sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

...árvore-palavra, história & histórias



Um livro pode ter variadas formas: pode ser grande ou pequeno; de papel, de retalhos ou do que mais a imaginação criadora nos permitir.  Um livro pode reunir muitas idéias como se fora uma teia de histórias ligadas a outras histórias ou a poemas. Importa a palavra (em prosa ou em verso), quer seja milenar ou atual.
As ideias, aqui, reunidas em parte são originadas da oralidade e de outros livros de papel. Melhor dizendo: aqui, reunimos histórias vindas das árvores porque é delas, das nossas irmãs-árvores que os nossos amigos-livros se alimentam e, consequentemente, alimentam também os nossos sonhos de leitores(as) inquietos(as).  Poderíamos também chamar de intertextualidade esse fenômeno de leituras cruzadas, como se diz no campo da teoria literária.  
O grande desafio foi enveredar pela grande floresta do saber e em meio a pesquisas, diálogos, escrevemos um livro que intitulamos: “Uma árvore me contou”.  Tudo aconteceu durante as aulas de Literatura Infantil, ministrada por mim, no IV Período de Letras, à noite, no segundo semestre de 2010. Convém salientar que os(as) autores(as) desenvolveram também a escrita e as ilustrações deste livro em suas casas, de maneira que parte das ilustrações tiveram a colaboração de familiares e de amigos simpatizantes da literatura.
Do ponto de vista metodológico, sugeri que o IV Período de Letras formasse dez grupos de maneira que cada grupo escolhesse uma obra de Literatura Infantil e que pudessem construir um livro coletivo. Dito e feito. Fizemos pequenas rodas de conversa em torno do que é literatura infantil. As histórias-adaptações e ilustrações foram se formando a partir das seguintes obras literárias, todas elas consultadas para ajudar na composição do nosso livro:

BARBOSA, Rogério Andrade. Histórias africanas para contar e recontar. São Paulo: Editora do Brasil, 2001.

KITHÃULU, Renê. Iraksu – o menino criador. São Paulo: Peirópolis, 2000.

MACHADO, Ana Maria; PORTINARI, Candido. As aventuras e desventuras de Dom Quixote de La Mancha. São Paulo: Mercuryio Jovem, 2005.

PEREIRA, Édimo de A.  Contos de Mirábile. Belo Horizonte: Mazza, 1988.

PRIETO, Heloisa. O imperador amarelo. São Paulo: Moderna, 2007.

SAINT-EXUPERY, Antoine. O pequeno príncipe. Rio de Janeiro: Agir, 2000.

SING, Rina. Uma floresta de histórias. São Paulo: Martins Fontes, 2008.

STEFANI, Stefanio. Eneida – as aventuras de Enéias. São Paulo: Paulinas, 2002.

UNGERER, Tomi. Os três ladrões. São Paulo: Global, 2008.

VIANA, Arievaldo. A ambição de Macbeth e a maldade feminina. São Paulo: Contexto, 2008.

WILD, Margaret. Raposa. São Paulo: Brinque Book, 2005.

Sem sombra de dúvidas, as pequenas rodas de conversa acerca de Literatura Infantil nos levou aos grandes clássicos, a exemplo de Eneida (mitologia grega); nos aproximou também da grandeza da literatura dos povos indígenas (a exemplo de Iraksu, um mito do povo Nambikwara) e alimentou a nossa sede de saber com uma série de histórias contemporâneas. Espero que este trabalho alimente outras possibilidades de leitura, pois uma árvore me contou que as boas sementes se multiplicam quando o solo é fértil e o IV Período de Letras, da UPE/Campus Garanhuns, mostrou bem isso.
Tenham todos(as) uma boa leitura.
Nordeste do Brasil, 8 de dezembro de 2010

Profª. Graça Graúna

Foto: J. Laeciode Oliveira

9 comentários:

Graça Graúna disse...

Hoje, pela manhã, no bosque de entrada da UPE/Campus Garanhuns, o V Período de Letras, da manhã,me acompanhou na contação de histórias do livro "UMA ÁVORE ME CONTOU". Na opinião de Cicera, uma das alunas de Letras, o momento foi importante porque nos sentamos no chão, interagimos, fizemos a leitura para resgatar um pouco a maneira que os nossos antepassados cvontavam histórias. Ficou uma pergunta: será que vamos também contar histórias para nossos netos?
É isso aí. Vamos aguardar outros caomentários.

Márcia Sanchez Luz disse...

Grauninha querida, parabéns pela iniciativa. Que esta árvore gere muitos frutos e se encha de flores perfumadas de esperança!

Beijos carinhosos

Márcia

Betha Mendes disse...

Graça,

que trabalho lindo... não me lembro de termos tido Literatura Infantil no nosso curso de Letras, mas como teria sido bom!!! plantemos novas árvores!

bj

Betha

Graça Graúna disse...

Betha, minha querida: o seu comentario me deixa muito animada. Realmente não tivemos a disciplina Literatura Infantil, na UFPE, mas colaborei com a disciplina no curso de Biblioteconomia; pois essa disciplina faz parte da grade curricular do referido curso. Na UPE, um semestre intercalado trabalho contações de histórias e os resultados são positivos. Grata mais uma vez por sua presença. Bjos, Grauna

Graça Graúna disse...

Marcia, querida irmã das letras: a literatura traz sempre coisas boas em minha vida e tento repassar as boas experiencias aos meus alunos. Grata por sua doce presença.Bjos, Grauninha

Diacui Pataxó disse...

Graça, seu Blog continua lindo e seu trabalho cada vez mais digno. O IV semestre de Letras e toda a universidade, blogueiros e todos nós, enfim, podemos ter orgulho de tê-la ao nosso tempo, dando sua contribuição.
Parabéns hoje e sempre. Forte abraço de Diacui

Graça Graúna disse...

Minha estimada Diacui: que bela surpresa a sua presença aqui no blog. Sempre tenho boas lembranças de você, das suas palavras carinhosas, do seu espírito de luta. Muito grata pelo comentario. Em tempo, estou preparando uma entrevista com educadores indigenas, acerda da Lei 11645/08 Gostaria de colaborar? Em caso afirmativo comunique-me, por favor. Paz e luz, Graça Graúna

Sônia Brandão disse...

Que beleza isso!
Que essa árvore, que já floresceu, produza também muito frutos.

Minha querida amiga, um Natal muito feliz para você e família.
bjs

Graça Graúna disse...

Minha querida Sonia: suas boas palavras são um incentivo para que eu não desvaneça e possa colher bons frutos. Grata pelo carinho.
Que seja feliz também o seu natal e Ano Novo junto aos seus.
Paz e bem,
Grauninha