terça-feira, 29 de março de 2011

Memória, justiça e verdade


La ASOCIACIÓN CIVIL ABUELAS DE LA PAZ es una organización independiente, no partidaria y sin fines de lucro, que tiene por misión reunir el apoyo de la mayor cantidad de personas e instituciones en todo el mundo, para que las ABUELAS de PLAZA de MAYO sean reconocidas internacionalmente por su gran trayectoria trabajando por la paz, la justicia y los derechos humanos.
Para mayor información visite: www.abuelasdelapaz.com.ar

segunda-feira, 28 de março de 2011

Para não esquecer: “os índios na visão dos potiguara”


Imagem: blog Guerreiros Potiguara


Geralmente, no dia 19 de abril, a mídia costuma apresentar informações um tanto superficiais em torno dos povos indígenas no Brasil. Espera-se com a implementação da lei 11645/08, que não só a rede de ensino (do fundamental ao universitário, do ensino público ou particular) e outros segmentos da sociedade possam refletir acerca dos povos originários na visão dos próprios indígenas.

Para não esquecer que "todo dia é dia de índio" como diz a  música; a semana dos povos indígenas contará com o lançamento do livro “Índios na visão dos Potiguara”, na aldeia São Francisco - Baía da Traição/PB. Para celebrar o acontecimento, os Potiguara apresentarão também o grande ritual de toré. A propósito desse lançamento, os responsáveis pelo Blog Guerreiros Potiguara revelam: “Estamos felizes pelo trabalho realizado e esperamos que todos possam curtir o resultado junto conosco".

O toré contará com a participação de parentes Potiguara de todas as aldeias. O acontecimento será compartilhado também por estudantes secundaristas e universitários, pessoas de cidades vizinhas, pesquisadores e representantes dos órgãos que apóiam a causa indígena. Na visão dos parentes potiguara: “este é o momento propício para lançar nosso livro, pois poderemos compartilhá-lo com todos os presentes num momento festivo”.

Como se pode ver, a literatura de autoria indígena vem se firmando cada vez mais como parte da história e da cultura que infelizmente o Brasil/Brazil desconhece.


São Paulo, 28 de março de 2011
Graça Graúna

sábado, 26 de março de 2011

Acre: Festival de Cultura indígena huni kuin



Srs(as):
Eu, Fabiano Txana Bane Huni Kuin venho fazer através da organização Askarj, um convite para nosso festival cultural, onde celebraremos o ano de 2011 - tempo da natureza.
A importância do festival é mostrar o caminho do povo indigena huni kuin, de viver na floresta a muitos anos sem destruir.
E nesse encontro o povo Huni Kuin, está abrindo o conhecimento que vem da natureza através da arte como pinturas e danças, comidas tradicionais e medicinas de curas. Cantos e brincadeiras são alegrias para nossos espiritos, assim vamos trazendo muita saúde e abundância de trabalhos e prosperidade para nossas vidas.
Todos são convidados - aqueles que sentirem o chamado em seu coração, trazendo espirito de paz e compartilhamento. Quem tiver interesse entrar em contato, com nossa produção para esclarecer detalhes da viagem para a floresta.

Assinado: Fabiano Txana Bane
(representante indígena Huni Kun, do Jordão - Acre - Brasil)

sexta-feira, 25 de março de 2011

Violações contra crianças e adolescentes indígenas no Chile




Reportagem: Karol Assunção (Jornalista da Adital)

