quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Poema das horas

Imagem Google. Clock Explosion, de Salvador Dali

...trancou a porta da casa e supôs
que desse jeito estaria bem melhor.
Também jurou de pés juntos
que jamais dividiria
o sal e o pão.

Trancou a sete chaves o coração
desconstruiu cada minuto de espera
mas de nada adiantou:
a dor foi mais forte
a solidão foi mais longe, estrondou...

e o eco se fez ave de muitos voos.


Graça Graúna, Nordeste do Brasil, 25.fev.2009

Uma explicação necessária: a minha amiga CD (Compulsão Diária) - que eu chamo de Criatura Divina - compôs um Meme – um dos mais inquietantes que já li. Para atender o seu chamado, revisitei um poema (Eco – ave de tantos vôos) do meu amigo Lucio Ferreira – poeta pernambucano. Do livro dele (Estas coisas cá de dentro, Recife, Edições Bagaço, 2004, p.74-75) extrai o seguintes versos.
...“Tudo ficou contado.
O eco tem muitos cantos
é ave de muitos vôos”.


A partir dos versos de Lúcio, burilei o meu "Poema das horas".

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Pra não dizer que não falei de Pasárgada

 
Imagem Google/Flickr

Vou-me embora,
vou-me embora...
pro lugar que eu sonhei
lá, tenho o homem que eu quero
pela vida viverei

Vou-me embora, vou-me embora...
aqui, eu não sou feliz.
Lá, um xamã é meu guia
e tenho o homem que quero
na rede que escolherei


Graça Graúna, Nordeste do Brasil, 10. fev. 2009

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Verve da re-leitura em JG Neres

Capa: Agnes Pires

Recebi do poeta JG Neres (Grupo Palavreiros) uma homenagem. Trata-se da re-leitura que ele fez do meu livro Canto Mestizo (Blocos Editora). Fazer re-leitura não é uma tarefa fácil; pois é preciso ter verve para esse tipo de diálogo e o Neres fez com mestria. Obrigada, poetamigo. Bjos, Graça Graúna.

Canto Mestizo

à Graça Graúna

Canto de cigarra
na árvore do mundo
tear do tempo
oculta Lorca
e as doze pedras
labirintos
II
minha aldeia
escrita ferida
voz desnuda
sem ninho

o homem se fez:
criatura avessa ao tempo
flagelo-fome-novela
no pó, poesia
sagrado vôo dos peixes
nossa imagem de mistérios
semente
parto da terra

deserto de cidades

o destino
pavimenta
aldeia-meninas-cores-filhos

choro
versos
de restos mortais
sudário de pôr de sol

canto mestizo
de anjos e pássaros
deuses extintos

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Mais um selo: Blog Maneiro


Agradeço à Angela Ursa (do blog Ursasentada), pela indicação do blog Graça Graúna. Vou indicar 10 blogs para participarem também. Mas fiquem à vontade para aceitarem ou não o convite. As regras:
1- Exiba a imagem do selo “Olha Que Blog Maneiro”.
2- Poste o link do blog que te indicou... Angela
3- Indique 10 blogs de sua preferência.
4- Avise seus indicados.
5- Publique as regras.
6- Confira se os blogs indicados repassaram o selo e as regras.
7- Envie sua foto ou de um(a) amigo(a) para <olhaquemaneiro@gmail.com> juntamente com os 10 links dos blogs indicados para verificação. Caso os blogs tenham repassado o selo e as regras corretamente, dentro de alguns dias você receberá 1 caricatura em P&B.8- Só vale se todas as regras acima forem seguidas.

Minha sugestão é a seguinte:

1 – Agnes Pires
2 – Concursos de projeto
3 - Hideraldo Montenegro
4 – Indiosonline
5 – Madalena Barranco
6 - Manumayah
7 – Povo Potiguara
8 – Reporterfree
9 - Reporter mãe
10 - Samuca

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Geografia do poema

Imagem Google. Crianças em Gaza.


Escrevi este poema em 2001, pensando nas guerras urbanas e na violência contra os indígenas; lastimo as guerras entre nações e “os mortos de Palestina [que] são também nossos mortos” como sugere o poeta-irmão del mundo Mario Ramón Mendonza. Assim ofereço “Geografia do poema” pela paz de Gaza e do mundo. Paz em Nhande Rú (Nosso Pai, em guarani), Graça Graúna.


GEOGRAFIA DO POEMA

I
O dia deu em chuvoso
na geografia do poema.
Um corpo virou cinzas
um sonho foi desfeito
e mil povos proclamaram:
- Não à violência!
A terra está sentida
de tanto sofrimento.

II
Na geografia do poema voam balas
passam na TV os seres nus
o pátio aglomerado
o chão vermelho
onde a regra do jogo
da velha é sentença
marcada na réstia
do sol quadrado.

III
Pelas ruas
a tristeza dos tempos
a impossibilidade do abraço.
Crianças
nos corredores da morte
nos becos da fome
consomem a miséria
matéria prima da sua sobrevivência.

IV
Nos quarteirões
dobrando a esquina
homens e mulheres
idôneos, cansados
a lastimar o destino
de esmolar o direito
dos tempos madrugados.

V
Se o medo se espalha
virá o silêncio
o espectro das horas
e as cores sombrias.
Se o medo se espalha
amargo será sempre o poema

VI
O dia deu em chuvoso
na geografia do poema
um sonho foi desfeito
mil povos pratearam.
A terra está sentida de tanto sofrimento.
Mas...

VII
Haverá manhã
e o sol cobrirá
com os seus raios de luz
a rosa dos ventos


Graça Graúna. Tessituras da Terra. Belo Horizonte. M.E. Edições Alternativas, 2001, p. 46-49.
Veja também em Poetas del Mundo