sábado, 18 de outubro de 2008

Literatura e direitos humanos

 
Crédito: Graça Graúna
O Fórum Direitos Humanos na Educação Básica em Pernambuco é uma ação do Projeto de Literatura e Direitos Humanos da Universidade de Pernambuco – UPE, junto a Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República. Esse evento é destinado a professores da Rede Estadual e Municipal de Ensino e outras entidades envolvidas com os Direitos Humanos.
O evento será realizado de 24 a 26 de outubro, no auditório da Comissão de Desenvolvimento do Agreste Meridional – CODEAM (Av. Cap. Pedro Rodrigues, São José, Garanhuns, PE) e conta com o apoio da Secretaria de Educação de Pernambuco e do Núcleo de Estudos Comparados em Literaturas de Língua Portuguesa – NESC/UPE.

A temática gira em torno dos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos e compreende as seguintes atividades: Mesa-redonda com Profa. Aida Monteiro e Deputada Teresa leitão; Vigília literária - oficina de hai kais, com Graça Graúna; Oficina Cultura e Direitos Humanos, com Magdalena Almeida; Teatro do Oprimido, com atores da comunidade quilombola do Castainho e o GT – Grupo de Trabalho – identidade e local: vivências, com dobraduras de “tsurus”, com as Professoras Waldenia Leão, Denize Aquino e Graça Graúna - coordenadora geral do projeto.

Mais informações podem ser solicitadas ao Comitê Estadual de Educação em Direitos Humanos de Pernambuco - CEEDH-PE - e-mail: ceedhpe@yahoo.com.br
Nota: no site Overmundo, este artigo recebeu 141 votos

FLIG


III FESTIVAL DE LITERATURA DE GARANHUNS – FLIG

6ª feira – 17 de outubro de 2008
17h15 às 17h45
(Tendas)
Mesa Redonda:
Universidade de Pernambuco - Campus Garanhuns

Literatura Indígena e Afro-descendente
(samba-de-côco, como manifestação cultural em Garanhuns)

Presidente: José Maria Leitão
Palestrantes:
Maria das Graças Ferreira Graúna
e
Magdalena Maria de Almeida

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Legado

Imagem da Internet
a grande lua de fogo
revelou a sua face agréstia
e, devagarosamente,
foi indo, foi indo
gravitando
na incandescência.

Com a lua cheia
um véu de estrelas espantou a neblina.

Na agrestidade do ser
cavamos os sonhos
contra a desesperança
que circunda as nossas vidas

Graça Graúna, Nordeste do Brsil, 1º semestre de 2007.


Nota: há um ano ( em 2007) entrou a lua bem cheia pela janela da sala em que eu estava com os meus alunos. Um deles estava doente e naquela noite pituma (escura) a lua mostrou a sua face agreste para uma despedida. Nem chegou a outra lua e o perdemos. Propuz a meus alunos que fizessem um poema; eu também escrevi um, chama-se Legado; poema postado também em outras comuniddes literárias no espaço virtual.
No site Overmundo, este poema recebeu 200 votos.

sábado, 11 de outubro de 2008

Pelo dia das crianças

Eu, eterna criOnça, no colo da minha mãe Noemia.

Reinações


Alegria de chegança
no meio da tribo
verte-se em estrelas:
Bisa, Bebel,
Íris, Caio e Davi.

Múltipla chegança:
Rudá, Mariana
Ian, Iasmin
Acalentam os dias.

Na tessitura dos sonhos
Pedrinhos e Quixotes,
Joãozinho e Edu
habitantes do sítio,
o mesmo de Clara e Flora,
de Sherazade e Emília.

O sitio,
onde mil noites não bastam
e os dias são curtos
para contar as reinações
de narizinhos arrebitados
e os misteriosos caminhos de Sofia.


Graça Graúna, Nordeste do Brasil.

Nota: este Poema integra a Antologia InternacionalTerra Latina ©2005 - Editada pelo Projeto Cultural ABRALI

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

A imprensa não vê

Foto: Graça Graúna. Tsurus - tema de um dos muitos cartazes espalhados pela Feira Pan-Amazonica do Livro, que homenageou os 100 anos da imigração japonesa



Nunca é demais refletir acerca da exclusão que há mais de 500 anos sofrem os nossos parentes indígenas. Recentemente estive participando de uma mesa-redonda sobre Literatura Indígena, na XII Feira Pan-Amazônica do Livro, em Belém-Pará. Confesso que fiquei maravilhada com o vai e vem constante de pessoas curiosas em torno do universo do livro. Da mesa participaram o Daniel Munduruku, o Yaguarê Yamã e eu - Graça Graúna - como mediadora. É certo que fomos bem acolhidos pela organização do evento; estivemos em um hotel muito chic, tivemos transporte. No Hotel, tivemos contato maravilhoso, ainda que relâmpago, com outros escritores: Ariano Suassuna, Marina Colassanti, Afonso Romano de Santana, Rubem Alves....Até aí, tudo bem....mas nos cinco dias da Feira de Livros quase nada foi mencionado na mídia a nosso respeito. Pra não dizer que não falaram de flores, apenas copiaram a programação geral do evento e com muito esforço, com uma lupa, seria possível ver o tema da nossa mesa-redonda que tratou da oralidade e da escrita no universo da cultura indígena. Os nossos nomes sequer aparecerem. O Yaguarê, o Daniel e eu entendemos, logicamente, o recado; fomos convidados sim, fomos bem tratados sim, mas não tivemos voz o suficiente para marcar a nossa presença no planeta do livro pan-amazônico. A platéia de professores e estudantes que nos prestigiou foi a nossa força também naquele dia em que os jornais estampavam mais as "socialaites" e por que haveriam de estampar a imagens de três escritores indígenas? Apesar de tudo, deixamos nossos recados. Tivemos um encontro com os pesquisadores mirins no Museu Goeldi; visitamos outros museus, como brasileiros também que somos zelosos da nossa história. Ainda deu tempo de conhecer uma bela família Munduruku que nos recebeu a todos com grande alegria. Caminhamos em Belém....passeamos peloVer-o-Peso, admiramos nossos irmãozinhos urubus aos montes, lá nas docas; sentimos o cheirnho gostoso do Pará e o levamos impregnado em nossa roupa, em nossa pele, no nosso espírito. Ora...também nos reconhecemos em meio a tantos irmãos e irmãs excluídos(as) e nos damos conta que somos mais que 300, somos milhares ainda a acreditar na força das águas dos igarapés. Somos fortes ainda; caminhamos fortes, mas isso os jornais não contam. Depois eu volto.


Paz em Nhande Rú ,
Graça Graúna
Ao escrever, dou conta da ancestralidade;
do caminho de volta,
do meu lugar no mundo (Graça Graúna)