A violência sofrida por crianças mapuche no Chile foi tema de audiência realizada na tarde de hoje (25) na Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), em Washington, Estados Unidos. Na ocasião, organizações sociais chilenas e latino-americanas apresentaram o "Relatório sobre Violência Institucional contra a Infância Mapuche no Chile”, documento que destaca as violações aos direitos humanos realizadas pelo Estado chileno contra crianças e adolescentes mapuche.
De acordo com as organizações de defesa dos direitos das crianças e dos adolescentes, essa foi a primeira audiência realizada na CIDH sobre a infância mapuche do Chile. A intenção das organizações foi apresentar o documento com as violações à infância e adolescência mapuche chilena a fim de que a Comissão solicite ao Estado do Chile medidas para que este respeite os direitos dos menores de idade mapuche de acordo com as normas e convenções de direitos humanos internacionais
O relatório revela casos de violência cometida por agentes de Estado contra meninos, meninas e adolescentes de nove meses a 17 anos no marco das manifestações pela recuperação das terras ancestrais. Notícias dão conta de mais de 100 casos entre os anos de 2001 e 2011.
Detenções arbitrárias, ameaças, perseguições e menores de 18 anos presos sem estabelecer comunicação com os pais são apenas algumas violações aos direitos da criança e do adolescente destacadas no documento. De acordo com as organizações que apresentaram o relatório, muitos mapuche foram vítimas de balas, bombas lacrimogêneas, torturas, agressões com armas de fogo, tratamentos degradantes e até de assassinatos.
Para as organizações, os agentes do Estado atuam de forma "violenta e desproporcional”, sem respeitar os direitos de crianças e adolescentes estabelecidos em tratados e leis nacionais e internacionais. A situação relatada no documento refere-se aos últimos 11 anos.
Segundo informações publicadas pela Associação Chilena de Organismos Não Governamentais (Acción), os representantes das instituições de defesa das crianças destacaram também - antes da audiência - a aplicação "ilegal e ilegítima” da Lei Antiterrorista para os adolescentes mapuche. Foi o caso do porta-voz da Rede de ONGs da Infância e Juventude do Chile, Carlos Muñoz Reyes, quem lembrou que a Lei foi utilizada em cinco casos de menores de 18 anos.
"[...] o que não só é contraditório com a Lei de Responsabilidade Penal Adolescente e viola a Convenção Internacional dos Direitos da Criança e a Convenção Internacional dos Direitos da Criança, que aponta que os meninos e as meninas em conflito com a lei requerem um tratamento especial, mas que, ademais, vai contra a modificação legislativa que se fez na Lei Antiterrorista em 2010, onde se exclui expressamente sua aplicação aos casos em que estejam envolvidas pessoas menores de 18 anos”, observou.
A apresentação do informe à CIDH ficou a cargo de Carlos Muñoz Reyes e de Ana Cortez Salas, coordenadora do Projeto Pichikeche, da Fundação de Apoio à Infância Desprotegida (Fundação Anide, por sua sigla em espanhol). A audiência contou ainda com a presença de Georgina Villalta, integrante da Rede Latino-Americana e Caribenha pelos Direitos dos Meninos, das Meninas e dos Adolescentes (REDLAMYC).

Com informações de Acción.

Nota: ao publicar em meio impresso, favor citar a fonte e enviar cópia para: ADITAL - Caixa Postal 131 - CEP 60.001-970 - Fortaleza - Ceará - Brasil

domingo, 20 de março de 2011

El maltrato de la iglesia con los indígenas


El Códice de Iztacmixtitlan muestra el maltrato de la iglesia hacia los indígenas: Leander


El maltrato y trato discriminatorio que sufrieron los indígenas que vivieron a fines del siglo XVI, en México, por parte de los sacerdotes españoles, es uno de los testimonios que ha resguardado fielmente el Códice de Iztacmixtitlan, fechado en 1564 y encontrado en Puebla, dio a conocer la investigadora de origen sueco Birgitta Leander, considerada una de las grandes especialistas mundiales en el estudio de la escritura de los pueblos mesoamericanos.
Desde hace casi cinco siglos, ciertas prácticas de la represión oficial no han variado. Lo mismo que ocurrió en Puebla en el siglo XVI puede observarse a finales del XIX en otras partes del país y en las postrimerías del siglo XX en Chiapas.
En entrevista, expuso que en el Códice de Iztacmixtitlan se plasmó una rebelión de indígenas que huye del poblado conocido ahora como San Francisco Iztacmixtitlan –que perteneció al cacicazgo de Tetela–, porque no quería pagar tribuno a la iglesia ni hacerle trabajos forzosos.
Debido a ello, la autoridad eclesiástica organiza a otro grupo de indígenas que somete a los rebeldes, con violencia física y el incendio de sus viviendas, para obligarlos a regresar al pueblo y participar en la construcción de un monasterio.
De vuelta al pueblo, relató Leander, las víctimas atacaron a los curas y a los topiles (alguaciles indígenas) contratados con las consecuencias descritas en este códice. Según el expediente en náhuatl forma parte del proceso judicial al que fueron sometidos los rebeldes.
El texto pictográfico de tipo azteca, no trae comentarios ni en español ni en náhuatl, más que puras imágenes: un cura al que un indígena ensangrentado le jala el cordón que trae atado a la cintura.

