segunda-feira, 20 de junho de 2016

Escritos indígenas: uma antologia


Foto da capa: tela de Uziel Guaynê

O mercado editorial brasileiro traz ao público mais uma obra de autoria indígena. Trata-se da antologia Escritos indígenas, publicada no formato e-book, pela Editora Cintra, São Paulo, em 2013. .Da antologia participam dez escritores: Aldair Marauáh,  Giselda Jerá, Graça Graúna, Guayné Maraguá, Jaime Diakara,  Lia Minápoty, Nilson Karaí, Olívio Jekupê, Roní Wasiry Guará, Tiago Hakiy e Yaguarê Yamã. A respeito dos autores, Leda Cintra comenta que "alguns são premiados, outros mais recentes, mas todos de inegável qualidade literária, por isso todos reunidos nesta antologia que esperamos que encante os leitores das cidades no conhecimento dessa parte do universo até aqui tão pouco difundida, nos relatos, nos saberes ancestrais tão atuais, no ser universal”, Ela enfatiza que nessa antologia "estão  alguns dos mais representativos escritores indígenas contemporâneos do Brasil".
Para saber mais, acesse:
www.editoracintra.com

Telefone:  (11) 3731 7575, 

segunda-feira, 6 de junho de 2016



52º  CONCURSO  INTERNACIONAL  
DE  POESIA  Y  NARRATIVA
“ABRAZANDO  PALABRAS  2016”


El Instituto Cultural Latinoamericano desde su nacimiento en el año 2000 se propuso brindar un espacio de oportunidades, es por eso que invita a autores mayores de 16 años, a participar del 52º Concurso Internacional de Poesía y Narrativa “ABRAZANDO  PALABRAS 2016”. Las obras deberán ser inéditas, no premiadas con  anterioridad, tema libre, en idioma español.

PUEDEN PARTICIPAR CON:
POESIA:
de 3 a 7 poemas, con un máximo de 30 líneas cada uno.
NARRATIVA:
mínimo 90 líneas, máximo 210 líneas, ya sea en uno o varios trabajos.
PRESENTACIÓN DE LAS OBRAS: Las obras se presentarán en hojas tamaño A4, por triplicado, mecanografiadas o PC, escritas por una sola de sus caras, firmadas con seudónimo.

DATOS DEL AUTOR:
En un sobre pequeño, que irá junto con las obras, tendrá que incluir los siguientes datos: Nombre y Apellido, DNI, Dirección, E-mail y Teléfono.

ENVIOS: 52º  Concurso Internacional de Poesía y Narrativa  “ABRAZANDO  PALABRAS” Lebensohn 239, (C.P. B 6000 BHE), Junín, Pcia. de BUENOS AIRES, ARGENTINA.
Las obras que resulten finalistas con “Mención de Honor”, quedarán seleccionadas para participar del Intercambio cultural con Cuba, Brasil, Colombia, España (con precios muy accesibles), que se realiza cada año, presentándose en distinguidos lugares.

Y tendrán la oportunidad de formar parte de la Antología cooperativa “ABRAZANDO  PALABRAS”, y de esta forma integrarán la final por los PRIMEROS  PREMIOS  que son:
1º PREMIO Edición de LIBRO individual de 64 páginas, 100 ejemplares, Diploma y Trofeo, en poesía y  narrativa. Incluye presentación en nuestros eventos, intercambios culturales y publicidad en nuestro stand.
2º PREMIO: Trofeo y Diploma.              
3º, 4º y 5º PREMIO: Medalla y Diploma.

Se entregarán las Menciones Especiales que el jurado estime conveniente, recibirán Medalla y Diploma, el resto de los integrantes de la Antología recibirán Diploma y Medalla de “MENCIÓN  DE  HONOR”.

CEREMONIA DE PREMIACIÓN Y ENTREGA DE ANTOLOGÍAS:  Se realizará el día 26 de NOVIEMBRE de 2016, (salvo que surgieran imprevistos de fuerza mayor), en el Salón Sociedad Comercio e Industria de Junín (25 de Mayo 65) de nuestra ciudad, la ceremonia contará con diferentes exposiciones, etc. Luego, podrán compartir una cena, más detalles le serán informados cuando reciban la invitación especial para asistir a la Ceremonia.  Los autores que no puedan asistir a la ceremonia, podrán solicitar el envío por correo en forma Contra rembolso.
RECEPCIÓN DE OBRAS: Las obras se pueden enviar hasta el 30 DE JUNIO de 2016 (inclusive). Se toma en cuenta la fecha del matasellos del correo. 
JURADO: Estará integrado por personalidades del quehacer literario y su fallo será inapelable. El concurso no será declarado desierto. Los participantes toman conocimiento y aceptación de las bases del mismo. Cualquier cuestión no prevista será resuelta por el jurado.


