domingo, 21 de dezembro de 2008

Escritos

Imagem Google - coleção Nicoletta


...e se me ponho a juntar
escritos de gozos
raízes de abraços

bem sei: não é apenas saudade
ou mesmo lembranças
a dor que me cerca

é algo mais forte
que o tempo da distância
não alivia, nem basta.


Graça Graúna. Tessituras da terra. 2. ed. Belo Horizonte: M.E. Alternativas, 2001, p. 35.
Nota: no site Overmundo, este poema recebeu 211 votos.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Para enfeitar o Natal

Imagem Google. Desenho de José Pádua


I
Poemas de Natal
deviam se de alegria,
mas por força do ofício
ponteio em litania

II
Pegue o viaduto
vá na contramão
em cada esquina um presépio
em construção

III
Nasceu um menino
sem “Alegria dos homens”
sem espera, sem abrigo
sem lampejos e encantos

IV
Nasceu um menino!
sequer tive tempo
de escovar os cabelos
de chegar ao cinema
de checar os e-mails
de acompanhar os eventos
de acender as velas
e agradecer os presentes
dos amigos secretos

V
Yes
natal
que é natal
tem que ter estrela
bem no topo da árvore
de preferência banhada de
purpurina. Enfeites, efeitos,
grifes, beijinhos, velas, guardanapos,
vídeos, cds, framboesas, cartões de crédito,
postais e poemas que não falem do absurdo presépio
sob o viaduto
em construção

VI
Yes, Sir.
Meu poema de Natal
foi levado pelo vento
para fazer companhia
às almas no esquecimento

VII
Pra longe foi meu poema
lavrado pelo sereno
da noite para espantar
as barricadas da fome
nos quatro cantos do vento


Graça Graúna, Nordeste do Brasil.

Graça Graúna. Tessituras da terra. Belo Horizonte: M.E. Edições Alternativas, 2001, p.50-53
No site Overmundo, este poema recebeu 267 votos.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Alquimia




O beijo, de Rodin


As primeiras impressões nuas aquecem
a roupa do teu corpo
em minha pele

no campo da esperança
o vento sopra
negros mantras de amor

dentro de mim um rio em transe
na tessitura dos sonhos
(só alquimia) meu gozo é teu

Graça Grauna, Nordeste do Brasil, 13.dez.2008
Nota: no site Overmundo, este poema recebeu 253 votos

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Intuição

Imagem Google

para Hideraldo e Ayruman - poetamigos xamãs.

Quem peregrina reconhece
os caminhos identitários
não desperdiça a vida
mas transcendem à luz
dos saberes ancestrais

Os filhos do sol
os irmãos da Lua
sabem da língua de Sol
e do canto da Lua
pois intuem o que é ser vivente

Ser cria do sol
ou irmãos da Lua
é saber desde sempre
(como quer a poesia)
que a vida exige transparência
e nesse ritmo lutar pela paz

Graça Graúna
Nordeste do Brasil, 8.dez.2008, Dia de N.S.Conceição.
Nota: no site Overmundo, este poema recebeu 254 votos

domingo, 7 de dezembro de 2008

Este Blog recebeu mais um selo: "O Melhor da Web"


GRAÇA GRAUNAO Seu site: http://www.ggrauna.blogspot.com foi APROVADO em nosso Sistema de Troca de Visitas e já está OPERACIONAL.Aproveitamos a oportunidade e orgulhosamente concedemos ao seu site: O selo de Site Selecionado pelo Melhor da Web. A partir de agora, você poderá exibir com orgulho esse Selo que coloca o seu site em Destaque. Copie o código abaixo e cole na sua página principal.
Parabéns! Grato pela Atenção!
Cláudio Joaquim, responsável pelo http://www.omelhordaweb.com.br/

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Lançamento do Comitê Estadual em Educação e Direitos Humanos


Imagem Google

Em meio às celebrações dos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, as Comissões de Educação e Cultura e de Defesa da Cidadania realizam uma Audiência Pública, em parceria com a Universidade de Pernambuco (UPE) – para o “Lançamento do Comitê Estadual de Educação em Direitos Humanos”. As referidas comissões são presididas, respectivamente, pelas Deputadas Teresa Leitão e Terezinha Nunes.
A Audiência que se realizará no dia 10 de dezembro de 2008, às 10 horas, no Auditório, 6º andar, anexo I da Assembléia Legislativa do Estado de Pernambuco, contará com a presença de representantes de Movimentos Sociais: Comunidades Indígenas e Quilombolas, Associações de Idosos, Mulheres, Grupos de Saúde, Conselho Tutelar, Secretaria de Educação do Estado e do Município, Secretaria Municipal de Direitos Humanos e entidades afins. O lançamento do Comitê é uma das metas da Secretaria Especial de Educação em Direitos Humanos da Presidência da República – SEEDH-PR junto às catorze Universidades que tiveram seus projetos aprovados em 2006; entre eles, o Projeto de Literatura e Direitos Humanos, da UPE - Campus Garanhuns que tem como coordenadora a Profa. Graça Graúna e como Técnica Responsável, a Profa. Waldênia Leão.

O símbolo do Projeto é a Bandeira da Paz, um dos mais antigos do mundo. Suas três esferas foram definidas pelo artista russo Nícholas Roerich, em abril de 1935, como a síntese de todas as artes, todas as ciências e todas as religiões dentro do círculo da cultura. Ele definiu cultura como o cultivo do potencial criativo no homem. Acreditou que alcançar a paz através da cultura é um propósito para ser realizado através do esforço positivo da vontade humana.

Nessa mesma data, a programação da UPE se estende pela noite com apresentação do Teatro do Oprimido. Haverá também um recital com alunos do Curso de Letras e na Biblioteca da UPE uma exposição de livros e cartazes relacionados ao tema e, no hall da Faculdade, mais uma exposição de Tsurus em movimento. Na ocasião será apresentada a edição especial do Mafuá, Jornal Literário de Garanhuns/PE, enfatizando a relação entre Literatura e os Direitos Humanos.

Graça Graúna, Nordeste do Brasil, 4 de dezembro de 2008
Nota: no site Overmundo, esta matéria recebeu 153 votos.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Brasil indígena

Imagem Google: abril indígena



Utopia e cantar
uma trajetória possível:
Pindorama


Nota: em Tupi, Pindorama quer dizer "terra das palmeiras".
Graça Grauna. Canto Mestizo. Hai-kais. Maricá/RJ: 1999.

Nota: no site Overmundo, este poema recebeu 147 votos

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Macunaima

Do fundo da mata virgem
ele ri mui gostosamente alto
e diz: – ai que preguiça!

Coisa de sarapantar
os sons e os sentidos
espalham-se
um
três
trezentos
amarelos
brancos
pretos retintos
pícaros/ícaros
Brasil
brazis
crias de um homem submerso

Graça Graúna. Canto mestizo. Marica/RJ: Blocos, 1999.
(*) Imagem Google: Operário, de Tarsila do Amaral
Nota: no site Overmundo, este poema recebeu 167 votos

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Prêmio Dardos

Com o Prêmio Dardos reconhecemos os valores que cada blogueiro mostra a cada dia no empenho em transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, em demonstrar, em suma, sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras.”
Estas palavras remetem ao Blog Graça Graúna que recebeu o Prêmio Dardos, conferido por Márcia Sanches Luz. Com este prêmio recebi também o direito de homenagear 15 Blogs. Para tanto, os homenageados que desejarem exibir o selo observem o seguinte:
1- Linkar o blog do qual recebeu o prêmio.
2 - Escolher 15 blogs para entregar o Prêmio Dardos e colocá-lo em seu blog (explicando ou não o motivo da premiação) e enviar esta mensagem ou outra com seu estilo a cada um dos escolhidos, como sugere a poetamiga Márcia. Nessa perspectiva, o Prêmio vai para:
Aníbal Beça
A Amazônia é nossa
Cores da palavra
Daniel Munduruku
Dhnet
Eliane Potiguara
Hideraldo Montenegro
Interpoética

Linhas do desassossego
Madalena Barranco
Olívio Jekupé
Repórter Free
Com abraçares, Graça Graúna
Nordeste do Brasil, 17 de novembro de 2008

sábado, 1 de novembro de 2008

Oficina: Literatura Indígena no Brasil


PROGRAMA NACIONAL DE INCENTIVO À LEITURA
XII ENCONTRO ESTADUAL PROLER

6 e 7 de novembro de 2008

OFICINA
Literatura Indígena no Brasil
Ministrante:
Graça Graúna

Sobrevivente


  
Imagem da Internet. Piano de John Lennon


A bala se alojou em minh'alma.
De repente
como se nada tivesse acontecido
tomei um porre
dobrei a esquina.