Redactados con la escritura pictográfica prehispánica, pero en náhuatl, algunos códices tienen también comentarios escritos en la lengua española del siglo XVI. En algunos casos, como en el códice de Otlazpan, las acotaciones son tan amplias que permiten calificarlo como la “Piedra de roseta de los aztecas”.
En tanto, Birgitta Leander detalló que el Códice de Cuauhtitlan, de 1568, es un documento jurídico que presenta una queja de 13 indígenas por el maltrato sufrido por imposiciones de un español. La denuncia está dirigida a las autoridades coloniales y en ella se deja constancia del maltrato sufrido a manos de un español de alto rango que les ha obligado a construir y pintar una banqueta, sin haberles dado el dinero suficiente para comprar la pintura que les permita terminar el trabajo.
Como castigo por no haber terminado el trabajo, el español mandó a los 13 indígenas a la cárcel, donde los obliga a terminar la tarea. “El documento –destacó– constituye un testimonio de la inconformidad indígena con el trato que les daban algunos españoles, explotadores e injustos”.
A propósito del libro, que está a punto de entrar a la imprenta, Leander informó a La Jornada de Oriente que para octubre saldrá a la luz pública la interpretación de los cuatro códices precolombinos, en cinco tomos, a los que ha dedicado más de 30 años de investigación. Se trata de los códices de Tepexi (Hidalgo), Otlazpan (Hidalgo), Iztacmixtitlan (Puebla) y Cuauhtitlán (estado de México).
A Leander el gobierno de México le otorgó en 2003 la Orden del Águila Azteca, y ese mismo año recibió el Doctor Honoris Causa de la Universidad de las Américas (UDLA).
Finalmente, informó que ofrecerá un curso sobre “Códices mexicanos y pueblos indígenas del mundo”, en la Universidad Iberoamericana, campus Puebla, a partir del 8 de septiembre.

Nota
para publicar esta matéria neste blog recebi autorização de: 

sexta-feira, 18 de março de 2011

Milhares de índios foram escravizados e dizimados durante o boom da borracha.


 Imagem: Adital

América do Sul: 100 anos da denúncia do horrendo tratamento dado aos indígenas. Milhares de índios foram escravizados e dizimados durante o boom da borracha.

© W Harden, Survival International
Survival pelos povos indígenas
Adital



© W Hardenburg

30 mil índios da Amazônia foram escravizados, torturados, violentados sexualmente e morreram de fome em apenas 12 anos, durante o boom da borracha, de acordo com um relatório histórico apresentado pelo investigador irlandês, Roger Casement, há 100 anos hoje.
Casement foi enviado pelo governo britânico para investigar crimes cometidos pela gigante empresa britânica de exploração de borracha, a Companhia Amazônia Peruana. Ele descobriu, "Os crimes praticados por muitos homens, agora a serviço da Companhia Amazônia Peruana, são do tipo mais cruéis, incluindo assassinatos, violações e flagelações constantes".
Agentes da empresa detiveram dezenas de tribos indígenas na Amazônia ocidental para coletar borracha silvestre para os mercados europeu e americano. Em poucas décadas, muitas das tribos foram totalmente eliminadas.
Grande parte dos detalhes desse episódio horroroso foi esquecido, mas para os descendentes dos sobreviventes do boom da borracha, é impossível de ignorar a realidade da continua ‘colheita da floresta’.
Os índios isolados, vistos em novas imagens impressionantes no mês passado, são provavelmente descendentes de sobreviventes do boom da borracha, enquanto nas proximidades outra "colheita da floresta" está acontecendo em territórios de tribos isoladas. Madeireiros ilegais, impulsionados pelo elevado valor de madeiras ameaçadas de extinção, estão pressionando ainda mais seus lares na floresta remota.
Uma organização de conservação dos EUA, Upper Amazonas Conservancy (UAC), documentou acampamentos ilegais de madeiraras em áreas habitadas pelos índios isolados da tribo Murunahua no Peru apenas seis meses atrás. No entanto, segundo um comunicado do ministro do Meio Ambiente do Peru na semana passada, o governo tem registro de quase 100% de controle. "Cada árvore de mogno que é cortada hoje é geo-referenciada e controlada".
O porta-voz da UAC, Chris Fagan, disse a Survival, ‘A declaração do ministro é 100% errada. A maioria do mogno continua a ser cortado em áreas protegidas ou em terras indígenas no Peru de forma ilegal, sem aderir a planos de gestão adequados.’
O diretor da Survival International, Stephen Corry, disse hoje, ‘Onde há dinheiro a ser feito na Amazônia, seja para cortá-la ou tomar suas riquezas enquanto a deixam em pé, tribos indígenas acabam mortas. Essa foi a história de uma centena de anos atrás, e é a história de hoje. Um século de declarações de direitos humanos e inúmeros planos elaborados para salvar a floresta, não fizeram muita diferença; eles não farão até o momento que os índios, quem são os donos das terras, sejam colocados no centro do debate. Eles provaram ao longo dos anos que eles são de longe os melhores guardiões de sua própria terra’.