Instituto Cultural Latinoamericano 
Lebensohn 239 – C.P. B 6000 BHE- Junín-Buenos Aires-Argentina.
Tel. 
+54-0236-4423734- o bien al Tel. móvil: 236-4682109
E-mail: 
iclatinoamericano@yahoo.com.ar
Blog: 
institutoculturallatinoamericano.blogspot.com.ar
Facebook: Instituto Cultural Latinoamericano



A FNLIJ e o 13º Encontro de Escritores e Artistas Indígenas
Palestras, debates e encontros com escritores  sobre o universo da Literatura Infantil e Juvenil são aspectos chaves na programação dos Seminários da FNLJ.
O 18º Seminário FNLIJ Bartolomeu Campos de Queirós será realizado nos dias 13, 14 e 15 de junho. Entre os temas abordados, constam: a Literatura Infantil e Juvenil na Espanha, Avaliação e Encerramento do Concurso Escola de Leitores, debates sobre o Plano Municipal do Livro, Leitura e Biblioteca e muito mais. As inscrições estarão abertas a partir do dia 9 de maio. Nesse período, acontecerá a 13ª edição do Encontro de escritores e artistas indígenas.

                                                                PROGRAMAÇÃO
Dia 13 de junho de 2016
Livros e Leitura para Crianças e Jovens na Espanha

9h – Abertura
9h30 – Um Panorama da Literatura Infantil e Juvenil na Espanha
Teresa Corchete Sánchez – Especialista em LIJ / María Jesús Esther Gil Iglesias – Representante da OEPLI – Seção Espanhola do IBBY / Mediação: Isis Valéria Gomes – Presidente do Conselho Diretor da FNLIJ

10h30 – Políticas Públicas do Livro e da Leitura na Espanha
Mónica Fernández Muñoz– Subdiretora Geral de Promoção do Livro, da Leitura e das Letras Espanholas do Ministério de Educação, Cultura e Esporte / Sara Moreno Varcárcel – Presidenta do Conselho Geral do Livro Infantil e Juvenil / Participação de Volnei Canônica ­– Diretoria do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca do Ministério da Cultura (DLLLB/MinC) / Mediação: FNLIJ

11h30 – Os Escritores de LIJ do País de D. Quixote
Gemma Lienas /  Maite Carranza / Ledicia Costas / Alfredo Gómez Cerdá / Participação de Ana Maria Machado / Mediação: FNLIJ

13h – Almoço
14h30 – Os Ilustradores de LIJ do País de D. Quixote
Xan López Domínguez / Javier Zabala │ Maite Gurrutxaga / Participação de Marina Colasanti/ Mediação: FNLIJ

15h30 – A Leitura de Imagens e a Formação do Leitor
Teresa Colomer Martínez – Criadora e Coordenadora do Primeiro Curso de Pós-Graduação na Área de Bibliotecas Escolares da Espanha – Universidade Autônoma de Barcelona (UAB) /Mediação: Elizabeth Serra – Secretária-Geral da FNLIJ

16h30 – Encerramento
17h – Sessão de Autógrafos no Hall


Dia 14 de junho de 2016
Avaliação do Concurso Escola de Leitores – Instituto C&A

9h – Abertura
Simone Monteiro de Araujo – Gerente de Mídia-Educação e Coordenadora do Programa Rio, uma cidade de Leitores/ Isis Valéria Gomes – Presidente do Conselho Diretor da FNLIJ/  Patrícia Lacerda – Gerente da Área Educação, Arte e Cultura – Instituto C&A

9h30 – Programa Escola de Leitores – Instituto C&A
Patrícia Lacerda/ Cintia Filpo – Instituto de Desenvolvimento Educacional, Cultural e de Ação Comunitária (IDECA)

10h – A Escola de Leitores na Cidade do Rio
Simone Monteiro de Araujo – Gerente de Mídia-Educação e Coordenadora do Programa Rio, uma cidade de Leitores/ Elizabeth Serra – Secretária-Geral da FNLIJ

10h45 – O 3º Concurso Escola de Leitores no Rio
Ana Paula Cardoso Soares – Representante de Escola Vencedora (E.M. Conde de Agrolongo)/ Solange Simões Alves – Representante de Escola Vencedora (E.M. Conde de Agrolongo) / Mediação: Marisa Borba – Conselho Diretor da FNLIJ