Nota: e tudo que ele pedia era uma chance à Paz.

Sobrevive. In: Graça Graça Graúna. Canto mestizo. Marica/RJ: Blocos Editora, 1999.
Nota: no site Overmundo, este poema recebeu 187 votos

sábado, 18 de outubro de 2008

Literatura e direitos humanos

 
Crédito: Graça Graúna
O Fórum Direitos Humanos na Educação Básica em Pernambuco é uma ação do Projeto de Literatura e Direitos Humanos da Universidade de Pernambuco – UPE, junto a Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República. Esse evento é destinado a professores da Rede Estadual e Municipal de Ensino e outras entidades envolvidas com os Direitos Humanos.
O evento será realizado de 24 a 26 de outubro, no auditório da Comissão de Desenvolvimento do Agreste Meridional – CODEAM (Av. Cap. Pedro Rodrigues, São José, Garanhuns, PE) e conta com o apoio da Secretaria de Educação de Pernambuco e do Núcleo de Estudos Comparados em Literaturas de Língua Portuguesa – NESC/UPE.

A temática gira em torno dos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos e compreende as seguintes atividades: Mesa-redonda com Profa. Aida Monteiro e Deputada Teresa leitão; Vigília literária - oficina de hai kais, com Graça Graúna; Oficina Cultura e Direitos Humanos, com Magdalena Almeida; Teatro do Oprimido, com atores da comunidade quilombola do Castainho e o GT – Grupo de Trabalho – identidade e local: vivências, com dobraduras de “tsurus”, com as Professoras Waldenia Leão, Denize Aquino e Graça Graúna - coordenadora geral do projeto.

Mais informações podem ser solicitadas ao Comitê Estadual de Educação em Direitos Humanos de Pernambuco - CEEDH-PE - e-mail: ceedhpe@yahoo.com.br
Nota: no site Overmundo, este artigo recebeu 141 votos

FLIG


III FESTIVAL DE LITERATURA DE GARANHUNS – FLIG

6ª feira – 17 de outubro de 2008
17h15 às 17h45
(Tendas)
Mesa Redonda:
Universidade de Pernambuco - Campus Garanhuns

Literatura Indígena e Afro-descendente
(samba-de-côco, como manifestação cultural em Garanhuns)

Presidente: José Maria Leitão
Palestrantes:
Maria das Graças Ferreira Graúna
e
Magdalena Maria de Almeida

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Legado

Imagem da Internet
a grande lua de fogo
revelou a sua face agréstia
e, devagarosamente,
foi indo, foi indo
gravitando
na incandescência.

Com a lua cheia
um véu de estrelas espantou a neblina.

Na agrestidade do ser
cavamos os sonhos
contra a desesperança
que circunda as nossas vidas

Graça Graúna, Nordeste do Brsil, 1º semestre de 2007.


Nota: há um ano ( em 2007) entrou a lua bem cheia pela janela da sala em que eu estava com os meus alunos. Um deles estava doente e naquela noite pituma (escura) a lua mostrou a sua face agreste para uma despedida. Nem chegou a outra lua e o perdemos. Propuz a meus alunos que fizessem um poema; eu também escrevi um, chama-se Legado; poema postado também em outras comuniddes literárias no espaço virtual.
No site Overmundo, este poema recebeu 200 votos.

sábado, 11 de outubro de 2008

Pelo dia das crianças

Eu, eterna criOnça, no colo da minha mãe Noemia.

Reinações


Alegria de chegança
no meio da tribo
verte-se em estrelas:
Bisa, Bebel,
Íris, Caio e Davi.

Múltipla chegança:
Rudá, Mariana
Ian, Iasmin
Acalentam os dias.

Na tessitura dos sonhos
Pedrinhos e Quixotes,
Joãozinho e Edu
habitantes do sítio,
o mesmo de Clara e Flora,
de Sherazade e Emília.

O sitio,
onde mil noites não bastam
e os dias são curtos
para contar as reinações
de narizinhos arrebitados
e os misteriosos caminhos de Sofia.


Graça Graúna, Nordeste do Brasil.

Nota: este Poema integra a Antologia InternacionalTerra Latina ©2005 - Editada pelo Projeto Cultural ABRALI

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

A imprensa não vê

Foto: Graça Graúna. Tsurus - tema de um dos muitos cartazes espalhados pela Feira Pan-Amazonica do Livro, que homenageou os 100 anos da imigração japonesa



Nunca é demais refletir acerca da exclusão que há mais de 500 anos sofrem os nossos parentes indígenas. Recentemente estive participando de uma mesa-redonda sobre Literatura Indígena, na XII Feira Pan-Amazônica do Livro, em Belém-Pará. Confesso que fiquei maravilhada com o vai e vem constante de pessoas curiosas em torno do universo do livro. Da mesa participaram o Daniel Munduruku, o Yaguarê Yamã e eu - Graça Graúna - como mediadora. É certo que fomos bem acolhidos pela organização do evento; estivemos em um hotel muito chic, tivemos transporte. No Hotel, tivemos contato maravilhoso, ainda que relâmpago, com outros escritores: Ariano Suassuna, Marina Colassanti, Afonso Romano de Santana, Rubem Alves....Até aí, tudo bem....mas nos cinco dias da Feira de Livros quase nada foi mencionado na mídia a nosso respeito. Pra não dizer que não falaram de flores, apenas copiaram a programação geral do evento e com muito esforço, com uma lupa, seria possível ver o tema da nossa mesa-redonda que tratou da oralidade e da escrita no universo da cultura indígena. Os nossos nomes sequer aparecerem. O Yaguarê, o Daniel e eu entendemos, logicamente, o recado; fomos convidados sim, fomos bem tratados sim, mas não tivemos voz o suficiente para marcar a nossa presença no planeta do livro pan-amazônico. A platéia de professores e estudantes que nos prestigiou foi a nossa força também naquele dia em que os jornais estampavam mais as "socialaites" e por que haveriam de estampar a imagens de três escritores indígenas? Apesar de tudo, deixamos nossos recados. Tivemos um encontro com os pesquisadores mirins no Museu Goeldi; visitamos outros museus, como brasileiros também que somos zelosos da nossa história. Ainda deu tempo de conhecer uma bela família Munduruku que nos recebeu a todos com grande alegria. Caminhamos em Belém....passeamos peloVer-o-Peso, admiramos nossos irmãozinhos urubus aos montes, lá nas docas; sentimos o cheirnho gostoso do Pará e o levamos impregnado em nossa roupa, em nossa pele, no nosso espírito. Ora...também nos reconhecemos em meio a tantos irmãos e irmãs excluídos(as) e nos damos conta que somos mais que 300, somos milhares ainda a acreditar na força das águas dos igarapés. Somos fortes ainda; caminhamos fortes, mas isso os jornais não contam. Depois eu volto.


Paz em Nhande Rú ,
Graça Graúna
Ao escrever, dou conta da ancestralidade;
do caminho de volta,
do meu lugar no mundo (Graça Graúna)

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Café com Poesia II


VENHA SABOREAR ESSE "CAFÉ" POÉTICO CONOSCO.


CONVITE

O SESC GARANHUNS, através da Atividade Cultura, tem a honra de convidar V.Sa., digníssima família e amigos, para prestigiarem ao Projeto “Café com Poesia”. O projeto contará com a presença ilustre da conceituada escritora e professora universitária Graça Graúna. Desta vez a intervenção musical ficará por conta do talentoso músico Léo Noronha que interpretará belíssimas canções de nossa MPB em sintonia com o painel temático -
O SER E O TEMPO DA POESIA EM GRAÇA GRAÚNA ”.



