terça-feira, 25 de março de 2008

Da nossa ancestralidade indígena e africana


Ilustração: Brasilia Morena
Esta foi a maneira que encontrei para agradecer ao poeta Geraldo Maia (BA) as suas boas palavras acerca da troca de saberes, fundamental na missão de garantir os direitos pela liberdade de expressão, sempre.
...oh, Nhande Rú, quanta responsabilidade ser mencionada em meio a grandes pensadores, nordestinos, brasileiros, latinos; em meio a grandes nomes de educadores do quilate de Paulo Freire e tantos outros!

...oh, Nhande Rú, não sei mesmo onde e como colocar as palavras que eu preciso, careço dizer e não consigo, tão grande é a minha alegria e tão grande é o medo também que sinto diante dessa responsabilidade estampada na reflexão “Que fronteiras?*”, do poetamigo Geraldo Maia!

...oh Nhande Rú eu sei que sou uma de suas criaturas e no momento tudo que me fica é essa esta vontade enorme de pronunciar os nomes todos que me guiam e que para mim são um mantra, nomes dos meus irmãos e irmãs de luta, nomes que você foi juntando ao meu pra aumentar o circulo da nossa resistência porque todos nós carecemos estar juntos para fazer pulsar os corações, as mentes na luta pela justiça social.

...oh, Nhande Rú é assustador e ao mesmo tempo gratificante ter a possibilidade de abertamente, assim, estampar a alegria que estou sentindo neste momento; um momento que não é só meu, um momento que não é estático porque o que vem de você e de Pacha Mama é algo mais forte do que a mente comum pode imaginar!

...oh Nhande Ru é tão bom ter o privilegio de cantar um mantra tecido em cada nome e sonhos dos meus irmãos e irmãs de diferentes etnias, meus irmãos e irmãs dos cadernos negros, da literatura indígena: Ubiratan Castro, Makota Valdina, Vanda Machado, Mãe Stella, Juvenal Payayá, Katão Pataxó, Fernando Conceição, Jerry Matalawé, Lande Onawale, José Carlos Limeira, Hamiltom Borges, Sérgio São Bernardo, Godi, Wakay, só alguns dos grandes nomes (como diz o Maia), e Abdias Nascimento, Cuti, Oswaldo de Camargo, Eliana Potiguara, Kaká Verá, Olívio Jecupé, Ferréz, Ele Semog, grande Geraldo Maia, Daniel Munduruku, Heitor Kaiová, Ademario Ribeiro,  Esmeralda Ribeiro, Geraldo Potiguar do Nascimento, Gilia Gerling, só alguns dos grandes pensadores da terra, do ar, das águas deste espaço inquietante chamado Brasil e que pode e deve ainda ser tratado dignamente como Pindorama.

...oh, Nhande Rú nde re re! Os nomes que eu não citei, por favor, entenda, estão todos do lado esquerdo do meu peito mas neste instante, tomada pelo contentamento peço por todos aqueles e aquelas que me ajudam a ser como sou; um ser avuante meio perdido nesse universo de alegria e dor. Ai, Nhande Rú nde re re! Gracias a la vida, não mereço tanto.


Graça Graúna, Nordeste do Brasil.


(*)Nota:
QUE FRONTEIRAS?