11h30 – O Intercâmbio com a Colômbia
Silvia Castrillón – Bibliotecária e Especialista em Leitura e Literatura Infantil e Juvenil; Mediação: Elizabeth Serra – Secretária-Geral da FNLIJ

12h30 – Almoço
            Políticas Públicas do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas

14h – Conversas sobre Políticas Públicas do Livro e Leitura: Olhares Daqui e de Lá
Secretaria Municipal de Educação RJ – Simone Monteiro de Araujo – Gerente de Mídia-Educação e Coordenadora do Programa Rio, uma cidade de Leitores/ Secretaria Municipal de Cultura RJ – Gisele Lopes – Gerente do Livro e Leitura/ Secretaria Estadual de Cultura RJ – Vera Schroeder – Superintendente do Livro e Leitura/ Silvia Castrillón – Bibliotecária e Especialista em Leitura e LIJ

15h30 – Políticas Públicas de Leitura e Biblioteca à Luz do Inaf (Indicador de Alfabetismo Funcional) 2015   – Organizado pelo GIFE (Grupo de Institutos, Fundações e Empresas)
– O GIFE e as Redes Temáticas  Ana Carolina – Gerente de Relacionamento e Articulação do GIFE
– Rede Leitura e Escrita de Qualidade para Todos e Mediação – Christine Fontelles – Consultora de Educação do Instituto Ecofuturo e Integrante da Coordenação da Rede
– Apresentação dos Dados do Inaf – Roberto Catelli – Ação Educativa
– Letramento na Educação Infantil, Formação do Leitor e Biblioteca – Nilma Lacerda –Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense
– Letramento de Jovens e Adultos, Formação Leitora e Biblioteca – Roberto Catelli – Ação Educativa


Dia 15 de junho de 2016

 Prêmios da FNLIJ – Roteiro para Formação de Leitores

9h – Abertura
Isis Valéria Gomes  – Presidente do Conselho Diretor da FNLIJ

9h30 – Prêmios da FNLIJ como Roteiro para Cursos
Elizabeth Serra – Secretária-Geral da FNLIJ

11h – Um Encontro com Lygia Bojunga
 Mediação: Ninfa Parreiras – Autora, Tradutora e Especialista em LIJ

12h – Lygia Bojunga Autografa seus Livros

13º Encontro de Escritores e Artistas Indígenas
Literatura Indígena como Utopia
As histórias sustentam a fé e dão cor para alma do povo. Estas vozes ancestrais ganham voz e força por intermédio dos contadores, que retransmitem o sentido e função da existência do mundo e dos seres que habitam a terra e o universo. É neste caminho que os autores indígenas recontam estas histórias por meio da literatura infantil e juvenil.
14h – Abertura
Daniel Munduruku – Instituto UK’a
Elizabeth Serra – Secretária-Geral da FNLIJ

14h30 – Há Espaço para a Utopia na Literatura Indígena para Crianças e Jovens Contemporâneos?
Cristino Wapichana – Palavra de Escritor, Artista e Produtor Eliane Potiguara / Palavra da Militante e Escritora / Vera Kauss – Palavra da Acadêmica e Leitora / Ninfa Parreiras – Palavra da Especialista e Pesquisadora / Mediação: Daniel Munduruku

15h45 – Entrega do Prêmio Concursos Curumim e Tamoios

16h – Conversa com o Público

16h30 – Encerramento e Lançamento Coletivo 

quinta-feira, 26 de maio de 2016

"A palavra é um brinquedo multicor, diverso e plural: uma roda de vivências"

