terça-feira, 30 de junho de 2009

Santificado nome gravado nos girassóis

Girassóis, de Vincent Van Gogh


Pai-nosso que estais no céu, e sois nossa Mãe na Terra, amorosa orgia trinitária, criador da aurora boreal e dos olhos enamorados que enternecem o coração, Senhor avesso ao moralismo desvirtuado e guia da trilha peregrina das formigas do meu jardim,

Santificado seja o vosso nome gravado nos girassóis de imensos olhos de ouro, no enlaço do abraço e no sorriso cúmplice, nas partículas elementares e na candura da avó ao servir sopa,

Venha a nós o vosso Reino para saciar-nos a fome de beleza e semear partilha onde há acúmulo, alegria onde irrompeu a dor, gosto de festa onde campeia desolação,

Seja feita a vossa vontade nas sendas desgovernadas de nossos passos, nos rios profundos de nossas intuições, no voo suave das garças e no beijo voraz dos amantes, na respiração ofegante dos aflitos e na fúria dos ventos subvertidos em furacões,

Assim na Terra como no céu, e também no âmago da matéria escura e na garganta abissal dos buracos negros, no grito inaudível da mulher aguilhoada e no próximo encarado como dessemelhante, nos arsenais da hipocrisia e nos cárceres que congelam vidas.

O pão nosso de cada dia nos dai hoje, e também o vinho inebriante da mística alucinada, a coragem de dizer não ao próprio ego, o domínio vagabundo do tempo, o cuidado dos deserdados e o destemor dos profetas,

Perdoai as nossas ofensas e dívidas, a altivez da razão e a acidez da língua, a cobiça desmesurada e a máscara a encobrir-nos a identidade, a indiferença ofensiva e a reverencial bajulação, a cegueira perante o horizonte despido de futuro e a inércia que nos impede fazê-lo melhor,

Assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido e aos nossos devedores, aos que nos esgarçam o orgulho e imprimem inveja em nossa tristeza de não possuir o bem alheio, e a quem, alheio à nossa suposta importância, fecha-se à inconveniente intromissão,

E não nos deixeis cair em tentação frente ao porte suntuoso dos tigres de nossas cavernas interiores, às serpentes atentas às nossas indecisões, aos abutres predadores da ética,

Mas livrai-nos do mal, do desalento, da desesperança, do ego inflado e da vanglória insensata, da dessolidariedade e da flacidez do caráter, da noite desenluada de sonhos e da obesidade de convicções inconsúteis,
Amemos.


Texto/Oração de Frei Betto - autor de "Diário de Fernando - nos cárceres da ditadura militar brasileira", Editora Rocco.

sábado, 27 de junho de 2009

Oração do Pássaro, de Frei Betto.

Imagem: Speltri

Senhor, tornai-me louco, irremediavelmente louco
Como os poetas sem palavras para os seus poemas,
As mulheres possuídas pelo amor proibido,
Os suicidas repletos de coragem perante o medo de viver,
Os amantes que fazem do corpo a explosão da alma.

Dai-me, Senhor, o dom fascinante da loucura
Impregnado na face miserável do pobre de Assis,
Contido nos filmes dionisíacos de Fellini,
Resplandecente nas telas policrômicas de Van Gogh,
Presente na luta inglória de Lampião.

Quero a loucura explosiva, sem a amargura
Da razão ética das pessoas saciadas à noite pela TV,
Da satisfação dos funcionários fabricantes de relatórios,
Dos deveres dos padres vazios de amor,
Dos discursos políticos cegos ao futuro.

Fazei de mim, Senhor, um louco
Embriagado pelo vosso amor,
Marginalizado do rol dos homens sérios,
Para poder aprender a ciência do povo
Em núpcias com a Cruz que só a Fé entende
Como um louco a outro louco.