"Ao escrever,
dou conta da ancestralidade;
do caminho de volta,
do meu lugar no mundo"
(Graça Graúna)


SERVIÇO
PROJETO CAFÉ COM POESIA
DIA: Terça-feira 30 de setembro
HORA: 19h e 30 min
LOCAL: Salão de eventos Jaime Pincho

Entrada Franca!

domingo, 21 de setembro de 2008

marGARIdas

Gari, foto da Internet.



Nem todas as flores
vivem gloriosamente em flor.
Uma delas sobrevive
catando os nossos restos
juntando os nossos pedaços
do playground à lixeira

marGARIda-amarela
marGARIda-do-campo
marGARIda-sem-terra
marGARIda-rasteira
marGARIda-sem-teto
marGARIda-menor

pela terra mais garrida
de maio a maio arrastando
o seu carrinho de GARI.

Catando os nossos restos
juntando os nossos pedaços
vai e vem uma marGARIda
brotar no seu jardim


Graça Graúna. Tessituras da Terra. Belo Horizonte: M.E Edições Alternativas, 2001, p.45 (prefácio de Wilmar Silva).

Nota: no site Overmundo, este poema recebeu 253 votos.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Escritos

Tela: Os amantes, de Nicoletta. Imagem na Internet


...se me ponho a juntar
escritos de gozos
raízes de abraços
bem sei:
não é apenas saudade
ou mesmo lembranças
a dor que me cerca
é algo mais forte
que o tempo da distância
não alivia, nem basta

Graça Graúna. Tessituras da Tera. Belo Horizonte: M.E. Edições Alternativas, 2001, p. 35 [Editado por Tânia Diniz].
Nota: no site Overmundo, este poema recebeu 211 votos.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Serra do Mar



A história foi se formando na paisagem:

nem poluição
nem violência nas ruas

nem jogos sofisticados
nem roupas de grife

barulho nenhum de automóveis
só a voracidade do vento passando por lá



Graça Graúna. Tessituras da terra. Belo Horizonte: M.E. Edições Alternativas, 2001, p. 40.



Nota:

“As migrações dos Guarani Mbyá, em direção ao mar, estão ligadas à procura da Terra sem Mal. Eles buscam a terra prometida (Yvi Mara Ey) neste mundo ou em um paraíso mítico além da Terra. Para os índios Guarani de Bracuí, há três possibilidades para a identificação deste local: depois do mar, no céu ou no Paraguai (centro da terra). O mar ocupa um lugar central na tradição Mbyá. Ao mesmo tempo que ele é um obstáculo para o Guarani transpor e atingir o paraíso – o ponto de chegada-, é , nas suas proximidades, que o destino desse povo pode se realizar. A predileção dos Guarani Mbyá pela Serra do Mar – ao invés da orla, como os antigos Tupi – adquire uma significação especial para esses índios devido ao mito de origem da terra. Ela é o dique do mar (Centro de Documentação Eloy Ferreira da Silva).
No site Overmundo, este poema recebeu 215 votos.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Quase-haikai II



À beira mágoa
oculta face da lua.
Lorca: vértice do grito.


Graça Graúna. Hai kais. In: Canto Mestizo. Maricá/RJ: Blocos Edtora, 1999.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Quase-haikai I

Espantalho, de Portinari


1.
Braços para o infinito
o espantalho subverte
a ferocidade do mundo

2.
Entre o sono e a vigília
o canto da cigarra
inunda o sertão

3.
Noctívaga dor-em-dor
pouso na árvore do mundo
clandestina

4.
Porque és pedra
o que dirá a poesia
sem a tua presença?

5.
Dias de sol
distendo as velhas asas
num hai kai latino


Graça Graúna. Hai kais. In: Canto Mestizo, 1ª parte. Maricá/RJ: Blocos, 1999, p. 17-21.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Elegia do amor maduro

O beijo, de Klimt



Quando o tempo do silêncio
assentar em nossos corações
a pedra do esquecimento
já não seremos aquela árvore vibrante
nem gozaremos com as vorazes cataratas
ao rumor da vida.

Quando ese tempo chegar
é certo que chorarei
sobre os restos mortais
do nosso verso-reverso.
É certo que chorarei
Sobre o nosso sudário.

Quando esse tempo chegar
a Paz e a Liberdade
de certo perguntarão:
– Vorazes cataratas ao rumor da vida,
sabedes nova do meu amado?
Sabedes nova do meu amigo?


Graça Graúna
Nordeste do Brasil, 25.jul.2008, Dia do Escritor

Nota: no site Overmundo, este poema recebeu 269 votos.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Quase idílio


  
Foto: Lucypassos


...vontade de ficar numa rede
recitar poesia
corresponder aos teus abraços e mais coisas....

quero ao pé da fogueira
ouvir o velho Gonzaga
e profundamente
amar você

- Ao som dos foguetes lá longe
as árvores rodeando, nos vigiando.

- O frio, a gente conversando, lendo na rede
(eu adoro rede e tenho uma que uso para ler)
uma rede para nós dois
nosso leito nupcial

Ao pé da fogueira, tanta coisa!
O licor e o milho
o beijo para dar
o abraço e mais coisas...

uma noite de São João
era uma vez
a festa que ele esperou
e ela também, o ano inteiro.
Num instante, tudo se desfez
e só restou a canção

---- * ----

“Quando eu tinha seis anos
Não pude ver o fim da festa de São João
Porque adormeci” (Bandeira).

Hoje, aos sessent'anos
leio Bandeira
Profundamente


Graça Graúna,
Nordeste do Brasil, 25.jul.2008
Nota: no site Overmundo, este poema foi contemplado com votos.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Cumplicidade


Agora e pela hora da minha agonia
louvo Trindade
e Jorge de Lima
cantando
catando
as duras penas


– De onde vem, Solano, esta agonia?
– Vem de longe, minha nega, de muito longe!
De Africamérica sonhada
lá, donde crece la palma
plantada en versos de alma
del hombre José Martí

– De onde vem, Solano, esta agonia?
– Vem de longe, nega!
Do comecinho das coisas,
de muito longe, nega,
muito longe.


Graça Graúna. Cumplicidade, In: Tessituras da Terra. Belo Horizonte: M.E. Edições Alternativas, 2001, p.17.
No site Overmundo, este poema recebeu 189 votos.


100 anos de um poeta negro. Solano Trindade nasceu no bairro de São José (Recife-PE), em 24 de julho de 1908. Filho do sapateiro Manuel Abílio e da quituteira Emerenciana, mais conhecida como Merença. Ele foi pintor, teatrólogo, folclorista, ator e, por excelência, poeta da resistência negra. Em 1936, fundou a Frente Negra Pernambucana e o Centro de Cultura Afro-brasileiro com o objetivo de divulgar intelectuais e artistas negros(as).

Para saber mais, visite a Biblioteca Comunitária Solano Trindade

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Canto Mestizo



Donde hay una voluntad
hay un camino de espera.
Apesar de las fronteras
las carceles se quebrantan.
Mira! En mi tierra mestiza
un pájaro de América canta!

Canta la Libertad, hermano!
Canta la Libertad!

Canta la fuerza del pueblo
del niño solo en la calle
del campesino y el obrero
hermanos de la Verdad.
La Libertad incendia
tu voz cruzando el aire.

Canta la Libertad, hermano!
Canta la Libertad!


Graça Graúna, Nordeste do Brasil, março de nuvens escuras em 1979, In: Canto Mestizo. Editora Blocos, Maricá/RJ, 1999.
NOTA: há mais de 30 anos fiz este poema em homenagem a Mercedes Sosa e a todos(as) militantes da justiça, da liberdade e da paz na América Latina. Com este poema também homenageio a colombiana e ambientalista Ingred Bettancourt. Paz em Nhande Rú para todos(as).
Nota: no site Overmundo, este poema recebeu 176 votos>

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Horas-cheias

Foto: dominio público

nossos passos ecoam
em meio ao frêmito de asas
a poesia vem e vai
se alastrando
como quer a natureza:
gruta
seios
o sol-ponteiro
cabelos ao vento
o arrepio de corpos
em meio a passarada

(Graça Graúna, Nordeste do Brasil, 2 de julho de 2008)
Nota: no site Overmundo, este poema recebeu 151 votos.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

A força da imagem-palavra indígena



Da esq. pra dir: Maurício Krenak, Cássio Potiguara, Olívio Jekupé, Bethb Serra (FNLIJ), Daniel Munduruku, Armando Jabuti, Marcio Bororo, eu Graça Graúna e Álvaro Tukano. Foto: Jussara.