Fonte: SESC


PROGRAMAÇÃO

BELO JARDIM

26/05 | Quinta-feira
8h às 11h – Oficina de ilustração com Myrna Maracajá (Timbaúba)
Local | Sesc Ler Belo Jardim – Rua Pedro Leite Cavalcante, COHABII
9h – Aula Espetáculo – Ariano Suassuna para crianças com Bruno Gaudêncio (Campina Grande/PB)
Local | Sesc Ler Belo Jardim – Rua Pedro Leite Cavalcante, COHABII.
14h às 17h – Oficina de ilustração com Anabella López (Buenos Aires/Argentina)
Local | Sesc Ler Belo Jardim – Rua Pedro Leite Cavalcante, COHABII.
27/05 | Sexta-feira
9h – Aula Espetáculo – Ariano Suassuna para crianças com Bruno Gaudêncio (Campina Grande/PB)
Local | Comunidade Remanescentes do Quilombo Barro Branco
9h – Brincadeiras Tagarelas com a Rádio Matraquinha (Recife). Participação especial de Lenice Gomes (Jupi)
Local | Sesc Ler Belo Jardim, Rua Pedro Leite Cavalcante, COHAB II.
9h às 12h – Oficina de ilustração com Myrna Maracajá (Timbaúba)
Local | Sesc Ler Belo Jardim, Rua Pedro Leite Cavalcante, COHAB II.
10h – O universo infantil na poesia matuta com Chico Pedrosa (Guarabira/PB)
Local | Comunidade Remanescentes do Quilombo Barro Branco
10h – Apresentação do espetáculo Duvideodó… com o Coletivo Cria do Palco (Recife)
Local | Praça Nossa Senhora da Conceição, Centro
14h às 17h – Oficina de ilustração com Anabella López (Buenos Aires/Argentina)
Local | Sesc Ler Belo Jardim – Rua Pedro Leite Cavalcante, COHAB II
14h – Cartas a um jovem poeta – Uma conversa com André Monteiro (Recife), David Biriguy (Belo Jardim), Francisco Pedrosa (Petrolina) e Gleison Nascimento (Recife). Mediação de Mariane Bigio (Recife)
Local | Cine Teatro Cultural – Praça Jorge Aleixo, Centro
14h às 16h – Oficina Africanidades na literatura infanto-juvenil com Inaldete Pinheiro (Parnamirim/RN)
16h – Récita com e Fernando Chile (Recife)
Local | Comunidade Remanescentes do Quilombo Barro Branco
19h30 – Apresentação do Guropo Ellos de Dança do Sesc Ler Belo Jardim, com a Intervenção Fragmentos
Local | Praça Jorge Aleixo, Centro
20h – Poesia para crianças – Uma conversa com Leo Cunha (Bocaiúva/MG) e Rouxinol do Rinaré (Quixadá/CE). Mediação de Mariane Bigio (Recife)
21h – Apresentação do Grupo Pernambucanto Acappella (Recife e Camaragibe)
Local | Cine Teatro Cultural – Praça Jorge Aleixo, Centro
28/05 | Sábado
15h – A palavra é um brinquedo multicor, diverso e plural – Uma roda de vivências com André Monteiro (Recife), Fabiana Vencezlau (Salgueiro), Francisco Pedrosa (Petrolina), Lenice Gomes (Jupi), Maria do Socorro (Belo Jardim) e Valdenice Alencar (Pesqueira). Mediação de Graça Graúna (São José do Campestre /RN) e Hilda Torres (Recife)
16h – “Lenice ao pé do ouvido” com a Cia Faz de Conta (Garanhuns)Local | Cine Teatro Cultural – Praça Jorge Aleixo, Centro
20h – Encerramento da Jornada com José Manoel Sobrinho – Gerente de Cultura do Sesc Pernambuco e Lenice Gomes – homenageada da Jornada
20h15 – “Lenice ao pé do ouvido” com a Cia Faz de Conta (Garanhuns)
20h30 – Roda de Mestres de Coco
Atrações | Cocos Raízes de Arcoverde, Irmãs Lopes e Santa Luzia (Garanhuns)
Local | Solar dos Flamboyants, Barragem Nova

terça-feira, 1 de março de 2016

Literatura indígena: da oralidade ao papel

Da oralidade ao papel

Fonte: CORREIOBRAZILIENSE 3,
Brasília, segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016


                                                                                       Osvaldo Reis/Esp. CB/D.A Press

  Daniel Munduruku: “Comecei a mudar um pouquinho o jeito de dar aula,
porque inseri os mitos indígenas”

