sexta-feira, 28 de maio de 2010

quinta-feira, 27 de maio de 2010

II Conferência Nacional de Culturas Indígenas



Os novos membros dos Colegiados Setoriais de Culturas Indígenas e Culturas Populares do Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC), eleitos na etapa setorial da II Conferência Nacional de Cultura, no início de março, fazem sua segunda reunião no Hotel St. Paul, em Brasília, no final deste mês. A reunião do Colegiado de Culturas Populares acontece nos dias 27 e 28 e de Culturas Indígenas nos dias 31 de maio e 1º de junho. Os dois colegiados se reuniram pela primeira vez, em Brasília, nos dia 6 e 7 de abril.
Os representantes da sociedade civil dos dois Colegiados discutirão, no próximo encontro, os Planos Setoriais e elegerão o seu representante junto ao Conselho Nacional de Políticas Culturais (CNPC). Outro ponto de discussão em comum entre os componentes dos Colegiados Setoriais de Culturas Populares e Culturas Indígenas é a criação do Fundo Setorial da Diversidade e de Planos Nacionais para cada um dos segmentos. Os novos membros dos dois colegiados aprovarão, ainda, as pautas a serem discutidas nas próximas reuniões. O próximo encontro dos colegiados está previsto para acontecer no mês de setembro de 2010.
Os representantes do Colegiado de Culturas Indígenas debaterão também, no próximo encontro, as pautas pendentes do Grupo de Trabalho de Culturas Indígenas, criado no âmbito da Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural (SID) do Ministério da Cultura, e da Subcomissão de Cultura e Comunicação da Comissão Nacional de Política Indigenista (CNPI).
Após as reuniões os dois Colegiados encaminharão os Regimentos Internos aprovados ao Plenário do CNPC. Os Regimentos serão, posteriormente, submetidos à aprovação do Ministro do Estado da Cultura.
Para o secretário da Identidade e Diversidade Cultural/MinC, Américo Córdula, a criação dos Planos Nacionais para as Culturas Indígenas e Populares será um desafio maior, porque os segmentos começaram recentemente o seu trabalho de articulação institucional no campo das políticas públicas culturais. Ele destaca também a participação dos dois colegiados no Conselho Nacional de Políticas Culturais. “Para esses segmentos, estar no Conselho é ocupar um espaço político muito importante”, afirmou Córdula.
(Texto: Heli Espíndola - Comunicação/SID)
Telefone: (61) 2024-2379

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Oráculos da verdade (Frei Betto)*

Frei Betto. Imagem: commons.wikimedia

O filósofo alemão Emmanuel Kant não anda muito em moda. Sobretudo por ter adotado em suas obras uma linguagem hermética. Porém, num de seus brilhantes textos O que é o Iluminismo? sublinha um fenômeno que, na cultura televisual que hoje impera, se torna cada vez mais generalizado: as pessoas renunciam a pensar por si mesmas. Preferem se colocar sob proteção dos oráculos da verdade: a revista semanal, o telejornal, o patrão, o chefe, o pároco ou o pastor.

Esses, os guardiões da verdade que, bondosamente, velam para não nos permitir incorrer em equívocos. Graças a seus alertas sabemos que as mortes de terroristas nas prisões made in USA de Bagdá e Guantánamo são apenas acidentes de percurso comparadas à morte de um preso comum, disfarçado de político, num hospital de Cuba, em decorrência de prolongada greve de fome.

São eles que nos tornam palatáveis os bombardeios dos EUA no Iraque e no Afeganistão, dizimando aldeias com crianças e mulheres, e nos fazem encarar com horror a pretensão de o Irã fazer uso pacífico da energia nuclear, enquanto seu vizinho, Israel, ostenta a bomba atômica.

São eles que nos induzem a repudiar o MST em sua luta por reforma agrária, enquanto o latifúndio, em nome do agronegócio, invade a Amazônia, desmata a floresta e utiliza mão de obra escrava.

É isso que, na opinião de Kant, faz do público Hausvieh, gado doméstico, arrebanhamento, de modo que todos aceitem, resignadamente, permanecer confinados no curral, cientes do risco de caminhar sozinho.

Kant aponta uma lista de oráculos da verdade: o mau governante, o militar, o professor, o sacerdote etc. Todos clamam: Não pensem! Obedeçam! Paguem! Creiam! O filósofo francês Dany-Robert Dufour sugere incluir o publicitário que, hoje, ordena ao rebanho de consumidores: Não pensem! Gastem!

Tocqueville, autor de Da democracia na América (1840), opina em seu famoso livro que o tipo de despotismo que as nações democráticas deveriam temer é exatamente sua redução a um rebanho de animais tímidos e industriosos, livres da preocupação de pensar.