Quando vi tantos parentes reunidos no V Encontro de Escritores e Artistas Indígenas, veio a minha mente a idéia de que esse V Encontro sintetizou nossas vozes e angústias acumuladas há mais de 500 anos.


Li o emociante depoimento do parente Cássio Potiguara (O encanto da palavra na terra da Kari - Oca) acerca do V Encontro de Escritores e Artistas Indígenas, em terras cariocas. Acho que ele conseguiu sintetizar o sentimento de todos que participaram desse grande acontecimento. Muito importante, sim, e que não poderia ser diferente, pois contando com as boas energias de líderanças indígenas, o nosso V Encontro ultrapassou as expectativas. Tivemos para nos guiar, a força da imagem e da palavra dos grandes líderes do Movimento Indígena: Álvaro Tukano, Ailton Krenak, Daniel Munduruku e Eliane Potiguara e de todos os nossos ancestrais que se fizeram presente para fortalecer nosso espírito em prol do bom andamento do Encontro.
Não esquecerei dos sagrados momentos que todos(as) tivemos durante as quatro mesas-redonda: na manhã da quarta-feira nos deleitamos "Em um mundo habitado por Espíritos", com a participação de Álvaro Tukano, Daniel Munduruku e Ailton Krenak.
Na seqüência, a palavra germinando em poesia e contação de histórias "Em um mundo formado por Palavras e Deusas", teve a participação de Marina, Rosa, Eliane Potiguara, Graça Graúna e Aurilene Tabajara.
No período da tarde, o universo masculino mostrou também sua sabedoria e arte "Em um mundo repleto de Sons e Imagens", com Cristino Wapixaa, Marcio Bororo (música), Wasiry Guará (letra e grafismo), Elias Maraguá (grafismo), Xohã Carajá (grafismo) e Cleomar Umutina (grafismo). Na mesa "A Palavra virou Letra”, a grande participação de Cássio Potiguara, Getúlio Wapixana, Luciano Umutina (teatro) Olívio Jekupé e Daniel Munduruku.
Quando vi tantos parentes reunidos no V Encontro de Escritores e Artistas Indígenas, veio a minha mente a idéia de que esse V Encontro sintetizou nossas vozes e angústias acumuladas há mais de 500 anos; por isso mesmo, foi natural a nossa ansiedade de querer mostrar tudo ou quase tudo que inquietava o nosso espírito e por isso mesmo, antes da abertura do evento, o Daniel Munduruku, Álvaro Tukano, Ailton Krenak e Olívio Jekupé abriram o evento com uma cerimônia que culminou com a participação de dezenas e dezenas de pessoas que fizeram um grande circulo em volta da fonte e do jardim no pátio interno do MAM. Foi preciso vibrar os maracás para equilíbrio do encontro e do planeta.
À noite da quarta feira, o nosso grupo liderado por Álvaro Tukano, Ailton Krenak, Daniel Munduruku e Eliane Potiguara participou do I encontro da UERJ com Escritores Indígenas, encontro este coordenado pelo Prof. José R. Bessa Freire, integrante da lista de Literatura Indígena.
Esta é apenas uma pequena parte da história, pois o V Encontro de Escritores e Artistas Indígenas não ficou restrito ao 10º Seminário da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil; tivemos outros momentos sob a generosidade de Beth Serra – responsável pelo sucesso do 10º seminário da FNLIJ. Tivemos muitas atividades paralelas e a esse respeito voltaremos a conversar. Paz em Nhande Rú.

Graça Graúna
Nordeste do Brasil, 9 de junho de 2008

sábado, 24 de maio de 2008

V Encontro de Escritores Indígenas


A convite do presidente do Inbrapi – Daniel Munduruku - estive no V Encontro de Escritores Indígenas, promovido pelo Instituto Indígena Brasileiro para Propriedade Intelectual – INBRAPI, e realização do Núcleo de Escritores e Artistas Indígenas do Inbrapi – NEArIn, com parceria da Rede GRMIN de Mulheres Indígenas. O evento contou com o seguinte apoio: Instituto C&A, Fundação Ford, Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil – FNLIJ
Entre os dias 25 de maio a 01 de junho de 2008, nos reunimos no Museu de Arte Moderna – MAM e Centro de Acolhida Assunção/Rio de Janeiro/RJ.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Pra dizer adeus


...o sol está bonito hoje
e a sua luz até parece ressuscitar
as folhas vermelhas de outono.
Hoje,
à sombra de uma segunda-triste
escrevo uns versos para contrariar o estático.
Aqui,
onde estou agora,
no mar da palavra
vem de longe um barco,
e o barquinho vai ...talvez um barco bêbado...
de longe vem outro barco
vou ao encontro e dou conta:
onde está o meu amor?
Foi só uma aparição
uma vaga impressão...
foi uma vez o amor
e era ainda uma vez.
Grito e o sol vai embora.
Agora, só chove
e na urgência me recolho
a tantos fazeres
porque o dia urge
e o poema também tem pressa
e pede licença pra dizer adeus

Graça Graúna,
Nordeste do Brasil, segunda-feira, 19 de maio 2008
Nota: no site Overmundo, este poema recebeu 177 votos.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Um lugar sedutor

Imagem disponível em: www.call.org.br

O poeta Selmo Vasconcelos, natural de Bangu – Rio de Janeiro, lançou no Orkut uma pergunta para uma pesquisa que ele está fazendo. Aos amigos ele perguntou:

QUAL A IMPORTÂNCIA DA BIBLIOTECA PARA VOCÊ ?

Eis a minha resposta:

Selmo, poetamigo, eis a minha humilde impressão da importância que tem a Biblioteca para mim: uma das visões mais bonitas que eu já li a respeito da biblioteca é que à noite ela pode se parecer com um navio todo iluminado; esta é a visão do grande leitor e escritor Alberto Manguel. Ele tem uma maneira original de nos aproximar dos livros e ao ler a obra dele “A biblioteca à noite”, veio um estalo de que todos(as) nós somos ou poderemos ser eternos viajantes e amantes que se encontram no grande porto que é a literatura e no lugar sedutor que é a Biblioteca.

Graça Graúna, Nordeste do Brasil, 29.abr.2008.

sábado, 26 de abril de 2008

Para uma consciência étnica

D. Pretinha (louceira), anciã da comunidade quilombola de Imbé - Capoeiras/PE
Foto: Roberto Tavares, com direção e arte do educador Agostinho Jessé

UMA EXPLICAÇÃO NECESÁRIA: durante a Semana dos Povos Indígenas 2008, tive a alegria de reencontrar pessoas amigas durante um Ciclo de Debates no Teatro do Arraial, lá na Rua da Aurora, Recife, onde fiz a abertura do evento Ciclo de Debates de Cultura e História Indígena, a convite da Professora Magdalena Almeida (UPE) e dos amigos da Casa do Carnaval. Isto aconteceu no dia 22 de abril, à tarde; no intervalo para um cafezinho, encontrei Teresa Amaral e Roberto (Fundarpe); este último relembrou com entusiasmo da Carta de Garanhuns que fizemos no Fesival de Inverno de 2003, quando coordenei a Primeira Oficina de Literatura Indígena. Tivemos participação de diferentes etnias: payaya, fulni-ô, potiguar, xukuru e mais um monte de gente bonita e guerreira que foi se juntando em prol de uma consciência étnica. A carta foi lida pelo poeta baiano Geraldo Maia, no encerramento do festival, no Parque Euclides Dourado. No palco, ficamos de mãos dadas: os poetas Ademario Ribeiro, Geraldo Maia e Juvenal Payaya que vieram da Bahia, e eu. Nesse ritmo também subiu ao palco o amigo Roberto e mais os coordenadores da oficina Ubanga Dikila: Banquete Cultural. Vale lembrar que antes do encerramento, juntamos nossas forças na comunidade quilombola do Castainho; lá, os encantados negros e índios tocaram nosso espirito para dançar o toré e plantar uma gamileira que, hoje, está bem frondosa; pertinho dela se vê e se sente a força do diálogo entre diferentes etnias. Quem for lá em Castainho, perto da gameleira, verá uma placa onde se lê, sem hífem, um nome que criei/sugeri para selar a nossa identidade: indígena e afrodescentente. E foi tanto choro de alegria na hora de plantar a gameleira, que veio uma chuvinha fina como sinal de aprovação da Mãe Natureza que guiou a todos(as) nós naquela sagrada manhã de 17 de julho de 2003, na terra das sete colinas, chamada Garanhuns. Assim, sem mais delongas, vamos à carta com saudações a todos os povos, para marcar a nossa presença no planeta (Graça Graúna)