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Nota da Adital
Leia sobre esta historia na página Survival na internet (em espanhol): http://www.survival.es/noticias/7094
Para mais informações e imagens, por favor entre em contato com Miriam Ross (em inglês e português) no telefone (+44) (0)20 7687 8734 ou (+44) (0)7504 543 367 ou por email mr@survivalinternational.org

domingo, 13 de março de 2011

Mexico: Encuentro Indígena Latinoamericano


foto: El Sol de Tulancingo

Texto: Concepción Ocádiz

Tulancingo, Hidalgo.- El próximo 20 de marzo, en Tulancingo, realizarán el Primer Encuentro Indígena Latinoamericano "Por el Derecho a la Memoria", dentro de las actividades de Equinoccio Huapalcalli en la aun no declarada zona arqueológica de Huapalcalco.
Habrá una ceremonia indígena con la participación de países como Brasil-Perú-México, informó, Cristina de la Concha.
La promotora cultural exteriorizó que participarán los representantes indígenas Eliane Potiguara de Brasil y Gloria Dávila de Perú.
Igualmente líderes indígenas de etnias hidalguenses y de los estados de Jalisco, Oaxaca y Chiapas en el Auditorio Ejidal de la Comunidad de Huapalcalco.
El Foro de este Primer Encuentro Indígena Latinoamericano, es organizado por la Red de Organizaciones de la Sociedad Civil "Redosc Hidalgo 84".
El propósito, sostuvo Cristina de la Concha es promover y fomentar la articulación entre diversos actores de la cultura, líderes indígenas y defensores de los derechos humanos nacionales e internacionales a fin de que los trabajos y acuerdos productos del primer encuentro indígena tengan una proyección y difusión a nivel nacional e internacional.
Jorge Echeverría, presidente de la "Redosc" expresó que este foro, se realiza en colaboración con el Consejo Pro Difusión de la Cultura Prehispánica Huapalcalli, A.C., el Enlace Ciudadano de Mujeres Indígenas de Santa Ana Tzacuala In Yólotl, la Unión Latinoamericana de Escritores ULatE, Culturalcingo, A.C que preside Cristina de la Concha y las asociaciones miembros de la "Redosc Hidalgo 84".
A la par de la jornada se pretende construir la Primera Agenda Indígena de Hidalgo a través del análisis y reflexión de la nueva Ley de Derechos y Cultura Indígena para el Estado, la cual fue aprobada en diciembre del 2010.
Igualmente intercambiar experiencias, conocimientos, prácticas y saberes, con los pueblos participantes y de establecer mecanismos de colaboración futura de un amplio grupo de actores sociales estatales, nacionales e internacionales a fin de que este espacio sea un lugar sagrado que promueva  interrelaciones sociales para el debate amplio e incluyente.
El evento internacional, dijo Cristina de la Concha, finalizará con la presencia de 60 escritores procedentes de México, Brasil, Argentina, Chile, El Salvador, Nicaragua, Estados Unidos e Hidalgo.
"Por el derecho a la memoria" se realizará dentro del marco Equinoccio Enlace Huapalcalli 2011 el 20 de marzo, y como parte del Tercer Encuentro Latinoamericano de Escritores que se celebrará del 18 al 25 de Marzo en Pachuca Tulancingo y el Valle del Mezquital.

