sábado, 15 de dezembro de 2012

Poesia e performance do cotidiano

Magritte. Extraído do Google

O final do semestre acadêmico (2012.2), no Curso de Letras da UPE/Campus Garanhuns - especificamente o IV e VII períodos – foi mesclado de leituras poéticas e outras práticas literárias tais como as reflexões acerca do livro "Flicts", de Ziraldo, sob a orientação do Prof. Jairo Luna. Outro momento importante foi a proposta da aluna Karla Karine, com o poema “Múltiplas faces",  orientanda do Prof. Elcy Cruz. Por sua vez, o IV Período de Letras  da noite (com a minha orientação)  mostrou completo envolvimento com a poética barroca da portuguesa Mariana Alforado. Com essas atividades, reafirmamos nosso compromisso com a Literatura, esperando que as produções literárias se multipliquem em nossas vidas dentro e fora da Universidade.
Outro momento impar, no campo literário, vale destacar: trata-se do trabalho de conclusão do Curso de Especialização da poeta Marcia Maracajá. Ela defendeu sua monografia na UAG/UFRPE. Participei da banca de avaliação ao lado do Prof. Nilson Carvalho e da Profª. Marcia Félix. O trabalho de Maracaja enfatiza o "Corpo como mídia dizível: a performance literária no contexto educacional".  
Esses acontecimentos podem ser lidos também à luz das boas palavras de René Magritte ("Isto não é um cachimbo"). Aqui, tomo a liberdade de apresentar um fragmento do prefácio que esse artista escreveu na década de 60. O texto completo será apresentado, aqui, no início do ano letivo, em 2013. O que sugere Magritte?

“A semelhança – tal como é usada na linguagem cotidiana – é atribuída às coisas que possuem ou não natureza comum. Diz-se: parecidos como duas gotas d’água, e diz-se, com a mesma facilidade, que o falso se parece com o autentico. Esta pretensa semelhança consiste em relações de similitude, distinguidas pelo pensamento que examina, avalia e compara. Tais atos do pensamento se efetuam com uma consciência que não vai além das similitudes possíveis: a essa consciência, as coisas revelam apenas seu caráter de similitude.
A semelhança se identifica com o ato essencial do pensamento: o de parecer. O pensamento parece tornar-se aquilo que o mundo lhe oferece e restituir aquilo que lhe é oferecido, ao mistério no qual não haveria nenhuma possibilidade de mundo nem de pensamento. A inspiração é o acontecimento onde surge a semelhança.
A arte de pintar – não concebida como mistificação mais ou menos inocente – não seria capaz de enunciar ideias nem exprimir sentimentos: a imagem de um rosto que chora não exprime a tristeza, do mesmo modo que não anuncia uma ideia de tristeza, pois ideias e sentimentos não possuem nenhuma forma visível” (MAGRITTE, 1961)

Com o  poema “Múltiplas faces”, de Karine, desejo que o ano de 2013 seja repleto de bons fluídos, pois não saiu da validade o direito de sonhar, o direito à expressão de Liberdade.
Que  Ñanderu/Deus/Tupã  nos acolha.

Graça Graúna, Nordeste do Brasil.

 Imagem extraída do Google

Múltiplas faces

Autoria: Karla Karine Tenório
(aluna do VII Período
de Letras,  UPE/Campus Garanhuns).

Apresento as faces,                                   
As cores revertidas
O preto sobre o branco,
O branco sobre o preto.
As cores!       
Cadê as cores?
Não há cor,
Apenas as faces humanas.
Uma reflete o animus,                                           
Outra anima,                                                                 
Ambas acendem a luz,                                            
E clareiam o nosso devaneio de infância,         
As variações nos deixam tontos,                               
Sempre há montante sobre mim mesmo.

Vagando pelos campos,
O poeta solitário,
Inventa! Não há nada perdido,                                
No fundo de sua memória,                                              
Que aurora, será rasgada                                                    
A face dupla cor.

Ressurgiu rememorada?
Os lentiscos de tristeza,
Que rememoramos a vida inteira
A nostálgica criança pensativa e triste,
Que nunca ri,
Silenciosa e triste.

A face aveludada,
Que encobre o amargo espetáculo,
E escorre liquido, entre as formas distorcidas
Da realidade amarga.



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