CARTA DE GARANHUNS

Nós, abaixo assinados, reunidos na cidade de Garanhuns, Pernambuco, Brasil, durante o XIII Festival de Inverno de Garanhuns - 2003, comunicamos a todos os povos do planeta que o aprofundamento e a ampliação da consciência da identidade indígena e afrodescendente é a principal contribuição dos povos excluídos no processo de construção de um pensamento capaz de responder de forma efetiva e definitiva às questões relativas à sobrevivência e evolução dos povos que habitam atualmente o planeta.
Outra contribuição importante é a imediata articulação dos diversos setores organizados da sociedade no sentido de viabilizar as seguintes proposições:
1 - organizar acervos de literatura indígena e afrodescendente nas escolas, nos diversos níveis de aprendizado, incentivando na escolha dos livros escolares indígenas, africanos e seus descendentes;
2 - propiciar a aquisição de periódicos abordando a causa indoafricana para bibliotecas e escolas públicas;
3 - promover capacitações para educadores em torno da cultura indígena e afrodescendente;
4 - promover projetos, oficinas e seminários de intercâmbio cultural, ministrados por indígenas e afrodescendentes, buscando a inclusão do pensamento ancestral no cotidiano das escolas;
5 - incorporar a consciência ecológica indoafricana nas discuções e resoluções relativas ao meio ambiente;
6 - inventariar o patrimônio material e imaterial indioafrobrasileiro.

A importância desses aspectos ficou evidenciada ao longo dos trabalhos realizados pela oficina de Literarura Indígena Contemporânea no Brasil e a oficina Ubanga Dikila: Banquete Cultural.
Saudações amorosas a todos os povos!

Garanhuns, 17 de julho de 2003.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Origami e poesia pela Paz

O texto abaixo foi enviado por Clevane Pessoa (uma poetamiga) aos milantes da Paz. Tania Diniz e demais poetas do grupo Mulheres Emergentes, Leila Miccolis, Clevane Pessoa e outros(as) estão envolvidas neste projeto. Divulgue! Participe!

Árvore da Paz: sexta feira-25 de abril, BH-MG
A Paz deve ser parte imprescindível do processo educativo.Amanhã, os Poetas pela PAZ e pela Poesia, estarão no centro Cultural S.Bernardo, no Bairro de mesmo nome, em Belo Horizonte, capital do Estado de MG, para declamarem poemas e os pendurarem em uma árvore.Marilza Máximo, funcionária que mantém oficinas de artesanato e origamis, preparou sua turminha e a cada poema declamada, um poema será colocado ná árvore, com um origami. Esperamos que dois rapazes que foram alunos de Teatro de fernando Fabrini e andam em pernas de pau, possam estar lá,para alcançar os galhos mais altos.Aliás, se você desenvolveu essa habilidade, esteja lá, para compartilhar conosco desse momento.Na ocasião, contarei a história da pré-adolescente Sadako Sassaki, vítima da bomba atômica lançada sobre Hiroshima e que fazia origamis de grous, ave sagrada, escrevendo a palavra PAZ em suas asas.Marilda terá ensinado às crianças a dobrarem os "tsurus"- e os adultos que quiserem também poderão aprender.Outras atividades serão realizadas, farei dinãmicas e relaxamentos.Esperamos sua preciosa presença.se puder estar conosco das 15 às 16:30 horas.também leremos e penduraremos poemas impressos no tema da Paz, que foram graciosamente oferecidos pela Gráfica e Editora "O Lutador",para o evento PAZ e Poesia", que no dia 30/03/2008, reuniu poetas .Foram distribuídos 152 mil poemas e 1200 livros.O endereço do Centro Cultural S.Bernardo,que conta ainda com salão de exposições (onde está a dos posteres virtuais de Marco Llobus, Hus Manus), auditório, salas de aula , biblioteca, pátio:Rua Edna Quintel 320São BernardoZona 0 Tel:3277 7416 http://br.mc508.mail.yahoo.com/mc/compose?to=e-mail%3Accsb@pbh.gov.br A imagem, enviada por Telma Aparecida Souza, tem , no corpo, a-palavra Paz escrita em vários idiomas.Agradeço o envio.Desconheço os créditos.Se alguém souber, mande-me, por favor.

domingo, 20 de abril de 2008

Seminário de Direitos Humanos

De: José Antonio Féres Medina
Enviada em: terça-feira, 15 de abril de 2008 14:17
Para: 'ggrauna@yahoo.com.br'

Assunto: Seminário

Prezados Senhores e Senhoras Coordenadores dos Projetos de Fortalecimento dos CEEDH


De ordem do Coordenador – Geral de Educação em DH informo que estamos planejando par aos dias 15 e 16 de maio próximo um seminário, objetivando sociabilizar e elaborar uma proposta que permita acompanhar e monitorar os projetos de fortalecimentos dos CEEDH – 2007, conveniados com esta SEDH.
Nesse sentido, consulto aos Senhores (as) se todos já estão aptos para utilizar os recursos, previstos no próprio projeto , para o custeio de deslocamento e estada, nesta cidade, dos Coordenadores dos projetos e de um representante dos CEEDH respectivo.
Nesse seminário planejamos que cada coordenador apresente as ações que já estão previstas, situação atual dos comitês estaduais, dificuldades encontradas e entrega de todo material didático elaborado até o presente momento, considerando o projeto anterior, entre outros.
Ainda nesta semana enviaremos correspondência a todos com a programação do seminário, de forma detalhada, e porventura com a inclusão de suas considerações e sugestões nessa programação.

Atenciosamente,

José Antonio Féres Medina
Coordenação-Geral de Educação em Direitos Humanos
Secretaria Especial dos Direitos Humanos

sábado, 12 de abril de 2008

O ser e a poesia

Quixotesca:
o ser da poesia
sobrevivente da luta
contra os moinhos.

segunda-feira, 31 de março de 2008

ME: Fênix da poesia invencível


A história da literatura escrita por mulheres no Brasil parece uma verdadeira colcha de retalhos: alguns de feição belorizontina, outros de matiz nordestina, outra parte vinda do Sul, Sudeste e do Centro Oeste e de muitos lugares, também fora do Brasil.
Com este espírito surgiu em Belo Horizonte (MG), no ano de 1989, o movimento de mulheres escritoras; movimento este liderado por Tânia Diniz: poeta, contista, editora e responsável pela criação do Mural Poético Mulheres Emergentes – o sensual em cartaz – ou M.E, como é conhecido no meio literário, especialmente no campo das chamadas edições alternativas.
Rompendo cerco da ausência de patrocínio para publicar com poesia e tenacidade cada edição com tiragem de mil exemplares, o M.E configura um espaço aberto; um lugar de diálogo, um espaço pioneiro onde autoras e autores são publicados, especialmente pela qualidade literária, como diz a própria editora Tânia Diniz. Entre os autores convidados, destaca-se Carlos Nejar: poeta, ficcionista, critico, membro da Academia Brasileira de Letras e natural do Rio Grande do Sul. Com o Suplemento Especial do M.E, número 27, de 1996, os(as) leitores(as) de Mulheres Emergentes conhecem o talento de Nejar com alguns de seus poemas extraídos da obra Elza dos Pássaros ou a ordem dos Planetas.
Em sua trajetória, o M.E cumpriu seus objetivos divulgando a poesia em escolas de todos os níveis, em bibliotecas, congressos, feiras, exposições dentro e fora do país, e em dar espaço a poetas novos(as) ao lado de nomes consagrados a exemplo de Antonio Risério (BA) que aparece no suplemento 31, em 1997. No oitavo ano de sua edição, lutando contra a falta de patrocínio, contra preconceitos, falsidades e sabotagens o M.E superou os obstáculos e em 98, o suplemento 32 divulgou o fazer poético de mais quinze colaboradores(as), confirmando os ensinamentos de velho Quintana:

Todos esses que aí estão
atravancando o meu caminho,
eles passarão...
eu passarinho!