“O índio sabe escrever de várias maneiras, se a gente está fazendo um colar ou uma esteira, por exemplo, estamos escrevendo e registrando nossa cultura”. Nas palavras de Graça Graúna, professora e primeira índia com doutorado na área de literatura, a arte indígena tem várias faces, que vão da tradição oral aos livros com o retrato da cultura dos povos. Como ressalta Graúna, as histórias das chamadas sociedades tradicionais, não são voltadas para determinada faixa etária, mas a representação de mitos, lendas, aventuras e costumes encantam crianças e adultos ao dar voz a contos passados por gerações. “Partindo de histórias contadas pelos mais velhos, os mais jovens aprendem muito, sem rótulos, apenas com a percepção dentro da cultura indí- gena”, acrescenta a escritora. Assim como a professora, outros escritores, como Yaguarê Yamã e Daniel Munduruku, transformam o grafismo das etnias a que pertencem em livros que fortalecem a literatura brasileira e mostram a força do imaginário tradicional.“A história oral émuito bonita e tem que ser mantida, mas quando a gente passa a escrever essa história, além de passar toda a tradição mostramos o que existe na nossa cultura”, afirmaYaguarê, que completa dizendo que escrever tanto contos tradicionais, quanto os inspirados em personagens reais, ajuda manter vivos os ensinamentos e os encantos dos povos:“Acho que tem muita história perdida, porque osmais velhos estãomorrendo e não estão conseguindo passar esses contos com a agilidade que estamos vivendo”. Já para o professor Daniel Munduruku, por mais que a divulgação da cultura seja importante, a publicação de livros ainda é difícil. “Quando pensamos em publicar um livro, precisamos pensar no mercado consumidor da sociedade que é seletivo e cria barreiras para publicar livros de literatura indígena”, afirma. Segundo Munduruku, as editoras se interessam em publicar quando há a possibilidade de o governo colocar nos editais, mas como esses também são restritos, a literatura continua prejudicada.

Partindo de histórias contadas pelos mais velhos,
os mais jovens aprendem muito” (Graça Graúna, escritora)


                                                                                                                                     Íris Cruz/Esp. CB/D.A Press



“O índio sabe escrever de várias maneiras, se a gente está fazendo um colar ou uma esteira, porexemplo, estamos escrevendo e registrando nossa cultura” (Graça Graúna)



Escritores indígenas encantam
crianças e adultos com
histórias tradicionais


Histórias encantadas

Yaguarê conta que, na comunidade em que vive, faz parte da cultura diária sentar em um local chamado Mirichawaruca, que significa casa de contar histórias em Maraguá, e reunir crianças e adultos à luz do por-do-sol para ouvir contos. “Desde pequeno gostava de criar histórias e imaginar. Na minha etnia somos conhecidos por ser contadores de histórias de fantasmas”, acrescenta. Foi de hábitos como esse que o escritor decidiu transformar as riquezas orais em páginas de livros e, assim, conquistar diferentes idades com narrativas e ilustrações que simbolizam as aventuras da tribo. Um curumim, uma canoa, Pequenas guerreiras e Formigueiro de Myrakãwéra são exemplos de obras publicadas por Yamã. “Os mais velhos, curandeiros e chefes das aldeias contam histórias para os pequenos se prepararem e aprenderem a lidar com os espíritos da floresta, o futuro e os perigos da vida”, comenta o professor. A inspiração para escrever vem do amor às raízes. “Hoje sou uma pessoa realizada que, além de propagar a contação de história do meu povo, recrio e crio histórias. A história é minha, mas todos os personagens e monstros que habitam minha aventura são do povo”, completa.

A luta

Autora de Canto Mestiço, Flor da mata e Criaturas de Ñanderu, Graça Graúna, conta que a sociedade ainda é preconceituosa e dominante. Por isso não aceita as diversas formas de escrita indígena. “Tiramos o preconceito, mas sempre vão olhar a gente como se fosse um animal exótico, como se a gente não tivesse o que dizer”, critica a escritora. Segundo Graúna, a literatura dos povos tradicionais reporta à maneira de viver, não se refere ao eu individualista, mas ao eu coletivo, ao povo. “Escrevo mostrando que a palavra indígena sempre existiu. A literatura está no jarro, no rosto, no corpo; ao dançar a gente escreve história por meio do ritmo, por exemplo”, ressalta a professora. O professor e escritor Daniel Munduruku explica que algumas pessoas acreditam que colocar histórias indígenas no papel é fazer uma violência com a oralidade, mas, para ele, o trabalho dos escritores é preservar uma memória que o hoje tem o suporte do livro para se manter. “Acho que o registro é fundamental para criar uma memória afetiva e ancestral”, acrescenta. Diretor-Presidente do Instituto Uk´a—Casa dos Saberes Ancestrais, Daniel Munduruku conta que a literatura despertou nele interesse filosofia e virou educador. “Na época que era professor, comecei a mudar um pouquinho o jeito de dar aula, porque inseri os mitos indígenas e mostrar que a nossa cultura segue o mesmo processo que o mundo inteiro”, explica Munduruku. Segundo ele, a escrita veio como uma resposta às perguntas que os alunos faziam sobre a vida nas tribos. “Um dia uma menina me perguntou onde encontrava as histórias que contava para ler e isso me alertou para a ideia de escrever aqueles contos”, comenta. Kabá Darebú, Coisas de índio e O segredo da vida são alguns nomes de obras do professor.


quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Planeta Terra: nossa casa comum (CF- CNBB, 2016)



Campanha da Fraternidade 2016 aposta no ecumenismo para o cuidado da ‘Casa Comum’

Cristina Fontenele (Repórter - Adital)

Lançada oficialmente nesta Quarta-Feira de Cinzas, 10 de fevereiro, no auditório Dom Helder Câmara, na sede da CNBB [Conferência Nacional dos Bispos do Brasil], em Brasília, a IV Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE) 2016 traz como tema a "Casa Comum, nossa responsabilidade”. A Campanha está em sintonia com os discursos do Papa Francisco sobre a responsabilidade conjunta pela Casa Comum e utiliza o ecumenismo para unir forças em prol do direito ao saneamento básico e de políticas públicas que garantam o futuro do Planeta.
conicRealizada pela CNBB e pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic), a cada cinco anos, a Campanha ocorre de forma ecumênica, agregando diferentes expressões religiosas. A primeira CFE foi organizada no ano 2000 e teve como tema "Dignidade humana e paz”. Em 2005, a segunda edição tratou de "Solidariedade e paz”; e, em 2010, o tema versou sobre "Economia e vida”.
Durante a entrevista coletiva para o lançamento da Campanha, Dom Flavio Irala, presidente do Conic, destacou que a iniciativa pretende mobilizar igrejas, sociedade e governo em torno da urgência do saneamento básico como um direito humano fundamental. Segundo ele, a Campanha, que vem sendo elaborada há pelo menos dois anos, enfrentou alguns desafios, como, por exemplo, uma atual conjuntura religiosa que nem sempre está aberta às questões ecumênicas. "No entanto, o Espírito Santo sopra quando e onde quer e ele soprou para que essa Campanha acontecesse”.
Em carta, lida na coletiva de imprensa, o Papa Francisco expressou sua adesão à Campanha. "Eu me uno a todos os cristãos do Brasil e aos que, na Alemanha, se envolvem nessa Campanha da Fraternidade Ecumênica, pedindo a Deus – ensinai-nos a descobrir o valor de cada coisa, a contemplar com encanto, a reconhecer que estamos profundamente unidos com todas as criaturas no nosso caminho com vossa luz infinita”.
O Sumo Pontífice destacou ainda a importância do acesso à água potável como questão de sobrevivência. "Na encíclica Laudato Si’, recordei que o acesso à água potável e segura é um direito humano essencial, fundamental e universal porque determina a sobrevivência das pessoas e, portanto, é condição para exercício dos outros direitos humanos; e que a grave dívida social para com os pobres parcialmente é saudada quando se desenvolvem programas para prover de água limpa e saneamento as populações mais pobres”.
conicNúmeros
Dados divulgados pela Campanha mostram que:
·O Brasil é considerado campeão mundial em desperdício de água;
·As empresas de abastecimento de água apresentam índices de perda de água tratada de até 60% (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE);
·82% da população brasileira não têm acesso à água tratada (Sistema Nacional de Informações sobre o Saneamento Básico - 2013);
·Mais de 100 milhões de pessoas não têm acesso à coleta de esgoto;
·39% dos esgotos são tratados;
·Diariamente, são despejados na natureza o equivalente a 5 mil piscinas olímpicas de esgoto sem tratamento;
·10,6% dos domicílios não são contemplados pelo serviço público de coleta de resíduos sólidos (PNAD/2013);
·O Brasil está entre os 20 países do mundo nos quais as pessoas têm menos acesso aos banheiros;
·Entre as principais consequências por falta de saneamento e água potável estão doenças como cólera, hepatite, febre tifóide, infecções intestinais. No mundo, uma criança morre a cada 2,5 minutos por não ter acesso à água potável.
·Em 2013, ocorreram 340 mil internações por infecções gastrointestinais (DATASUS);
·O Brasil gera aproximadamente 150 mil toneladas diárias de resíduos sólidos;
·Cada pessoa gera, em média, 1 quilo de resíduos sólidos diariamente;
·São Paulo gera entre 12 mil a 14 mil toneladas diárias de resíduos sólidos.
Assista do vídeo do Conic apresentando a IV Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016.