O velho Marx, que anda em moda por ter previsto as crises cíclicas do capitalismo, assinalou que elas decorreriam da superprodução, o que de fato ocorreu em 1929. Mas não foi o que vimos em 2008, cujos reflexos perduram. A crise atual não derivou da maximização da exploração do trabalhador, e sim da maximização da exploração dos consumidores. Consumo, logo existo, eis o princípio da lógica pós-moderna.

Para transformar o mundo num grande mercado, as técnicas do marketing contaram com a valiosa contribuição de Edward Bernays, duplo sobrinho estadunidense de Freud. Anna, irmã do criador da psicanálise e mãe de Bernays, era casada com o irmão de Martha, mulher de Freud. Os livros deste foram publicados pelo sobrinho nos EUA. Já em 1923, em Crystallizing Public Opinion, Bernays argumenta que governos e anunciantes são capazes de arregimentar a mente (do público) como os militares o fazem com o corpo.

Como gado, o consumidor busca sua segurança na identificação com o rebanho, capaz de homogeneizar seu comportamento, criando padrões universais de hábitos de consumo por meio de uma propaganda libidinal que nele imprime a sensação de ter o desejo correspondido pela mercadoria adquirida. E quanto mais cedo se inicia esse adestramento ao consumismo, tanto maior a maximização do lucro. O ideal é cada criança com um televisor no próprio quarto.

Para se atingir esse objetivo é preciso incrementar uma cultura do egoísmo como regra de vida. Não é por acaso que quase todas as peças publicitárias se baseiam na exacerbação de um dos sete pecados capitais. Todos eles, sem exceção, são tidos como virtudes nessa sociedade neoliberal corroída pelo afã consumista.

A inveja é estimulada no anúncio da família que possui um carro melhor que o do vizinho. A avareza é o mote das cadernetas de poupança. A cobiça inspira as peças publicitárias, do último modelo de telefone celular ao tênis de grife. O orgulho é sinal de sucesso dos executivos assegurado por planos de saúde eterna. A preguiça fica por conta das confortáveis sandálias que nos fazem relaxar ao sol.

A luxúria é marca registrada dos jovens esbeltos e das garotas esculturais que desfrutam vida saudável e feliz ao consumirem bebidas, cigarros, roupas e cosméticos. Enfim, a gula envenena a alimentação infantil na forma de chocolates, refrigerantes e biscoitos, induzindo a crer que sabores são prenúncios de amores.

Na sociedade neoliberal, a liberdade se restringe à variedade de escolhas consumistas; a democracia, em votar nos que dispõem de recursos milionários para bancar a campanha eleitoral; a virtude, em pensar primeiro em si mesmo e encarar o semelhante como concorrente. Essa, a verdade proclamada pelos oráculos do sistema.
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(*) Frei Betto: Escritor, é autor de Um homem chamado Jesus (Rocco), entre outros livros

Palavras de Verônica Manauara*


Imagem: Google

Querida mana,
poderia postar no seu blog minha contribuição?
Trabalhando ou orando, em silêncio ou gritando. Amo todos vocês.
Cordiais Saudações,
Verônica Manauara

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"O´ Meu Deus!
Meu Deus, meu Alá, meu Tupã
Estou com medo dos invasores!
Invasores extra-terrestres
Invasores europeus
Invasores políticos
Estou com muito medo!
Invasores invisíveis
Na calada da noite, ou ao romper do dia
A céu aberto ou nas coxias
Sob os olhos dos Santos ou da Virgem Maria
Ninguém faz nada!
Estou com medo ou apreensiva?

O´ Meu Deus!, o´ Nhanderu!, Itwkov´ti!  Deus de Abraão e de todos os mundos!
Tem invasores na Terra, invasores na água, invasores no ar, invasores no corpo,
Corpos estranhos, invasores epidêmicos, agentes multiplicadores
Invasores econômicos e economistas
Politiqueiros, vigários e vigaristas
Estou com medo!
Não sei se é medo ou repugnância
Consultas médicas, consultas fiscais, consultas públicas e mais generais
Procuro a minha sombra, procuro a minha perna que perdi na guerra
Procuro o meu chão
Procuro minha casa... procuro o meu nome certo.
Procuro minha terra – Dizem que só Deus que sabe
Não sei que idade tenho.
Corro e me escondo. Porque invadiram o espaço aéreo, vejo pássaros cintilantes com olhos de fogo estrondando na natureza – invadindo meu teto aberto.
Corro e me escondo apavorada como peixes que fogem da invasão motorizada içando a rede para cobertura mortal.
Corro porque os invasores querem me agarrar, me descobrir dentro do meu corpo, invadir meu interior para violar e mutilar o sagrado berço do futuro
Quero correr, mas não posso, não consigo sair da rede, meus ossos estão fracos, minha voz está cansada, minhas idéias lacrimejam.
Que idade eu tenho? Qual é a idade da Terra? qual a idade sua O´Meu Deus!
Deus da Força, Deus do Trovão, do Tufão e do Vulcão.