Em 1998, o suplemento M.E fala do calor de tantas águas de março e nesse ritmo, a editora Tânia Diniz mostra seu fôlego e resistência que se multiplica em mais mil exemplares do “sensual em cartaz” para refletir o dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, com as contribuições de Marina Colassanti (RJ), Myriam Fraga (BA), Susana Cataneo (Argentina), Carlos António Bengui (Angola), Fábio Weintraub (SP) e, entre outros(as), Luiz Alberto P. Kuchenbecker (PR) autor do seguinte poema:

Beijar você
é no fundo no fundo
bater com a língua nos dentes
botar a boca no mundo


Ainda em 1989, já comemorando seus dez anos, o ME dedica uma edição especial ao haikai ou haicai: um tipo de poema japonês do século XVII que tem em Matsuo Bashô a grande expressão poética do seu tempo. O suplemento 35 traz uma mostra de haikais de autores(as) brasileiros(as) e latinoamericanos, entre os quais: Octavio Paz (México), Victor Sanchez Montenegro (Colômbia) Santiago Risso (Peru), Teruko Oda (SP), Pablo Neruda (Chile), Flavio Herrera (Guatemala), Milor Fernandes (RJ), Yeda Prates Bernis e Wilmar Silva (MG) e haikais japoneses traduzidos por Olga Savary (RJ).
Em seu décimo ano (1999), o M.E fez um tributo ao poeta José Paulo Paes e em meio ao intenso clima poético em Belo Horizonte, com a Bienal Internacional da Poesia, o M.E se multiplicou na exposição dos seus murais pelas estações do metrô da cidade. O suplemento 37 e 38 brindam as mulheres emersas, emergentes ou por emergir; brindam o leitor, a leitora no décimo ano de existência e comemorações, pelo bem do planeta e dos homens, como sugere este fragmento do poema Romance, de Thiago de Melo, no suplemento 38:


[...]
Que te cante a paz no peito
Não é benção para mim,
que perto estou já do fim.
Te quero tanto, que tanto

Dentro de ti me perdi.
Só por sonhar que erga vôo
de pássaro prisioneiro
a luz que lateja em ti.


O M.E inaugura o ano 2000 dedicando seu número 40 ao talento poético da mineira de Cataguases, Maria do Carmo Ferreira - Carminha, com destaque a alguns de seus poemas publicados entre 1969-1999. Ainda no ano 2000, o ME publica o talento dos que participaram do Terceiro Concurso Internacional de Poesia. Em 2001, mais uma vez o ME teve um round perdido e apesar da falta de incentivo conseguiu, assim mesmo, levar ao público cinco números (do 44 ao 48) em um único suplemento, mas “caminhando com orgulho e alegria na tortuosa senda” do fazer poético. Em 2002, ao completar treze anos, o ME mostra-se, mais uma vez, embalado pela espera de que dias melhores virão, e tocado pela irreparável perda de um irmão das letras que virou estrela em 21 de junho daquele mesmo ano: Roberto Drummond, o autor de Hilda Furacão.
Com poemas, contos e ilustrações, a Antologia M.E 18 conta com apresentação de Leila Miccolis (Blocos on-line/RJ) e Constancia Lima Duarte (Ufmg/BH). Na opinião de Leila: “por tantas e todas essas diferenças, Mulheres Emergentes se distingue, se sobressai no panorama cultural do país nesses dezoito anos de atividades, oferecendo a doçura de seus belos frutos e o abrigo de sua frondosa copa à Árvore do Saber”.
O nome Mulheres Emergente é uma alusão ao livro de Natalie Rogers, uma conhecida psicoterapeuta americana; um livro que figurou entre os mais sucedidos na década de oitenta. Para Constância Duarte, a psicoterapeuta acreditava no poder da manifestação artística como parte do processo terapêutico e que sua obra promovia o auto-conhecimento por meio da liberação criativa e emocional. Nesta perspectiva, Constância comenta:

foi bem isso que Tânia Diniz realizou através das edições do ME. Ao estampar – em alto e bom som – tantas promessas literárias, tantas confissões da intimidade, o Mulheres Emergentes consolidou a auto-estima de jovens poetas, e liberou, pela verbalização, muito da sensualidade feminina.

Esta vertente da literatura brasileira chamada Mulheres Emergentes – Edições Alternativas - traduz-se num constante garimpo e trabalho aglutinador que reúne também vozes masculinas que se achegam para cantar o seu lado feminino, “para melhor louvá-las e conviver”. Por tudo isso, Tânia Diniz comemora os dezoito anos de seu mural poético com vários projetos, a exemplo do mais recente que é a Antologia ME 18. Brindemos então à maioridade literária do M.E, aos autores e autoras que fazem parte dessa história: Silvia Anspach, Bárbara Lia, Lúcia Serra, Vera Casa Nova, Teruko Oda, Iara Vieira, Johnny Batista Guimarães, Hugo Pontes, Adão Ventura, Eliane Accioly Fonseca, Graça Graúna e Sandro Starling, entre outros. Na Antologia ME 18, um fato inédito; a presença de três filhas e suas respectivas mães que se juntam no oficio da escrita. Nas palavras de Tânia, trata-se de:

Raquel Naveira e sua Letícia, Elza R. Amaral e sua Beatriz, e eu mesma, Tânia Diniz, e minha amada Ana Carol, a primogênita, que começa a se aventurar nos minicontos. Outra coisa, é o fato de mostrar a diversidade do ME e assim teremos poemas, pequenos contos e ilustrações.E uma amostra mínima , do mapa nacional e internacional, de onde circula nossa poesia ME! Então, maioridade conquistada, um brinde 'a longa estrada que se descortina!

Enquanto eu burilava este artigo, recebi uma comunicação de Tânia Diniz, confirmando que o ME – “o sensual em cartaz” – está no forno; daqui um pouco sai. Claro, o espetáculo deve continuar. Agora, depois da antologia, seguramente, o ME retorna, fênix da poesia invencível, diz Tânia em comunicação pessoal. Assim, caminha a edição alternativa ME e é nesse ritmo que a sua idealizadora mostra tanto entusiasmo, ao ver que essa colcha de retalhos, isto é, que esta vertente da literatura brasileira foi se formando em meio ao desejo de cada autora e de cada autor se fazer presente, de ousar, de mostrar e dizer seus receios por meio da escrita.

Graça Graúna, Nordeste do Brasil

terça-feira, 25 de março de 2008

Da nossa ancestralidade indígena e africana


Ilustração: Brasilia Morena
Esta foi a maneira que encontrei para agradecer ao poeta Geraldo Maia (BA) as suas boas palavras acerca da troca de saberes, fundamental na missão de garantir os direitos pela liberdade de expressão, sempre.
...oh, Nhande Rú, quanta responsabilidade ser mencionada em meio a grandes pensadores, nordestinos, brasileiros, latinos; em meio a grandes nomes de educadores do quilate de Paulo Freire e tantos outros!

...oh, Nhande Rú, não sei mesmo onde e como colocar as palavras que eu preciso, careço dizer e não consigo, tão grande é a minha alegria e tão grande é o medo também que sinto diante dessa responsabilidade estampada na reflexão “Que fronteiras?*”, do poetamigo Geraldo Maia!

...oh Nhande Rú eu sei que sou uma de suas criaturas e no momento tudo que me fica é essa esta vontade enorme de pronunciar os nomes todos que me guiam e que para mim são um mantra, nomes dos meus irmãos e irmãs de luta, nomes que você foi juntando ao meu pra aumentar o circulo da nossa resistência porque todos nós carecemos estar juntos para fazer pulsar os corações, as mentes na luta pela justiça social.

...oh, Nhande Rú é assustador e ao mesmo tempo gratificante ter a possibilidade de abertamente, assim, estampar a alegria que estou sentindo neste momento; um momento que não é só meu, um momento que não é estático porque o que vem de você e de Pacha Mama é algo mais forte do que a mente comum pode imaginar!

