedade civil para discutir os principais problemas enfrentados pela humanidade. A expectativa é que 1,5 mil indígenas do Brasil e de países da América Latina se juntem nas discussões para formatar um documento que será entregue à Organização das Nações Unidas (ONU) e aos chefes de Estado durante a conferência oficial, realizada no Riocentro, entre os dias 20 e 22 de junho. Até agora, 500 indígenas chegaram ao acampamento.
Para Winti Kisêdjê, presidente da Associação Terra Indígena Xingu (Atix), ver a participação de vários povos fortalece a pauta e dá visibilidade à questão indígena. “Nosso foco de reivindicação são as hidrelétricas que estão sendo feitas, porque isso não é bom e a gente não quer que seja construída, e a questão das nossas terras. É importante ver gente de todas as regiões para mostrar nossa luta. Para as pessoas conhecerem a gente e verem que cada povo está se organizando para lutar contra as coisas que acabam prejudicando nosso povo”, diz.
Mais que um aglomerado de gente, Jurandir Siridiwe Xavante, cacique da aldeia Etenheritipá, em Mato Grosso, lembra que é preciso a construção de uma pauta forte, conjunta, para apresentar aos líderes mundiais. “Temos que mostrar para os homens do negócio, que estão aí na Cúpula, e na conferência oficial, que nós temos o que dizer. Mostrar para eles, que estão no Brasil fazendo negócio, que praticamente o que sobrou de área verde está nas Terras Indígenas, nas Áreas Protegidas. Então, não podemos deixar que o desenvolvimento dessa forma que está hoje avance. Temos que mostrar que estamos ameaçados por esse progresso”, diz. 

 
Rio +20. Imagem extraída do Google.

Violência invisível
De acordo com os dados divulgados no último relatório “Violência contra os Povos Indígenas do Brasil”, do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), em 2011 foram registrados 51 assassinatos de indígenas. Desses, 32 eram de Mato Grosso do Sul.
O documento registrou ainda que o número de casos na Bahia também aumentou, com o assassinato de cinco índios pataxó. Coincidência ou não, os casos cresceram bem no ano que os índios reforçaram a luta por suas terras e o Supremo Tribunal Federal (STF) retomou o julgamento iniciado pela Funai há mais de 30 anos e que só foi finalizado em maio deste ano, a favor dos índios (saiba mais).
“Desde Marçal de Souza ninguém foi preso. Precisamos resolver a demarcação, pois com isso, resolvemos tudo. Por isso é importante estarmos aqui e obrigar o governo a tratar dessas questões”, aponta Otoniel Ricardo Kaiowá, da coordenação da Apib e membro da Aty Guasu, as grande assembleia do povo guarani-kaiowá.
Marçal de Souza foi um grande líder guarani nhandeva assassinado em 1983, em Mato Grosso do Sul. Desde o início dos anos 1970 denunciava a expropriação de Terras Indígenas, a exploração ilegal de madeira, a escravização de índios e o tráfico de meninas índias. Foi perseguido, sofreu ameaças e muitas agressões, até que foi morto a tiros em sua casa e os acusados do crime foram absolvidos num julgamento realizado apenas 10 anos depois.

Fonte: ISA, Christiane Peres.