Grande Espírito, Criador de Tudo e de Todos
Ajude os invasores, eles perderam tudo – Eles perderam a origem, eles perderam a alma,
Perderam a cabeça, perderam a vergonha
Eles perderam o amor – ou foi perda congênita?

Hananim, Jeová, Javé, Yepá, Olorum!
Invadiram as casas vazias
Invadiram as casas cheias
Invasores na cabeça e bicho de pé na areia
Invasores na plantação, invasores na colméia
E minas diferentes por todo o chão
Invasores dos sonhos, invasores na floresta, invasores cibernéticos.

O´ Deus meu! – Meu Deus de tantos nomes!
Coloque em extinção os que extinguem nosso tudo
Os que extinguem a todos nós.
Eles, os invasores de tantos nomes, de tantos lugares, de tantos boicotes, de tantos anos...

E agora Javé?
A festa ainda não começou,  o voto não adiantou, a promessa não ficou
E agora Javé?
É por toda a parte,
Na parte íntima e parte íntegra
Invasores de esquerda, invasores de direita
É de todo lado
São de todos os partidos... eles são tantos...
De uniforme ou de toga, de carteira ou de diploma, eles são tantos...

O meu Deus! Ó Aúra-Mazda, Ó Omama, O´ Zambi
Sujos ou perfumados, de gravata ou mascarados eles invadem
Invasores armados, borrados, robotizados.
Por que tenho medo e não tenho medo de nada?

Só tenho um trunfo, o trunfo para o Triunfo. Tenho a palavra tradicional guardada, Guardada desde o berço do ventre.
Sabemos quem somos. Conhecemos a tua promessa. Sabemos que somos donos. Sabemos que a última batalha nos legitimará como autônomos e livres Filhos do Grande Espírito e da Mãe Terra. Seremos vitoriosos."


(*)Verônica Manauara – militante  das causas sociculturais e esposa de Manuel Moura, lider Tukano.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Cadernos Literários Pragmatha. Participe!!!


Um recado da escritora Clevane Pessoa:
Amigos: impecável o trabalho de Sandra Veroneze (Editora Pragmatha). Já participei de vários  "Cadernos Literários". Mande seu poema no tema dos quatro elementos (ar, terra, água, fogo...) Artistas, depois , poderão concorrer a sair nas capas. E uma boa notícia, para quem participa:Sandra acaba de nos enviar as páginas, impressas, para distribuirmos no PAZ e POESIA de 2010, que passa agora para junho, enviarei a data depois. Mas no dia 25 de maio, às 16 horas, em Belo Horizonte, Brasil,  estaremos, os Poetas Pela Paz e pela Poesia, no Asilo S.Vicente de Paula em mais uma ação do Paz e Poesia e, novamente, fazendo parte de Palabra en El Mundo . Participe!  Queremos estar com os(as) "poetamigos(as)" ! Clevane


Mulheres indígenas pela paz

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Um poema para Marcos Terena

Imagem: Tatiana Cardeal
QUE VIVA O MARCUS TERENA
COM A SABEDORIA DO TEMPO,
COM O SABER DO HOMEM,
COM A CLAREZA DAS ÁGUAS,

COM A BRANCURA DA POMBA.
COM O AZUL DO CELESTE,
COM O OURO DAS CAVERNAS...
QUE SEJA TERENA,O INDIO,
O HOMEM,O GUERREIRO,
O DOUTO,O SÁBIO,
O BRASILEIRO,
O HOMEM-TERRA SERENA,
A PÁTRIA,A MÁTRIA,
MATRIZ DE SUA GENTE E RAÇA
DE TODO CONHECER,
SER MASTRO...
PARABÉNS,MARCUS TERENA. 


Autor: 
Cezar Ubaldo  · 16/5/2010 09:03
Nota: a foto é de Tatiana Cardeal e o poema é do meu amigo Cezar Ubaldo, colaborador do Overmundo. Ele dedica o poema ao Marcos Terena, a propósito do comentário do proprio Terena acerca da titulação de Doutor  recebida por Daniel Munduruku,, na USP. Paz em Ñanderu, Graça Graúna 
 

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Audiovisual indígena

No período de 10 de abril a 31 de maio de 2010 estarão abertas as inscrições para produções audiovisuais e cidades brasileiras que tenham interesse em participar da terceira edição do Vídeo Índio Brasil que acontecerá entre os dias 31 de julho a 07 de agosto de 2010, na cidade sede, Campo Grande - MS, e mais cem municípios.