...oh Nhande Ru é tão bom ter o privilegio de cantar um mantra tecido em cada nome e sonhos dos meus irmãos e irmãs de diferentes etnias, meus irmãos e irmãs dos cadernos negros, da literatura indígena: Ubiratan Castro, Makota Valdina, Vanda Machado, Mãe Stella, Juvenal Payayá, Katão Pataxó, Fernando Conceição, Jerry Matalawé, Lande Onawale, José Carlos Limeira, Hamiltom Borges, Sérgio São Bernardo, Godi, Wakay, só alguns dos grandes nomes (como diz o Maia), e Abdias Nascimento, Cuti, Oswaldo de Camargo, Eliana Potiguara, Kaká Verá, Olívio Jecupé, Ferréz, Ele Semog, grande Geraldo Maia, Daniel Munduruku, Heitor Kaiová, Ademario Ribeiro,  Esmeralda Ribeiro, Geraldo Potiguar do Nascimento, Gilia Gerling, só alguns dos grandes pensadores da terra, do ar, das águas deste espaço inquietante chamado Brasil e que pode e deve ainda ser tratado dignamente como Pindorama.

...oh, Nhande Rú nde re re! Os nomes que eu não citei, por favor, entenda, estão todos do lado esquerdo do meu peito mas neste instante, tomada pelo contentamento peço por todos aqueles e aquelas que me ajudam a ser como sou; um ser avuante meio perdido nesse universo de alegria e dor. Ai, Nhande Rú nde re re! Gracias a la vida, não mereço tanto.


Graça Graúna, Nordeste do Brasil.


(*)Nota:
QUE FRONTEIRAS?

Autoria: Geraldo Maia

Segundo o grande mestre Paulo Freire "ensinar não é transferir conhecimento, mas criar possibilidades para a suja produção ou a sua construção". Pena que isso ainda não chegou à maioria das escolas e universidades desconectadas da realidade de seu mundo concreto. Na grande maioria de encontros, seminários, colóquios, congressos que pude assistir a maioria dos intelectuais convidados, quase todos doutores e mestres renomados revelaram-se domesticados ao texto do qual buscam apenas a inteligência dos autores sem ambição alguma de tornarem-se sujeitos da compreensão do que lêem, temerosos de arriscarem algo pessoal, criativo e relacionado com o que vem ocorrendo desde a sua própria realidade.
E o pior: a referência maior onde se sentem seguros ainda é a do invasor/colonizador . Vivem no Brasil, mas trazem nos seus discursos apenas a visão e o pensamento do mundo greco-romano, europeu e norte-americano. Tal comportamento fez com que se criasse uma Lei (Lei 10.639/03) obrigando o ensino da história e da cultura africana em todo o país, e mais recentemente a Lei 11.645, de 10 de março de 2008 que inclui o ensino obrigatório da História e Cultura Indígena.
Se não, continuaríamos a ter como único referencial de pensamento filosófico, de visão de mundo, de modo de pensar, sentir, fazer e espiritualizar- se, o modelo eurocêntrico e norteamericanizado. Um claro sintoma disso é o projeto cultural Fronteiras Brasken do Pensamento, que segundo o vice-presidente de Relações Institucionais da Brasken, Marcelo Lira, "proporciona à sociedade baiana a oportunidade de compartilhar idéias e obras de grandes pensadores mundiais" e, segundo ele, ´"é importante para a auto-estima da inteligência baiana".
Mas que fronteiras? Como elevar a auto-estima excluindo a contribuição local? Para cada pensador e artista "mundial" de outras nações, deveria ter pelo menos dois ou três "mundiais" locais. Aí, sim, o intercâmbio, o debate, a troca de saberes, a quebra de fronteiras. Nós somos "mundiais" também. Os grandes pensadores que conheço e que no momento interessam à construção do nosso conhecimento, do nosso pensamento, dos nossos saberes, não moram na europa e nos estados unidos, mas aqui mesmo, na Bahia e no Brasil. E na américa latina. Posso citar alguns deles: Ubiratan Castro, Makota Valdina, Vanda Machado, Mãe Stella, Juvenal Payayá, Katão Pataxó, Fernando Conceição, Jerry Matalawé, Lande Onawale, José Carlos Limeira, Hamiltom Borges, Sérgio São Bernardo, Godi, Wakay, só alguns dos grandes da Bahia, e Abdias Nascimento, Cuti, Oswaldo de Camargo, Eliana Potiguara, Kaká Verá, Olívio Jecupé, Ferréz, Ele Semog, Graça Graúna, só alguns dos grandes pensadores do Brasil.
Nós que vivemos quinhentos anos acachapados pela cultura, pela arte, pela visão de mundo e pelo pensamento europeu e norte-americano, precisamos investir, e muito, no nosso processo de descolonização e afirmação e valorização da nossa ancestralidade indígena e africana. Aí sim se estará contribuindo para elevar a auto-estima da inteligência baiana, mais de oitenta por cento negra e índia.
Geraldo Maia
Poeta e doutor honoris causa pela Uni American Universidade Corporativa das Américas. 71 8219-5934

sexta-feira, 21 de março de 2008

Tempo de Páscoa




Revirando os antigos papeis, o meu filho Fabiano encontrou este belo cartão assinado também por Ana e Agnes (minhas filhas). É tempo de Páscoa!

segunda-feira, 17 de março de 2008

Antologia ME 18


Cá estou entre as autoras de mais uma antologia organizada por Tania Diniz. O prefácio é da poetamiga Leila Miccolis, co-editora do site Blocos - portal de literatura. O lançamento acontece em Belô - MG.

ana carol / auxiliadora de carvalho lago / andreia donadon leal - mariana, mg / beatriz amaral -sp / brenda mars - brasília, df / clevane pessoa de araújo / conceição parreiras abritta / dagmar braga / débora novaes de castro - sp / djanira pio-sp / daris araújo - m claros-mg / edinéia alves/ eliane accioly fonseca - sp / elizabeth gontijo / elza ramos amaral - sp / france gripp / graça graúna-recife-pe / graça rios / iara alves / ivete walty / karina araújo campos / leticia naveira - sp / liria porto / lívia tucci / lúcia daniel-paris-frança / lúcia serra / maria lourdes hortas-recife - pe / marina silva / micheline lage- timóteo-mg / mônica anspach - sp / nazareth fonseca / neuza ladeira / raquel naveira - sp / regina mello / silvana pagano / silvia anspach-sp / simone neves / stella machado-juiz de fora-mg / tânia diniz / tânia pagano / vera casa nova

terça-feira, 11 de março de 2008

Quilombhoje: três décadas de literatura


CARTA-CONVITE

SEMINÁRIO
CADERNOS NEGROS TRÊS DÉCADAS
LITERATURA, ESCOLA & CULTURA


São Paulo, 27 de fevereiro de 2008


Prezada Escritora e Professora Graça Graúna (Maria das Graças Ferreira)

Em 2007 a série "Cadernos Negros" completou trinta anos de publicação ininterrupta, um marco na história do movimento negro brasileiro, haja vista o pioneirismo e resistência dessa série.

A coletânea já reuniu mais de 100 autores, entre homens e mulheres de todas as partes do Brasil e, no volume lançado mais recentemente, Cadernos Negros número 30, contou, pela primeira vez, com a participação de um escritor de Angola.

E é para celebrar tais conquistas que o Quilombhoje Literatura tem o prazer de convidá-la para participar do seminário "Cadernos Negros Três Décadas – Literatura, Escola & Cultura", que se realizará no dia 15/03/2008, das 9h às 18h.

Este seminário será dirigido a professores, pesquisadores e interessados em geral; e será seguido do evento de lançamento da edição especial "Cadernos Negros Três Décadas". Estamos convidando você para participar do evento como autor do livro.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Retratos


O seguinte poema (Retratos) foi publicado na Antologia Retratos (Recife, Edições Bagaço, 2004), organizada pela escritora Elizabeth Siqueira; com ilustrações de Pedro Frederico. Escrevi este poema há muito tempo e sempre o divulgo, quando chega o mês de março; um tempo, como dizem - dedicado à mulher.


Saúdo as minhas irmãs
de suor papel e tinta

fiandeiras
guardiãs
ao tecer o embalo
da rede rubra ou lilás
no mar da palavra
escrita voraz.