sábado, 12 de março de 2011

Indígenas de Pernambuco preservam identidade e costumes


 Grupo Fehtxa Fulni-ô


Fonte:
Marcelo Manzatti , Clipping da 6ª CCR do MPF e Gazeta de Alagoas (Patricia bastos - reporter)


Idioma Yaathe é ensinado na escola da tribo desde o Ensino Infantil

          Águas Belas (PE) – Apesar de viverem a uma pequena distância de Alagoas, os índios Fulni-Ô, de Águas Belas, em Pernambuco, vivem uma realidade muito diferente das tribos indígenas alagoanas, que ainda lutam pela demarcação das terras e em alguns casos até para serem reconhecidas. A aldeia Fulni-Ô fica ligada à cidade e em quase nada lembra as imagens de tribos indígenas que costumam ser retratadas na televisão.
          Mas mesmo vivendo em casas de alvenaria, muitos estudando ou trabalhando fora, os Fulni-Ô mantém a identidade indígena. Durante três meses do ano eles realizam o Ouricuri, ritual sagrado, que é feito em outra parte da aldeia e as crianças, desde muito pequenas, são acostumadas com os rituais e as danças da tribo, mesmo através de gravações de vídeo. Além disso, o idioma Yaathe é ensinado na escola da tribo desde o Ensino Infantil. De acordo com os próprios índios, nenhuma outra tribo de Pernambuco mantém seu idioma original. “Sou capaz de fazer o que você faz e ser o que você é, mas você jamais poderá ser o que sou”, resume o índio Wilmer Correia Casemiro, formado em Direito e que exerce advocacia na cidade. Assim como ele, muitos filhos da nação Fulni-Ô deixam a tribo para fazer faculdade. Mas após completar os estudos, todos voltam para sua “terra-mãe”.

Relação com homem branco em estado de tensão

          Águas Belas (PE) – A harmonia entre os habitantes da tribo Fulni-Ô, contudo, praticamente acaba quando se fala sobre relação dos índios com a vida fora da aldeia. A filha do cacique, Maristela de Albuquerque Santos, coordenadora-geral da escola indígena Fulni-Ô, afirma que o relacionamento entre a tribo e a cidade está em constante estado de tensão.
          “Os prefeitos que passaram por Águas Belas sempre usaram o índio para justificar a inoperância deles. Eles dizem que não podem trabalhar para fazer a cidade crescer por nossa culpa, porque a gente não deixa. Mas isso não é verdade. Antes das eleições, todos os candidatos vêm até a aldeia fazer promessas e dizem que vão trabalhar em harmonia com a tribo. Depois da eleição, eles esquecem tudo”, reclama.
Esse constante estado de tensão se deve tanto ao preconceito contra os índios, quando à questão da terra.
          O “Anjo das pernas tortas” saiu da tribo Fulni-Ô Águas Belas (PE) – Além de falar sobre a bravura dos antepassados na Guerra do Paraguai e na luta contra os coronéis na região, os Fulni-Ô se orgulham também de um indígena saído da tribo, cujo nome ficou conhecido internacionalmente no futebol: Mané Garrincha. “Muita gente ainda acredita que o Garrincha nasceu na periferia do Rio de Janeiro, só a partir da biografia do escritor Ruy Castro é que as pessoas passaram a acreditar que o “Anjo das Pernas Tortas” era Fulni-Ô”, afirma o índio Clodomiro Tafkeá. Ele conta que o menino Manoel dos Santos viveu na tribo até os 11 anos de idade e foi embora com a família para o Rio de Janeiro, num carro de boi, em busca de melhores condições de vida.

