segunda-feira, 9 de maio de 2011

Em teus olhos florestas


 Imagem extraída do blog de Hideraldo



Em teus olhos florestas
acendem palavras
demarcadas pelo espanto do invasor

O riso é flor em marcha
d’alma envolvida em dor

Em tua boca o território
se recolhe à taba
e escondes tua nudez
como fosse praga

A cicatriz já foi posta
em tua alma mata
e tua garganta vomita canções
de saudades vindas
e um passado que não deságua

Vontade de ser mãe
terra saudade da ausência
de quem ficou
nos limites extremos
entre a civilização e a farsa
e a falta de pudor
do explorador

A tua tribo se levanta
e o arco alcança
a flecha que não foi
arremessada atinge
o sangue do arremessador
-a submissão do braço
não confessa a fervura
da idéia

E teu canto graúna
assume a bravura
de uma graça que não era
para a guerra


Nota:
Escrevi para Hideraldo, agradecendo este poema maravilhoso e ele, muito generosamente, permitiu que eu publicasse neste blog. Escrevi o seguinte:

Hideraldo, meu amigo poeta: você não imagina o tanto que  me fez chorar diante da tua poesia. Meu amigo poeta,  neste exato momento estou tomada de saudade e desejosa de expressar um pouco do meu canto de pássaro preto dor em dor. Aqui, em terras paulistanas, a saudade bate forte e neste instante só sei que o teu poema toca fundo a minha alma e digo mais meu poeta: a tua poesia continua viva em mim e minha admiração por ti é e será sempre profunda. Grata por você existir. Em tempo, peço autorização para levar o seu poema encantado para o meu humilde blog, o que me fará também muito feliz. Grata, gratíssima pela atenção. Que a Mãe Terra e Ñanderu nos acolham. Sempre, Graça Graúna

2 comentários:

filosofenix disse...

Belo canto à graça indígena da graúna que voa nas asas da poesia! Parabéns a ambos! Abraços, Ivan Maia.

Graça Graúna disse...

Meu querido Ivam Maia. Amigo, que saudade!Agradeço, emocionada, a sua poetica presença no meu blog. Repasseio seu belo comentario ao poeta Hideraldo. Bjos, bjos, bjos.
Graça Graúna