Leia também
Campanha da Fraternidade Ecumênica oferece materiais para crianças, jovens e adultos

Cristina Fontenele

Repórter.
E-mail
cristina@adital.com.br
crisfonte@hotmail.com

domingo, 31 de janeiro de 2016

De livros e girassóis





Não, ele não gostava de livros; ele amava livros, era louco por livros; de tal forma que teve ao seu alcance uma Bíblia, uma coleção amarela de romances franceses, as obras de Charles Dickens, Ésquilo, Shakespeare e muitos outros. Em meio ao universo de “natureza morta”, tudo parecia uma metáfora viva entre livros e girassóis.

Por volta de 1883, em carta aos amigos, ele escreveu: ”Os livros, a realidade e a arte são uma só coisa para mim”. Em janeiro de 2015, a biblioteca pública de Milão, na Itália, recebeu a exposição “Van Gogh e sua paixão pelos livros”. Da exposição fizeram parte cerca de trinta livros de diferentes autores que tratam da estreita relação entre pintura e literatura no cotidiano desse pintor.

Van Gogh comenta, em Cartas a Théo, de como é bela a arte em Shakespeare e se pergunta: “Quem é misterioso como ele? Suas palavras e sua maneira de fazer equivalem a um pincel fremente de febre e emoção. Mas é preciso aprender a ler, como é preciso aprender a ver e aprender a viver” (p. 27). Na condição de leitor, Van Gogh não esconde a sua admiração por Balzac e Zola; ele enfatiza que as obras desses escritores “produzem raras emoções artísticas naqueles que os amam, justamente porque eles abrangem a totalidade da época que descrevem”.

Os livros que Van Gogh levou para o seu universo pictural mostram como a paixão pela arte vence o tempo. As opiniões de Van Gogh acerca de pintura e literatura também são endereçadas ao amigo Emile Bernard; especificamente a carta que ele escreveu numa quinta feira, em 19 de abril de 1888, revela:


Há tanta gente [...] que imagina que as palavras não significam nada – pelo contrário, a verdade é que dizer uma coisa bem é tão interessante e difícil quanto pintá-la. Há a arte das linhas e das cores, mas também existe a arte das palavras, e esta permanecerá.

Sim, a arte da palavra permanecerá. É nesta perspectiva, que o livro Impressões de leitura do texto literário reúne, na primeira parte, um conjunto de textos/relatos oriundos de aulas expositivo-dialogadas; leituras de textos teóricos e literários; seminários, debates, relatos de experiência, análise e produção de materiais didáticos, entre outras atividades vivenciadas nas disciplinas “Leitura do texto literário” e “Literatura infantil e Juvenil” ministradas por mim, no Mestrado Profissional em Letras (Profletras), na Universidade de Pernambuco (UPE), Campus Garanhuns. Para tanto, fez-se necessário manter o foco no Projeto “Literatura comparada: desafios e perspectivas na formação do leitor” que está vinculado ao Grupo de estudos comparados: literatura e interdisciplinaridade (Grupec/UPE).

A arte da palavra permanecerá, porque o leitor participante – quer seja no campo da oralidade ou da escrita, na cidade grande ou no interior – intui, desde sempre, “a poética que nos funda”, como diria Bartolomeu Campos de Queiros: um dos leitores mais sensíveis do mundo. Nessa direção, vejamos os relatos de Impressões de leitura do texto literário. No primeiro, temos “O mundo pelas lentes da literatura”, um texto tecido pelo desejo e “a profunda necessidade de esquecer por um instante todos os apuds, notas de roda pé, recuos à direita, número de páginas e datas”.

Foi este e continua sendo um dos objetivos aplicado nos exercícios de escrita e redobrada a problematização quanto às ementas, aos conteúdos programáticos e às referências das citadas disciplinas.  O nosso propósito é deixar a literatura falar por si mesma, mostrar a sua leveza.

No relato “Roda de lembranças” perpassam “imagens da nossa infância, adolescência e da experiência com a literatura”; as histórias e os poemas “n” vezes contados e narrados fazem parte do universo que sempre nos surpreende. No terceiro relato, um recado instigante chama a nossa atenção: “Se não ficar tão bom, é porque faltou”... É isto mesmo que acontece e que se intui desde cedo, porque o pão está caro e não cabe no poema, porque a liberdade, ainda que pequena, pode nos salvar dos dilúvios cotidianos.