Por meio do audiovisual, o Vídeo Índio Brasil busca fortalecer e difundir a cultura indígena no Mato Grosso do Sul e no Brasil. Desde 2008, em sua primeira edição, o projeto expande sua proposta de exibição e debate ampliando as cidades participantes. Nesse ano será realizado em cem diferentes municípios simultaneamente. Além da exibição de filmes e vídeos a programação apresenta exposição fotográfica, oficina de produção audiovisual, seminários e debates com lideranças indígenas, representantes governamentais e não-governamentais, especialistas, artistas, acadêmicos, comunicadores, empresários, trabalhadores e a sociedade em geral.

Não há restrições quanto aos espaços de realização. As exibições podem ocorrer em cinemas, auditórios, teatros, pontos de cultura, casas brasil, estações digitais, cineclubes, espaços culturais e de ensino. Podem participar organizações não-governamentais, instituições públicas e privadas, entre outros.

A ficha de inscrição e regulamento para produções audiovisuais e cidades, além de mais informações referentes às últimas edições do Vídeo Índio Brasil podem ser obtidas no site http://www.videoindiobrasil.org.br/.

Texto: Luana Salomão
Vídeo Índio Brasil 2010
67 – 8111.9456

contato@videoindiobrasil.org.br
luana_salomao@hotmail.com

sábado, 8 de maio de 2010

7º Encontro de Escritores e Artistas Indigenas





Há um novo fenômeno em andamento no Brasil que é a presença de indígenas em contexto urbano. Estes indígenas são oriundos de diversas regiões brasileiras e são motivados pelas mais diferentes situações que vão desde a desintegração social a que foram submetidos até o desejo de buscar novas soluções para suas comunidades originais ou contribuir para a reflexão em torno do papel dos povos indígenas no desenvolvimento do País. Vale dizer, pois, que muito da literatura indígena hoje produzida e que faz parte da realidade nacional é fruto deste fenômeno e como tal precisa ser discutida e apresentada à sociedade como possibilidade de refletir sobre a identidade brasileira. É neste contexto que propomos a realização deste seminário no contexto do 12º. Salão FNLIJ do Livro Infantil e Juvenil desejando oferecer uma contribuição positiva para melhor compreensão da presença indígena no Brasil.

SEMINÁRIO FNLIJ-INBRAPI


Tema: Palavra da cidade, palavra da floresta: literatura indígena no contexto urbano
Programação do Seminário FNLIJ – 18 de junho de 2010.
Parte Manhã:
Ritual e apresentação dos convidados

Mesa 01: Vozes da cidade, memórias da floresta.
Esta mesa pretende discutir o papel da memória na elaboração da literatura indígena em contexto urbano.
Mediação: Ailton Krenak
Eliane Potiguara – Escritora
Graça Graúna – Doutora em Literatura e escritora.
Marcos Terena – Escritor e diretor do Memorial dos Povos Indígenas de Brasília.

Intervalo: Sarau de poéticas indígenas com Carlos Tiago, Graça Graúna e Cristino Wapichana
 
Mesa 02: Educação urbana em contexto de aldeia: pontes e contrapontos.
Esta mesa reunirá educadores indígenas que atuam em área indígena em contexto urbano para refletir como esta prática pode interferir na formação de leitores e escritores entre os indígenas.
Mediação: Darlene Taukane
Ely Makuxi – Professor e Escritor
Adão Guarani – Professor e coordenador do Ponto de Cultura Kaingang.
Rosi Whaikon – Professora e escritora.
Roni Wasiry – Professor e escritor.

Parte Tarde
Sorteio da pontualidade (livros e arte indígenas)

Mesa 03: A Escrita, a História e as trilhas para o futuro.
Esta mesa pretende ser um bate-papo sobre caminhos possíveis para pensar a produção intelectual indígena tendo a produção literária como instrumento no fomento das capacidades individuais dos jovens indígenas.
Mediação: Manoel Moura Tukano
Álvaro Tukano – Liderança tradicional e escritor
Olívio Jekupé – Escritor e coordenador da Associação Indígena Tenondé Porã da Aldeia Krukutu/SP
Edson Kayapó – Professor e doutorando em Educação na PUC/SP

Roda de Conversa entre os indígenas e o público presente
Mediação: Ailton Krenak, Álvaro Tukano, Marcos Terena
Este formato de atividade visa ser um momento de integração onde o público poderá interagir com os indígenas presentes através de questionamentos sobre a atual situação política brasileira e outros temas de interesses.

Sarau de poéticas indígenas com Márcio Bororo, Marcelo Manhuari, Elias Yaguakã, Shaneihu Yawanawá.
Sorteio de livros e cultura material para o público presente.
Encerramento do seminário com a presença de Beth Serra ( Secretária-executiva da FNLIJ.)