***

Texto de Frei Betto - autor de "Diário de Fernando - nos cárceres da ditadura militar brasileira", Editora Rocco.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Feitura de Tupã


Quando Marabá deixou a tribo
não foi por querer,
sendo filha de quem é
enfrentou as duras penas
de ser o que é
filha da mistura,
Marabá, apenas.

Quem há de querer?

Se acaso feitura não é de Tupã,
quem define a história
dessa índia meio branca
dessa branca meio índia?

Quem há de querer
de Marabá as penas?


Graça Graúna. Tessituras da terra. Belo Horizonte: M.E. Edições Alternativas, 2001, p. 24.

Pai-Mãe do Cosmos

Mino - Cena Ecológica


Pai Nosso

A oração do Senhor (Tradução do Aramaico)


Ó Força procriadora! Pai-Mãe do Cosmos,
focaliza tua Luz dentro de nós, tornando-a útil.
O Teu desejo Uno atue então com o nosso,
assim como em toda luz e em todas as formas.
Dá-nos todos os dias o que necessitamos em pão e entendimento.
Desfaz os laços dos erros que nos prendem,
assim como nós soltamos as amarras
com que aprisionamos a culpa dos nossos irmãos.
Não permitas que as coisas superficiais nos iludam,
mas liberta-nos de tudo que nos detém.
De Ti nasce toda vontade reinante, o poder e a força viva da ação,
a canção que se renova de idade a idade e a tudo embeleza.
Verdadeiramente – poder a esta Declaração –
que possa ser o solo do qual cresçam todas as nossas Ações.
Amém .

O Pai Nosso (em Aramaico)

Abwun d’bwashmaya
Nethqadash shmakh
Teytey tzevyanach aykanna d’bwashmaya aph b’arha
Hawvlan lachma d’sunqanan yaomana
Washboqlan khaubayn (wakhtahayn) aykana daph khnan
shbwoqan I’khayyabayn
Wela tahlan I’nesyuna
Ela patzan min bisha.
Metol dilakhie malkutha wahayla wateshbukhta
I’ahlam almin.
Ameyn


NOTA: postagem solicitada pelo lider indígena Manuel Fernandes Moura Tukano

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Inscrições para o Vídeo Índio Brasil 2009. Participe!

Imagem: Produção VIB 2009


Prezada Graça,

Somos do evento Vídeo Índio Brasil (ver descrição abaixo) e estamos com as inscrições abertas para filmes de temática indígena a serem exibidos no evento deste ano. As inscrições vão até
1 de julho agora. Gostaríamos de contar com a divulgação do seu Blog, que tem a afinidade do assunto das causas indígenas.

Abraços,

Flora
Produção Vídeo Índio Brasil 2009


Última semana de inscrições para o Vídeo Índio Brasil 2009



O Pontão de Cultura Guaicuru realizará o Vídeo Índio Brasil 2009 no período de 10 a 16 de agosto. As inscrições para filmes de temática indígena estão abertas até 1 de julho. Produtores e cineastas de todo o Brasil com curtas, médias e longametragens interessados em compor a programação do evento devem acessar o sítio www.oficinadecriacaoteatral.org.br para baixar o edital e ficha de inscrição.
O Vídeo Índio Brasil 2009 é um evento que promove a reflexão e o debate sobre a forma como os povos indígenas são tratados nos conteúdos audiovisuais produzidos no país e busca valorizar e instrumentalizar as iniciativas que possibilitem melhor conhecimento do patrimônio indígena, além de contribuir para criar uma nova perspectiva cultural que fortaleça as relações entre índios e não índios. A segunda edição pretende repetir o sucesso do ano passado com mostras de filmes, debates, oficina de produção audiovisual indígena, exposição fotográfica e Seminários em Campo Grande, Dourados, Corumbá, Caarapó, Sidrolândia e Bonito, em Mato Grosso do Sul, como forma de estímulo à expressão cultural da segunda maior população indígena do Brasil e a sua difusão para a população local e para o restante do País.
Acesse o link http://www.youtube.com/watch?v=Uflx9TzD3vQ e conheça o vídeo institucional do evento em 2008.
CONTATO:

Flora Menezes
Produção do VIB 2009
Pontão de Cultura Guaicuru
(67) 30266356
http://www.oficinadecriacaoteatral.org.br/
Texto publicado no Overmundo.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Qual o lugar da literatura indígena no Brasil?