Eles ganham o mercado de trabalho na cidade

          Águas Belas (PE) – Enquanto outros indígenas não ficam conhecidos no futebol, outros jovens Fulni-Ô buscam outras áreas de trabalho dominadas pelos “não-índios”. Entre os moradores da aldeia de Águas Belas há professores com curso superior, advogado, administradora de empresa, fisioterapeuta, entre outros. Há também muitos jovens estudando em escolas técnicas em regime de internato e cursando universidades públicas em Recife.
          “A gente faz isso por uma questão de sobrevivência. Não há condições dos índios viverem como antigamente, já faz muito tempo que não há mais caça nessa região, e o rio agora existe apenas durante alguns meses do ano. Para sobreviver, precisa deixar a sua aldeia para aprender a profissão do branco”, justifica o advogado Wilmer Correia Casemiro.

Imagem disponível em:
http://festivalcocodetore.blogspot.com

segunda-feira, 7 de março de 2011

8 de março: de pedras e flores


 Imagem: tela de Ary Salles

No ano de 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o Dia Internacional da Mulher, em homenagem as 130 tecelãs que morreram em 1857,  numa fábrica, em Nova York. Somente no ano de 1975, por meio de um decreto, a data foi oficializada pela Organização das Nações Unidas (ONU).
Para homenagear as 130 tecelãs, penso em um nome da literatura universal; um nome que é símbolo da história da mulher no Brasil e do papel da mulher na sociedade.
Penso em Cora Coralina (20/08/1889 – 10/04/1985+), pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas - poeta e contista brasileira. Coralina publicou seu primeiro livro aos 76 anos de idade. Mulher simples, doceira, ela viveu longe dos grandes centros urbanos. Alheia a modismos literários, produziu uma obra poética rica em motivos do cotidiano do interior brasileiro.
Penso também nas minhas filhas Ana e Agnes e no meu filho Fabiano: os três cresceram ouvindo as “estórias da casa velha da ponte”; penso em minha mãe Noemia – que me ensinou a costurar os dias e, em todas as mulheres da minha família - minha tia Fisa que acolhia em seu hotel (o primeiro hotel de São José do Campestre/RN) os romeiros de "Padim Ciço" e em minha avó Conceição Amador cujo semblante me lembrava o doce rosto de Coralina. 

Para repensar esse dia, tomo a liberdade de apresentar dois poemas de Coralina: “Das pedras” e o “Chamado das pedras” (In: Meu livro de cordel) e mais a tela pintada por Ary Salles que retratou muito bem a imagem da nossa Cora Coralina – poeta dos becos de Goiás.

Cerrado de Brasília/DF, 7 de março de 2011.
Graça Graúna


Das pedras

Ajuntei todas as pedras
que vieram sobre mim.
Levantei uma escada muito alta
e no alto subi.
Teci um tapete floreado
e no sonho me perdi.

 Uma estrada,
um leito
uma casa,
um companheiro.
Tudo de pedra.

Entre pedras
cresceu a minha poesia.



Minha vida...
Quebrando pedras
e plantando flores.

Entre pedras que me esmagavam
Levantei a pedra rude
dos meus versos.


(Cora Coralina. Meu Livro de Cordel, p.13, 1998)


O chamado das pedras
A estrada está deserta.
Vou caminhando sozinha.
Ninguém me espera no caminho.
Ninguém acende a luz.
A velha candeia de azeite
de lá muito se apagou.


Tudo deserto.
A longa caminhada.
A longa noite escura.
Ninguém me estende a mão.
E as mãos atiram pedras.
Sozinha...


Errada a estrada.
No frio, no escuro, no abandono.
Tateio em volta e procuro a luz.
Meus olhos estão fechados.
Meus olhos estão cegos.
Vêm do passado.


Num bramido de dor.
Num espasmo de agonia
Ouço um vagido de criança.
É meu filho que acaba de nascer.


Sozinha...
Na estrada deserta,
Sempre a procurar
o perdido tempo que ficou pra trás.
Do perdido tempo.

Do passado tempo
escuto a voz das pedras:
Volta...Volta...Volta...


E os morros abriam para mim
Imensos braços vegetais.

E os sinos das igrejas
Que ouvia na distância
Diziam: Vem... Vem... Vem... 


E as rolinhas fogo-pagou
Das velhas cumeeiras:
Porque não voltou...
Porque não voltou...


E a água do rio que corria

Chamava...chamava...Vestida de cabelos brancos
Voltei sozinha à velha casa deserta.

(Cora Coralina. Meu Livro de Cordel, p.84, 8°ed., 1998)

terça-feira, 1 de março de 2011

Dicionário de mulheres autoras


          Recentemente fui convidada para ter o meu nome como verbete no Dicionário de mulheres autoras. Com alegria, vejo o meu nome ao lado de outras mulheres escritoras que admiro muito, entre elas a  organizadora dessa obra que  é Hilda Agnes Hübner Flores - professora doutora pela PUCRS, aposentada, historiadora, escritora de 16 livros editados. Pesquisadora na temática de gênero, em 1999 Hilda lançou o Dicionário de Mulheres, com 3.300 verbetes de autoras do Brasil (576 pág., 16 x 23 cm), obra premiada, referencial da produção feminina no país. O lançamento da 2a edição será no dia 02 de maio de 2011, no Teatro Alberto Maranhão (Natal/RN). A mais recente obra autografada pela Dra. Hilda Flores foi em Porto Alegre/RS: "Mulheres na Guerra do Paraguai", com absoluto êxito.

ALGUMAS MULHERES
Anna Maria Cascudo Barreto/ Denise Pereira Gaspar/ Dione Maria Caldas Xavier/ Lúcia Helena Pereira/ Graziela Costa Fonseca/ Daisy Maria Gonlaves Leite/ Leide Câmara de Oliveira/ Liege Barbalho/ Maria do Carmo Campos/ Maria Teixeira Campos/ Darcy Girassol/ Leda Marinho Varela Costa/ Leopoldina Marinho da Costa/ Vitória dos Santos Costa/Zenaide Almeida Costa/ Diva Cunha Pereira de Macedo/ Maria Antonieta Bittencourt Dutra/ Maria Madalena Antunes Pereira/ Maria do Socorro de Oliveira Evangelista/ Kacianni Ferreira/ Conceição Flores/ Nisia Pimentel Torres Galvão/ Flauzineide Machado/ Josette Lassance Maya/ Maria de Fátima Medeiros/ Zelma Bezerra Furtado de Medeiros/ Zenóbia Collares Moreira Cunha/ Fênix Serália Galvão Nunes/ Justina Iva de Araújo Silva/ Nilze Costa e Silva/ Valéria Borges Silveira/ Maria Aldenita de Sá Leitão Fonseca de Souza/ Maria antonieta Bittencourt Dutra/ Telma Brihante/ Ilza Araújo Leão/ Tereza de Queiroz Aranha/ Adelaide Câmara/ Maria Sylvia de Vasconcelos Mendes Câmara/ Marize Castro/ Tereza Neumann de Souza Christensen/ Maria do Livramento Miranda Clementino/ Leopoldina Marinho da Costa/ Vitória dos Santos Costa/ Anunciada Maria Dutra/ Donatilla Dantas/ Altamira Chaves Medeiros Dourado/ Edna Duarte/ Maria das Dores Lucena Fernandes/ Sônia Maria Fernandes/ Maria do Carmo Carvalho Fontenelle/ Isabel Gondim/ GRAÇA GRAÚNA (Maria das Graças Ferreira)/Maria Simonetti Gadelha Grillo/ Santa Caetana de Brito Guerra/ Maria Albertina Guilherme/ Zulmira Maria Araújo Hartz/ Haidé Nóbrega Simões/ Leda Maria de Miranda Hühner/ Maria das Mercês Leite/ Cordélia Sylvia/ Clevane Pessoa de Araújo / Sophia A. Lyra/ Flauzineide Moura Machado/ Myriam Gurgel Maia/ Heloisa Maranhão/ Darcy Girassol/ Palira e Carolina Wanderley/Maria Segunda Marinho/ Zélia Maria Bezerra Mariz / Yvonne Rêgo Miranda/ Welshe Elda Tonhozi de Noronha/ Adelaide Cristina de Oliveira/ Ana Madalena Fontoura de Oliveira/Maria do socorro Trindade Oliveira/ Cândida Maranhão Otero/ Clarice da Silva Pereira Palma/Ana Lima Pimentel/ Vera Maria de Queiroz/ Ozelita Cscudo Rodrigues/ Isaura Ester Fernandes Rolim/ Maria Ilka Silva, Maria Rosineide Otaviano da Silveira/, entre outras.