segunda-feira, 20 de abril de 2009

Porantinando*

Criança Saterê
Foto: Jonne Roriz/AE


Remo
Arma
Memória

Sei dos segredos
dos pesadelos

da solidão
dos anseios

do pranto
das matas

dos rituais
das eras

dos mares
das lutas

das curas
das ervas

trago sementes do céu
cultivo os caminhos
conheço o cheiro da terra
mergulho nos sonhos

porantinando a esperança
pelo rio afora
sou arma, remo e memória


(*) No idioma Saterê Mawé, porantim significa remo, arma e memória. O povo Saterê (originário do tronco Tupi) habita na área indígena Andirá-Maráw (delimitada pela Funai) entre o Amazonas e o Pará.

Graça Graúna. Tessituras da terra. 2. ed. Belo Horizonte: M.E. Edições Alternativas, 2001, p. 26-27.

Nota:poema publicado no Overmundo com 176 votos.

4 comentários:

Helder Herik disse...

Graça companheira vamos paratinar sempre.

Um forte abraço.

GRAÇA GRAÚNA disse...

Herik, poetamigo: beleza a sua doce presença aqui. Volte sempre, bjos.

Cristiano Melo disse...

Que belo poema Grauninha.
o mito/lenda de Andirá é muito belo.
seu poema traz uma leveza de um tempo, que pode ser passado, do presente(dificilmente infelizmente) e quem sabe do futuro(sejamos otimistas)
Parabéns sempre
beijos

GRAÇA GRAÚNA disse...

Meu querido Cristiano: pensei também em você nesses dias em que o nosso cerrado está em festa. Saiba, meu querido, que a tua presença é que faz o cerrado ser também leve e será sempre enquanto houver poesia. Grata pela visita. Bjos, Grauninha