Saúdo as minhas irmãs
de suor papel e tinta
fiandeiras
tecelãs
retratos do que sonhamos
retratos do de que plantamos
no tempo em que a nossa voz era só
silêncio

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Visão cabocla: Quixote rural

Das ondas do mar à Nazaré da Mata (PE), vou tecendo o que me fica dos carnavais; das ruas de Recife às ladeiras de Olinda, o que me fica dos canaviais.

O instante, a cultura, o folguedo misturados ao ofício de escrever. Parece mesmo inevitável não falar do ofício de ser criador-criatura e neste patamar, quem conta e canta mesmo é o Mestre o improviso de suas loas (versos inteligentes) para alegrar os brincantes e as pessoas que vêm de muito longe; vem gente de Portugal e Espanha; de tudo que é lugar, até da Austrália para ver tudo de muito perto, como diz o Mestre.

Em Nazaré da Mata (a 65 km de Recife), conhecida como "Terra do maracatu", 90 agremiações coincidentemente se encontraram para homenagear os 90 anos do Maracatu Cambinda Brasileira (nesse grupo fundado em 1919, o homem aparece fantasiado de mulher, isto é, o cambinda). Na seqüência, vale conferir os 17 maracatus de Nazaré da Mata e as datas de fundação: Leão Formoso (1980), Leão Misterioso (1990), Águia Misteriosa (1991), Leão de Ouro (1995), Cambinda Nova (1995), Leão da Selva (1996), Mirim Sonho de Criança (1997), Piaba Dourada (1999), Leão Africano (1999), Leão Cultural (2000), Águia de Ouro (2001), Estrela Brilhante (2001), Leão Brasileirinho (2002), Leão Nazareno (2002), Coração Nazareno (composto só por mulheres, fundado em 2004), Leão Faceiro (2005) e Leão Dourado (2006).

Lá vem o cortejo do maracatu rural ou maracatu de baque solto como é conhecido na região: a dama da boneca de trança, as damas do bouquê (baianas); babau, burra, caçador, catirina, caboclo de pena, Mateus, porta-bandeira, mestre de toada, contra-mestre, rei, rainha, valete, e caboclo(a) de lança em meio a multidão.

Lá vai ele e sua sombra com um cravo nos dentes; lá vem ela e sua dança no meio da tarde chuvosa. A passos largos, lá vem o cortejo no baque solto. Os lanceiros e as lanceiras abrem alas para proteger esse bailado. Nesse ritmo acontece o encontro no meio da praça de reis e rainhas: Eh.... tu-ma-ra-ca...tu-ma-ra-ca... no ofício de ser caboclo na dança, cabocla de trança, caboclo(a) de lança colorida. Caboclo de lança-palavra que a licença poética me permite chamá-lo de Dom Quixote rural.


Graça Graúna, Região da Mata Norte do Estado de Pernambuco, 04.fev.08.

Nota: no site Overmundo, esta crônica recebeu 161 votos


(*) Foto de Claudio Milfont

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

A propósito da moça com o livro

Moça com o livro. Reprodução do Jornal Folha de São Paulo,
em homenagem aos 60 anos do MASP.


Na semana dos 456 anos da cidade de São Paulo, a Folha de São Paulo publicou alguns encartes com reproduções (em papel couchê) de obras que fazem parte do acervo do Museu de Arte de São Paulo (MASP), tais como: o Pobre pescador, de Paul Gaugin; A canoa sobre o Epte, de Claude Monet; A bailarina vista dos bastidores, de Toulouse-Lautrec; O escolar, de Vicent Van Gogh; Rosa e Azul (as gêmeas), de Pierre-Auguste Renoir; Quatro bailarinas em cena, de Edgar Degas; Rochedos em L’Estaque, de Paul Cézanne e Moça com o livro, do brasileiro Almeida Junior.

Um presente e tanto! Uma das reproduções chamou a minha atenção, mais pelo conteúdo; ainda que, na forma, o seu autor não seja considerado moderno. Segundo os estudiosos do assunto, Almeida Junior (1850-1899) desenvolveu a arte de pintar mulheres e livros, destacando também os cabelos curtos das suas personagens; “o que até então no Brasil, eram práticas de estrangeiras ou prostitutas [...] E, mesmo assim, ao retratar a ‘Moça com o livro’ ao ar livre, o artista se aproxima da prática impressionista que ocorria em Paris, no fim do século 19”, como sugere o texto do encarte da Folha de São Paulo (2008).

Passei um bom tempo contemplando a arte de Almeida Junior e fico me perguntando sobre o tempo que se leva para se reconhecer fazendo parte de um universo em que o ato de ler se confunde com amar e viver; crescer e provavelmente morrer de esperar; mergulhar ou abrir novos caminhos como quer a sensualidade do olhar, da boca pintada e da blusa branca decotada que se confunde com as páginas brancas ou escandalosas do livro; assim, como sugere a estreita relação entre a mulher e a literatura na pintura desse paulistano de Itu. Ao estabelecer também o confronto e as relações entre o ser e a leitura, esse artista revela ao mundo sua percepção em torno da condição feminina, para não esquecermos que até 1838 as mulheres eram proibidas de ler e para tanto, elas precisavam de autorização.

A propósito da mulher-leitora na pintura impressionista de Almeida Junior, reitero minhas impressões acerca da condição feminina em um depoimento meu no livro Retratos (antologia poética organizada por Elizabeth Siqueira e Laura Areias), onde relato que somos um feixe de acontecimentos. Desse modo, saudando a moça com o livro,

saúdo as minhas irmãs
de suor papel e tinta
fiandeiras
tecelãs
retratos que sonhamos
retratos que plantamos
no tempo em que a nossa voz era só silêncio


Graça Graúna, Nordeste do Brasil, 30 de janeiro de 2008

domingo, 27 de janeiro de 2008

Literatura escrita por mulheres em Pernambuco

O cenário das Letras em Pernambuco conta com a realização de mais um projeto literário (poesia, conto e crônica) organizado por Elizabeth Siqueira (escritora mineira) e por Laura Areias (escritora portuguesa). No primeiro volume (intitulado Retratos) participei com poemas; no terceiro volume (intitulado Vozes: a crônica feminina contemporânea em Pernambuco) apresento a crônica “Memórias do cerrado” que está disponível neste blog, desde outrubro de 2007.

Do volume de Crônicas participam 50 escritoras: Alaide Correia Lima, Ana arraes, Ana Maria César, Ariadne Quintella, Cicí Araújo, Claudia Azambuja, Djanira Silva, Dulcita Brenand, Edna Alcântara, Eleonora Castelar, Elizabeth Antão, Esmeralda Moura, Ester lemos, Eugênia Menezes, Fátima Quintas, Graça Graúna, Graça Melo, Ina melo, Isnar Moura, Laura Areias, Lourdes Nicácio, Lourdes Sarmento, Lúcia Cardoso, Luciene Freitas, Luzilá Gonçalves, Luzinete Laporte, Marcia Basto, Margarida Cantarelli, Maria de Lourdes Hortas, Maria Lúcia Chiappeta, Maria Pereira, Marilena de Castro, Marly Mota, Maryse Cozzi, Nazareht Gouveia, Nelly Carvalho, Neuma Costa, Rejane Gonçalves, Renata Pimentel, Rosa Guerra, Salete Rego Barros, Selma Vasconcelos, Silvana Oriá, Suzette Abreu e Lima, Telma Brilhante, Tereza Halliday, Vera Sato, Virgínia Crisóstomo, Zuyla Cartaxo e Elizabeth Siqueira.
Na apresentação da obra, o escritor Flavio Chaves (Diretor Presidente da Companhia Editora de Pernambuco) observa que "Pernambuco é, de fato, um celeiro de boas profissionais liberais, de operárias, artesãs, artistas plásticas, poetas, cronistas, escritoras, todas elas, porém, não se descuram jamais, do seu papel de guardiãs da família, a sentinela avançada da unidade brasileira" (p.8). Para Lourdes Sarmento, responsável pelo prefácio da referida obra, "as cronistas que participam desta Antologia tendem para relatos memoralistas. Quer seja de acontecimentos das suas cidades de origem, das ruas que marcaram as brincadeiras da infância, os sonhos e descobertas na fase da adolescência ou da idade adulta" (p.12).
Para adquirir essa antologia escrevam para as organizadoras no seguinte endereço: cepecom@cepe.com.br