VI ENCONTRO DE ESCRITORES E ARTISTAS INDÍGENAS
I Colóquio entre Tradição Oral e Literatura Brasileira


O que une e o que separa os contadores de história e os poetas das sociedades tradicionais e das chamadas sociedades envolventes?
A oralidade continua viva, seja por meio dos versos ou das narrativas; seja a narração dos mitos de origem, dos eventos astronômicos, das migrações de diferentes grupos étnicos, dos conflitos intertribais (pois não existe sociedade sem conflitos) e outros acontecimentos que marcaram as sociedades indígenas antes da irrupção dos colonizadores.
Conforme a ciência indígena, os ventos sopram para fortalecer o espírito. O ato de narrar, tanto quanto o versejar configuram um conjunto de vozes oriundas da tradição, da ancestralidade. Por isso, a oralidade continua viva.
Basta um lugar e um olhar receptivos, um(a) leitor(a) atentos para o ato de narrar e o versejar se expandir igual a “seiva que percorre o corpo das árvores”, conforme intuímos em uma passagem da carta do chefe Seattle, anexada ao livro Banquete dos deuses: conversa sobre a origem da cultura brasileira, de Daniel Munduruku (2000). É nessa atmosfera que escritores(as) indígenas (Yaguarê Yamã, Renê Kithãulu, Eliane Potiguara, Daniel Munduruku, Ailton Krenak, Marcos Terena e Darlene Taukane, para citar alguns) encantam platéias quando se juntam em torno da “contação de histórias”; nesse ritmo, também se juntam para cantar o amor à Terra porque se reconhecem filhos da terra e parentes em meio a diferentes etnias.
Stuart Hall (1999:86) fala do desafio que é “existir como uma identidade ao longo de uma larga gama de outras diferenças”. Atento a esse desafio, Daniel Munduruku e outros parentes escritores indígenas dissolvem as fronteiras na “contação de histórias” e mostram ao público um mundo diferente, do qual geralmente se pensa que as pessoas indígenas são incompetentes, selvagens, preguiçosas e arredias, entre outros predicativos que dão conta do desrespeito que se tem às diferenças. E não é raro, nessas ocasiões, sobretudo no contato com o público infantil e/ou juvenil, os autores se expressarem com humor a respeito das diferenças.
A literatura indígena contemporânea é um lugar utópico (de sobrevivência), uma variante do épico tecido pela oralidade; um lugar de confluência de vozes silenciadas e exiladas (escritas) ao longo dos 500 anos de colonização. Enraizada nas origens, a literatura indígena contemporânea vem se preservando na autohistória de seus autores e autoras e na recepção de um público-leitor diferenciado, isto é, uma minoria que semeia outras leituras possíveis no universo de poemas e prosas autóctones.
Nesse processo de reflexão, a voz do texto mostra que os direitos dos povos indígenas de expressar seu amor à terra, de viver seus costumes, sua organização social, suas línguas e de manifestar suas crenças nunca foram considerados de fato. Mas, apesar da intromissão dos valores dominantes, o jeito de ser e de viver dos povos indígenas vence o tempo: a tradição literária (oral, escrita, individual, coletiva, híbrida, plural) é uma prova dessa resistência. Essa tradição é abordada, aqui, a partir de um conjunto de textos literários contemporâneos de autoria indígena (individual) de língua portuguesa, em que se manifesta a literatura-assinatura de milhões de povos excluídos na história dos 500 anos.