Autoria: Geraldo Maia

Segundo o grande mestre Paulo Freire "ensinar não é transferir conhecimento, mas criar possibilidades para a suja produção ou a sua construção". Pena que isso ainda não chegou à maioria das escolas e universidades desconectadas da realidade de seu mundo concreto. Na grande maioria de encontros, seminários, colóquios, congressos que pude assistir a maioria dos intelectuais convidados, quase todos doutores e mestres renomados revelaram-se domesticados ao texto do qual buscam apenas a inteligência dos autores sem ambição alguma de tornarem-se sujeitos da compreensão do que lêem, temerosos de arriscarem algo pessoal, criativo e relacionado com o que vem ocorrendo desde a sua própria realidade.
E o pior: a referência maior onde se sentem seguros ainda é a do invasor/colonizador . Vivem no Brasil, mas trazem nos seus discursos apenas a visão e o pensamento do mundo greco-romano, europeu e norte-americano. Tal comportamento fez com que se criasse uma Lei (Lei 10.639/03) obrigando o ensino da história e da cultura africana em todo o país, e mais recentemente a Lei 11.645, de 10 de março de 2008 que inclui o ensino obrigatório da História e Cultura Indígena.
Se não, continuaríamos a ter como único referencial de pensamento filosófico, de visão de mundo, de modo de pensar, sentir, fazer e espiritualizar- se, o modelo eurocêntrico e norteamericanizado. Um claro sintoma disso é o projeto cultural Fronteiras Brasken do Pensamento, que segundo o vice-presidente de Relações Institucionais da Brasken, Marcelo Lira, "proporciona à sociedade baiana a oportunidade de compartilhar idéias e obras de grandes pensadores mundiais" e, segundo ele, ´"é importante para a auto-estima da inteligência baiana".
Mas que fronteiras? Como elevar a auto-estima excluindo a contribuição local? Para cada pensador e artista "mundial" de outras nações, deveria ter pelo menos dois ou três "mundiais" locais. Aí, sim, o intercâmbio, o debate, a troca de saberes, a quebra de fronteiras. Nós somos "mundiais" também. Os grandes pensadores que conheço e que no momento interessam à construção do nosso conhecimento, do nosso pensamento, dos nossos saberes, não moram na europa e nos estados unidos, mas aqui mesmo, na Bahia e no Brasil. E na américa latina. Posso citar alguns deles: Ubiratan Castro, Makota Valdina, Vanda Machado, Mãe Stella, Juvenal Payayá, Katão Pataxó, Fernando Conceição, Jerry Matalawé, Lande Onawale, José Carlos Limeira, Hamiltom Borges, Sérgio São Bernardo, Godi, Wakay, só alguns dos grandes da Bahia, e Abdias Nascimento, Cuti, Oswaldo de Camargo, Eliana Potiguara, Kaká Verá, Olívio Jecupé, Ferréz, Ele Semog, Graça Graúna, só alguns dos grandes pensadores do Brasil.
Nós que vivemos quinhentos anos acachapados pela cultura, pela arte, pela visão de mundo e pelo pensamento europeu e norte-americano, precisamos investir, e muito, no nosso processo de descolonização e afirmação e valorização da nossa ancestralidade indígena e africana. Aí sim se estará contribuindo para elevar a auto-estima da inteligência baiana, mais de oitenta por cento negra e índia.
Geraldo Maia
Poeta e doutor honoris causa pela Uni American Universidade Corporativa das Américas. 71 8219-5934

15 comentários:

Educadora em Direitos Humanos disse...

Um comentário de Tânia Diniz, no yahoo (memerg@gmail.com):

querida, já tinha lido hj cedo, qdo visitei seu blog e nem falei, né? e gostei muito, ! adorei seu desenho feito pela neta, tbm, achei lindo, mesmo.O texto é ótimo, o seu e o do GMaia.Parabéns, bjão, Tania

Helder Hortta disse...

Um abraço a educadora de povo indigena, do povo brasileiro.
Viva o povo brasileiro e seus poetas.

abração Graça

Educadora em Direitos Humanos disse...

Um comentário, no Orkut, da minha amiga Célia Ramos (celia_ramos57@hotmail.com). Celia disse:

Li e como sempre me emocionei.
Você tem o dom da palavra.
Grandes péssoas.
Iluminadas.
Sinto orgulho de fazer parte de seu grupo de amigos minha Irmã querida.
Nde Karúdju.
Akuãawa.
Nhande Rú nde reré

Educadora em Direitos Humanos disse...

Do poetamigo Geraldo Maia (geraldomaia2007@gmail.com):

Olá, linda, lí o blog, está ótimo, estou fã, bola pra frente, amiga. Te espero por aqui em breve.
Beijo,
com carinho,
Geraldo Maia

adjair disse...

Oi Graça; eu diria sem exagero, que a coisa mais gratificante que me ocorrera ao chagara UPE, foi conhecer vc. Um símbolo da resistência cultural em tempos de Diáspora cultural. Agradeço a Deus e aos Orixás por ter me dado a benção de ter te conhecido e a oportunidade de aprender, até mesmo com o teu silêncio, com teu olhar humano sobre as coisas. Xero.
ADJAIR ALVES

Luis Carlos disse...

Podemos então proclamar a porcentagem correta das cotas: 33,333... para cada? A cota dos negros deve ser reduzida de 6,666... À cota dos índios deve-se adicionar mais 18,333...aos 15% existentes.O texto no linque abaixo tentou expressar esta mesma conta.

http://recantodasletras.uol.com.br/contos/645151

Oxalá aprovem!