Ora, ora, quem disse que dialogar está fora da validade? Nesses tempos de banalização, em meio aos incessantes toques de celular e das “músicas que enredavam corriqueiramente os caminhos de uma sociedade eleitoreira”, duas amigas relatam em “Diálogo literário”, de como “aprenderam a jogar o jogo do contente”. Apesar do tempo corrido, cabe “Um ‘dedim’ de prosa”, assim, como se diz no Nordeste. Nesse ritmo, dois educadores nordestinos pelejam em verso e prosa sobre “a missão de valorizar, de cultivar e divulgar [...] a riqueza da cultura popular da gente quase sempre desprovida de riquezas materiais [e que] não se deixa abater”.

Com o intuito de estabelecer uma possível relação entre o mundo real e a fantasia, o quinto relato – Os mundos encantadores da Literatura” – convida leitores e leitoras a “enxergar o mundo pela janela da imaginação, [considerando que uma] boa leitura tem o poder de nos fazer sentir acompanhados, mesmo quando estamos sozinhos”. O sétimo relato se transforma em “Confissões literárias”, como o próprio título sugere. Nessa perspectiva, as narradoras falam das inseguranças que, em geral, as pessoas sentem quando desafiadas a dar asas à imaginação na escrita subjetiva.

Mais um texto evoca a emoção da descoberta da leitura do mundo; trata-se de “O nascer do leitor”: um relato que envereda na história de uma “guardiã de tesouros feitos de palavras, que ensina a compreender o mundo e a si mesma, semeando sonhos e esperanças”. O nono relato – “De bicho entre os detritos a apanhador de desperdícios” – denuncia também as desigualdades sociais; é um soco no estômago porque o bicho-homem cata subsistência do lixão e como se não bastasse, o poeta traz uma provocação: “O que é bom para o lixo é bom para a poesia”.

O último relato – “O labirinto da vida: em busca de reexistir” – é fruto do convite que eu fiz à Dra. Jaciara Gomes (Vice Coordenadora do Profletras, Campus Garanhuns) para ela escrever um posfácio para este livro. Motivada com a repercussão do referido Projeto, Jaciara apresentou um texto que eu gostaria de ter escrito. Sem rodeios, inclui seu texto neste volume, pois a leitura literária – conforme ela sugere – ganha mais força, quando mergulhamos também na crítica escritura de Lúcio Cardoso, Milan Kundera e Octávio Paz, entre outros.

A segunda parte do livro traz um conjunto de comunicações apresentadas na Mesa redondaRepensando o lugar da literatura no Ensino Fundamental”, realizada em maio de 2014, junto ao Profletras, na UPE, Campus Garanhuns. A referida atividade foi apresentada em quatro momentos, a saber:
1º) Quando a literatura abre outras literaturas.
2º) Para não esquecer o direito à literatura.
3º) Do cotidiano literário: autor/texto/leitor.
4º) Espaços de leitura literária e mediação.

Para finalizar, cabe a liberdade de sublinhar um trecho da Apresentação que o Dr. Benedito Bezerra fez para este livro.  Não é atoa que ele questiona o que “muitos diziam” acerca do nosso Profletras:

...muitos diziam ser, de algum modo, menor. “Será que tem o mesmo valor do mestrado acadêmico? Será que poderei fazer o doutorado com o título de mestre do PROFLETRAS? Será apenas algum tipo de especialização melhorada, ou disfarçada?” Seria o mestrado profissional o burrinho pedrês entre os já provados e aprovados cavalos do mestrado acadêmico? Penso que o tempo e a experiência vivida com maestria por esta primeira turma foi o bastante para responder e esclarecer esses questionamentos.

E a propósito de livros e girassóis, convém reiterar que “é preciso aprender a ler, como é preciso aprender a ver e aprender a viver”, como disse Van Gogh.
Na minha intuição, cada parte deste livro parece uma semente, algo que alimenta; o conjunto sugere um girassol semeado em meio a diversidade; a sua leveza reside entre a memória afetiva e o desamparo do homem-bicho e outros maiores e menores abandonados que permeiam o texto literário. 


Nordeste do Brasil, novembro de 2015.

Graça Graúna
(Organizadora)




REFERÊNCIAS

BIBLIOTECA VILLA-LOBOS. Disponível em:  http://www.bvl.org.br/van-gogh-e-sua-paixao-por-livros/#prettyPhoto. Acesso em 21. Set. 2015.

QUEIRÓS, Bartolomeu Campos de (Org.). Para querer bem - Manuel Bandeira. São Paulo: Global, 2013.


VAN GOGH, Vincent. Cartas a Théo. Porto Alegre: L&PM, 1999.

______. Carta a Emile Bernard. Disponível em: http://vangoghletters.org/vg/letters/let599/letter.html. Acesso em 21.set.2015.