O texto literário convoca a uma leitura interdisciplinar e, ao mesmo tempo, permite observar a relação entre identidade, autohistória, deslocamento e alteridade entre outras questões que se depreendem da poesia e da narrativa. Essa relação suscita uma leitura entre real e imaginário, oralidade e escrita, ficção e história, tempo e espaço, individual e coletivo e de outros encadeamentos imprescindíveis à apreensão da autonomia do discurso e da cumplicidade multiétnica (diálogo) que emanam dos textos literários (poemas, contos, crônicas) e da ecocrítica nos depoimentos, nas entrevistas, nos artigos e outros textos de autoria indígena.
A literatura indígena continua se perguntando: em quanto tempo passam 500 anos?
Identidades, utopia, cumplicidade, esperança, resistência, deslocamento, transculturação, mito, história, diáspora e outras palavras andantes configuram alguns termos (possíveis) para designar, em princípio, a existência da literatura indígena contemporânea no Brasil, até onde pudermos apurar os (des)entendimentos do(s) termo(s).
Gerando a sua própria teoria, a literatura escrita dos povos indígenas no Brasil pede que se leiam as várias faces de sua transversalidade, a começar pela estreita relação que mantém com a literatura de tradição oral, com a história de outras nações excluídas (as nações africanas, por exemplo), com a mescla cultural e outros aspectos fronteiriços que se manifestam na literatura estrangeira e, acentuadamente, no cenário da literatura Nacional. Como distinguir as especificidades da literatura indígena em meio ao processo de transculturação? Como reconhecer a existência dessa literatura, em meio a tantos “apagamentos”? Quais os pontos de confluência entre os diferentes saberes sagrados dos povos indígenas no Brasil ou em Quebec, no Paraguai ou no México, na Guatemala ou no Chile, no Peru ou na Bolívia, levando em conta o processo de hifenização?
Esse questionamento é um convite para repensar também “a utopia em seu sentido antropológico como toda possibilidade de sonhar um mundo melhor, todo projeto coletivo, toda idéia que dê sentido à vida e às suas expressões cotidianas”, como nos ensina Luciana Tamagno (1999: 12). Pensemos, então, a escassez de estudos em torno do assunto como decorrência do preconceito. Daí a falta de reconhecimento da existência dessa literatura (seja ela contemporânea ou não). A situação do(a) escritor(a) negro(a) e indígena, por exemplo, não está desapartada da sua escrita. A sua história de vida (autohistória) configura-se como um dos elementos intensificadores na sua crítica-escritura, levando em conta a história de seu povo. Sendo assim, as especificidades da literatura indígena, tanto quanto as particularidades da literatura africana devem ser respeitadas em suas diferenças.