Luís Carlos de Oliveira 'Aseokaýnha' ( do tupi= Céu da Boca)

Madalena Barranco disse...

Querida Graça, por que será que vir ao seu blog me emociona? Espere... Eu já tenho a resposta... Você filtra a força bruta da natureza através de sua evolução em forma humana. Você o faz de maneira original, por isso mereceu o destaque no texto de Geraldo Maia - concordo com ele quando diz que os "doutores" se esfalfam em provar e/ou comprovar o que os outros pensadores disseram (o que não é de todo errado), mas falta SIM a coragem de ser original e colocar para o mundo o que surge da própria fonte. Beijos, com carinho.

Educadora em Direitos Humanos disse...

no orkut, um recado da minha querida aluna Klebia:

Visitei seu blog não comentei lá por q não consegui minha internet é meio complicada, como foi mais fácil deixar um recado aqui lá vai.
Eu sempre tive orgulho de ser sua aluna, sua existência sempre foi motivo de inspiração pra mim já lhe disse e repito: Quando crescer quero ser como você.
Li o texto de Geraldo Maia e concordo, você nos faz perceber as coisas de acordo com a nossa realidade (sua aulas,e seus textos são exemplo disso),pensar sobre coisas de um jeito nosso,meu,seu de todos.
Claro que seu nome tinha que estar junto a todos aqueles pensadores.

Um Xeruuuuuu (você é arretada mesmo!)

magdalena disse...

Fico a pensar se, neste momento, tenho algo a dizer. Acabei de ver um power point sobre a beleza noturna. Procurei alguma terra minha, vi beleza, mas só do outro. Não há que se negar o outro, apenas afirmar a nós mesmos. Há lugar pra todos.

Educadora em Direitos Humanos disse...

Um comentário da minha amiga Ane, no Orkut, no dia 27 março.
Ane disse:

Tenho agradecido muito aos Bons Espíritos que me guiam por ter encontrado almas tão nobres como você, e outras pessoinhas lindas que conheci no meu recém aberto "iogurte".
Sempre fui muito resistente a sites como esse, mas resolvi me aventurar e procurar pessoas que se identificam com as questões indígenas. Aliás, não só indígenas, mas também o movimento negro, e todos os nossos irmãos que foram silenciados pela cultura oficial.
Nunca me enquadrei no mundo quadrado ocidental, meu lugar de encontro sempre foi a literatura.
Vocês poetas são a nossa voz.
Um beijo no seu coração e obrigada pelo carinho.

Educadora em Direitos Humanos disse...

Mais um comentário da amiga Ane, no Orkut, em 27 de março. Ane disse:

Acabei de ler seu poema "Canción peregrina", e me veio a lembrança de uma frase de Nélida Piñon em Vozes do Deserto: "Scherezade sabe-se instrumento da sua raça. Deus lhe concedera a colheita das palavras, que são o seu trigo".
Você, Graça Graúna, é a nossa Scherezade, a incansável contadora de histórias, que com seu canto abençoado por Nhanderú tem recuperado as tradições dos nossos ancestrais
Abraço

ANTONIO GODI:ESTÉTICA E DIÁSPORA NEGRA disse...

Grande das Gerais!
Que aponta p. os Maias tantos...
Os indios e negros tantos...
Contemplando a poesia de tds. nós...
Geraldo dos arautos da praça...
Da maioria do q. somos...
E da generalidade de n. poesia...
Genialidade dividida c. Antonio Short...
Tb. grande na construção de n. poesia...

Godi

GRAÇA GRAÚNA disse...

Olá, GODI, meu amigo irmão de luta: muito grata por sua visita ao meu blog. Repassarei ao poeta maia as suas belas palavras e não tenho dúvida que a alegria dele será tanta. Paz em Ñanderu, Grauninha

ANTONIO GODI:ESTÉTICA E DIÁSPORA NEGRA disse...

Eta Graça!
Aqui digita Antonio Godi...
Amei seu retorno...
No Geral os Maias de nós nos liga...
Esse Geraldo sempre m. tocou...
Tocou minha geração p. além da praça...
São tantos contatos q. demoro n. retorno...

Godi

GRAÇA GRAÚNA disse...

Godi: que surpresa maravilhosa. Fico mesmo feliz por sua chegança e pela boa lembrança do querido Maia, o poeta. Bjos, Grauninha

PS: não consegui acessar o seu blog; consta fora do ar.