quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Enquanto houver poesia...


Faz algum tempo, escrevi um poema intitulado Instante da palavra. Confesso que inicialmente não gostei do que escrevi e resolvi que o melhor a fazer seria deixar maturar o instante. Engavetei o desejo e deixei o instante pulsando na memória. A vontade de falar de poesia sempre vinha nos momentos inesperados, embora a palavra a cada instante pedisse algo mais racional, pois era preciso cumprir as tarefas acadêmicas. Em meio a essa inquietação ouvi a voz do texto e deixei que viesse a palavra entranhada na luta de cada dia, da poesia, do ser poeta. Acreditando também que todo dia pode ser o dia da poesia, revisitei meu velho poema e o exponho hoje: Dia do poeta. Assim, a todos(as) que ainda crêem na esperança e na força poesia dedico este Instante da palavra.  
Que Ñanderu nos acolha,
Graça Graúna

Cadeira, de Van Gogh

INSTANTE DA PALAVRA

                             
...como se fora seda
como se fora véu
um livro entre as maõs
palavras cheias de vida.

Todos os sentidos são
um véu cintilante
entremeado de alegrias e tristezas.

O mundo gira.

Fora da prisão
quantas vidas ainda pra viver
quantos rios ainda pra correr
tanto mar, quantas lágrimas
tanto sal
e apesar de tudo
muito por saber...
sete vidas
sete selos
sete chaves
sete portais de saberes
sete estrelo
sete chapéus
sete luas
sete sóis
tanta chuva...

em meio aos sentidos
o desafio
para o dia acontecer

São Paulo, 20 de outubro de 2011, Dia do poeta
Graça Graúna      



2 comentários:

Ana Inês disse...

Parabéns poeta!
parabéns ave mãe, vovoó pássaro...
que todos os dias, de chuva e sol,
você alimente a força das tuas raízes (e guarde um pouquinho pra mim...) beijos,
Ana

Graça Graúna disse...

Ana - minha filha: a sua presença, aqui, só aumenta um dos motivos de viver para mim: a certeza do instante de ter você, Agnes e Fabiano por perto. Bjos e bençãos, Mainha