NOTA da ABL: No dia 15 de junho, aconteceu o I Colóquio entre Tradição Oral e Literatura Brasileira, debatendo aspectos relevantes sobre a literatura indígena, estabelecendo o encontro dos escritores de origem nativa e os mais reconhecidos nomes da literatura brasileira. O debate foi no Teatro R. Magalhães Jr. e contou com a presença do Presidente da Academia Brasileira de Letras, Cícero Sandroni, dos Acadêmicos Moacyr Scliar e Alberto da Costa e Silva, Daniel Munduruku (Escritor e Diretor Presidente do Inbrapi), Graça Graúna (Indígena Potiguara e Dra. em Letras pela Universidade Federal de Pernambuco) e Darlene Taukane (Escritora Indígena Kura-Bakairi e Mestre em Educação). O evento teve entrada gratuita e transmissão ao vivo pelo portal da ABL.

Graça Graúna, Rio de janeiro, 15 de junho de 2009.
NOTA: matéria publicada no Overmundo.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Travessias

Árvore da vida, de Klimt.

Como quer Tarumã
a árvore do encanto

andei céus e terra
dei voltas e voltas
passei horas e horas
te procurando

pelos arquivos do mundo
te procurando
quando dei por mim
nem foi preciso tanto
*******
Graça Graúna, Nordeste do Brasil, 12.junho.2009

Graça Graúna. Tessituras da terra. Belo Horizonte: M.E. Edições Alternativas/Coleção Milênio, 2001, p. 25.
NOTA: poema publicado no Overmundo.
DIZ UMA LENDA indígena, no Amapá, que uma pessoa ao deparar-se com um amor impossível, deve fazer promessa ao "Tarumã" (que significa, em tupi, tronco que se move), deixando sobre ele algum presente ou oferenda. Se o tronco navegar rio acima e retornar vazio, o pedido será realizado.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Voos urbanos

Ninho com três filhotes foi encontrado no shopping. Foto: Endinara Siqueira


para meu filho Fabiano, minha filha Agnes
e minha filha Ana Maria Inês,
que me chama de passarinho perdido.


Um pardalzinho nasceu
entre as migalhas do shopping,
já viciado na cidade.

Em passos miúdos
circula a beira do lago
das Super Quadras
e num voo frágil
alcança o pier 21
as vigas da colônia
e mira o asfalto.

Um pardalzinho stressado
na praça da alimentação
cata sob as mesas
as últimas forças
que alimentam seu voo no Planalto.

...e das migalhas do shopping
um pardal faz seu ninho
talvez o último entre as cinzas
no asfalto

Graça Graúna, Nordeste do Brasil, 9 de junho de 2009

NOTA - 1: a primeira versão deste poema foi escrita em Brasília/DF, no Pier 21, em 5 de janeiro de 2004.

NOTA - 2: poema publicado no Overmundo.

DEU NO JORNAL: 21 de novembro de 2008. Um ninho com três filhotes de pardal foi encontrado próximo à portaria 2 do Shopping Iguatemi, em Caxias do Sul. [...] Pardais vivem de 15 a 20 anos, medem cerca de 15cm e se alimentam de sementes, além de alguns insetos, frutas e migalhas de pão. Normalmente fazem seus ninhos embaixo de telhas, em buracos, cavidades e é comum ocuparem ninhos de outras aves.

domingo, 7 de junho de 2009

...pobre Planeta

Imagem: Google

***para Juscelino Mendes e Diacui,
meus irmãos da etnia Pataxó/BA ***
I
Tive sonhos imundos
sonhos estranhos
pesadelos...
Troncos seculares de árvores mortas
àguas turvas, animais em chama
tamanduás pisoteados pelo progresso
nossos curumins órfãos
nossos velhos desesperados.
II
Vi a morte de perto
e a sua capa pesou em meus ombros.
Ouvi discursos bonitos
quais túmulos caiados
e quando os meus olhos se fecharam
veio um pedaço de rio à beira da morte
e desabou sobre mim
os seus descaminhos.
III
Vi os meus parentes desnutridos
vi tanta miséria
que o meu pranto se transformou
num rio triste, sem fim.
IV
E apesar da escuridão
sonhei com o amanhecer
desejei tanto viver
que ouvi um sabiá cantar na mata
e ao seu lado, uma voz guerreira:
V
_ Acordai, acordai,
que é chegada a hora
de repensar nossa atitude
em relação ao Planeta!


Graça Graúna, Nordeste do Brasil, 7 de junho de 2009
NOTA: poema publicado no Overmundo.

Mais um selo de reconhecimento

Recebi de Cristiano Melo e Leonor Cordeiro o selo “Vale a pena acompanhar este blog!”. O selo violeta é premio e representa, segundo os seus criadores, "as sensações que a cor violeta traz para a nossa mente". Ele é dado àqueles blogues que têm algumas das sensações da cor violeta, a saber: magia, encantamento, graciosidade, magnetismo e tudo aquilo que parece mágico. Espero que aprecie e dê continuidade, fazendo o mesmo com os blogs que você assim considera. Escolhi os seguintes blogs que distribuem poesia pela blogosfera: