domingo, 7 de março de 2010

Sobre o “deserto dos pássaros úmidos”

Imagem: JGNeres

Geraldo Neres é um nome que eu conheço há algum tempo, mais precisamente em 2003, desde a época de Palavreiros; um movimento que surgiu em São Paulo e que reuniu muitos e muitos simpatizantes da literatura. Desde então, tem sido para mim um prazer acompanhar a sua trajetória no mundo da palavra; a sua aventura demasiado humana que nos revela os silêncios que quase desconhecemos, mas que habitam em cada um de nós. Neres é detentor de muitos prêmios, entre eles: o Prêmio Cultural Plínio Marcos – Mostra de Arte de Diadema, em 2004. Autor de “Pássaros de papel” e de outros livros em que a poesia confirma o seu estar no mundo.

Quero falar de Outros silêncios – um livro publicado em 2008, junto ao Ministério da Cultura e do Programa de Ação Cultural (PROAC), da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo. A capa é de Floriano Martins e nos sugere, na primeira leitura, que devemos estar atentos, sempre, ao verbo que se faz silêncio e da sua ebulição em nós. Sim, o verbo se faz silêncio e dentro dele podemos intuir tudo, até o canto seco de uma multidão de pássaros úmidos; podemos intuir tudo: a vertigem, as desigualdades sociais, a explosão do silêncio que se renova no exercício de ser um eterno insatisfeito que é o ser poeta.

Em Outros silêncios, outras vozes se encontram e sugerem que é tempo ainda de não desperdiçar o jeito de ser do outro; o silêncio nos alerta da necessidade de andar de mãos dadas e nos convida a olhar o outro e seus desertos. Em Neres, o silêncio emerge e se apresenta na vida nua e crua que se vive, no tempo que navega além do rio; na memória das águas que expõe nossos fantasmas na figura do “homem oco e seus relógios”; na dor de pássaros afogados no portal do tempo, como sugere o “cortejo de punhais / sol afogado no peso e na dor dos pássaros [...] no sangue do rio” e/ou das asas que também criam raízes no aprendizado das horas.

Ler Geraldo Neres é também uma maneira de intuir o ritmo do silêncio das noites chuvosas; uma leitura que nos convida a fazer parte da metamorfose como quer o “movimento enroscado no deserto dos pássaros úmidos”. Nesse ritmo, a leitura nos convida a não temer a nudez que se desenha do silêncio, da palavra; um convite aos homens e às mulheres do mundo, a todas as pessoas que ainda arrecadam um pouco do tempo para perceber o sentido da palavra aquática como quer o dilúvio dos olhos neste sagrado encontro com a literatura.

Graça Graúna
Nordeste do Brasil, 7 de março de 2010

Nota: texto disponível no Overmundo

8 comentários:

Jairo Cerqueira disse...

Olá, Grauninha. Obrigado pelas informações.
É um prazer passar por aqui.
Bjss!

GRAÇA GRAÚNA disse...

É um presente de Ñanderu ter você sempre por perto,meu querido Jairo.Bjos de luz, Grauninha

Mistérios, Magias ou Milagres. disse...

Muita Luz e Paz para você. Adorei ler suas postagens, realmente o mundo da literatura é um dos mundo mais sublimes e encantador. Parabéns e sucesso, abraços Heudes

GRAÇA GRAÚNA disse...

Querido Heudes, grata pela visita ao meu blog. Também gostei muito do seu portal. Gosto dos lugares que transmitem paz. Bjos de luz, Grauninha

Juscelino V. Mendes disse...

Graça, saudades de sua graça;
Grauna, saudades de sua doçura una...

Beijos.

GRAÇA GRAÚNA disse...

Meu querido Juscelino: grata pela leitura de "pássaros úmidos". Saudade muita de você também. Abraços mil, Graça Graúna

josé geraldo neres disse...

OLá querida amiga graça graúna

sinceramente é uma grata surpresa encontrar este texto/comentário de palavras aquáticas. obrigada querida amiga por essas palavras. sou um aprendiz, um poeta urbano, mas que não deixa de se esquecer de suas raízes. a água tem importância vital neste livro, compõe o elo de silêncios que percorrem o livro.

josé geraldo neres disse...

olá querida amiga graça graúna"

sinceramente é uma grata surpresa encontrar este texto/comentário de palavras aquáticas. obrigada querida amiga por essas palavras. sou um aprendiz, poeta urbano, mas que não deixa de se esquecer de suas raízes. a água tem importância vital neste livro, compõe o elo de silêncios que percorrem o livro.

Abraços poéticos.