domingo, 21 de setembro de 2008

marGARIdas

Gari, foto da Internet.



Nem todas as flores
vivem gloriosamente em flor.
Uma delas sobrevive
catando os nossos restos
juntando os nossos pedaços
do playground à lixeira

marGARIda-amarela
marGARIda-do-campo
marGARIda-sem-terra
marGARIda-rasteira
marGARIda-sem-teto
marGARIda-menor

pela terra mais garrida
de maio a maio arrastando
o seu carrinho de GARI.

Catando os nossos restos
juntando os nossos pedaços
vai e vem uma marGARIda
brotar no seu jardim


Graça Graúna. Tessituras da Terra. Belo Horizonte: M.E Edições Alternativas, 2001, p.45 (prefácio de Wilmar Silva).

Nota: no site Overmundo, este poema recebeu 253 votos.

2 comentários:

Educadora em Direitos Humanos disse...

começo de primavera. Pra não dizer que não falei de flores.

Linhas do desassossego disse...

nunca havia parado para pensar a beleza da marGARIda!!!!

bjus,
dordades...